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(continuação)

Como eram outros os planos dos pais de Clara, foi preciso que ela fugisse para a igrejinha da Porciúncula. Ali Francisco cortou seus cabelos e fê-la vestir um simples hábito religioso. Nascia assim a Ordem Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas. Duas semanas depois era a vez de sua irmã Inês unir-se a ela, e mais tarde uma terceira, Beatriz.

Não desprezar os ricos

Apesar de pregar principalmente para os pobres e de se identificar com eles, "Francisco tinha o hábito de alertar seus discípulos, exortando-os a não condenar e não desprezar 'aqueles que viviam na opulência e vestiam com luxo'. Dizia que 'também esses têm a Deus por Senhor, e que Deus pode, quando quer, chamá-los, como aos outros, e torná-los justos e santos'".13 Um desses nobres deu ao Poverello o Monte Alverne, onde ele receberia a maior graça de sua vida.

Indo em 1217 a Roma, Francisco se encontrou com outro luminar da Igreja da época. Era Domingos de Gusmão, que também fundara uma Ordem religiosa para combater a decadência dos costumes. Ambos se abraçaram, estabelecendo uma amizade solidificada pelo amor de Deus.

Pouco depois recebia Francisco alguém que se tornaria a maior glória de sua Ordem e um dos santos mais populares do mundo: Frei Antônio de Lisboa, conhecido também, mais tarde, como "de Pádua".

Dissabores e fundação da Ordem Terceira

Uma das maiores dores de Francisco foi ver surgir entre seus frades, chefiada pelo superior Frei Elias, uma nova tendência que dava uma orientação diferente à do santo, principalmente em relação aos estudos e ao modo de observar a pobreza. Francisco chegou a amaldiçoar um dos frades dessa nova tendência, chamado Frei Pedro de Stacia.

Era, por outro lado, consolador ver tantos leigos desejosos de pertencer à família de almas de Francisco, mas cujos laços de matrimônio ou outros encargos terrenos não permitiam que observassem inteiramente as regras franciscanas. Francisco fundou então uma Ordem Terceira para abranger a todos, e muitos grandes personagens — como São Luís, Rei de França, e Santa Isabel, Duquesa da Turíngia — a ela pertenceram.

Recepção dos estigmas

Dois anos antes de sua morte, estando no Monte Alverne com alguns de seus frades mais íntimos, Francisco se pôs em oração fervorosa e foi objeto de uma graça insigne. Na figura de um serafim de seis asas apareceu-lhe Nosso Senhor crucificado, e após entreter-se com ele em doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados estigmas da Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, que tanto desejara assemelhar-se a Ele, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador.

Em sua última doença, já próximo à morte, Francisco queria que Frei Ângelo e Frei Leão permanecessem junto ao seu leito para cantar os louvores da "Irmã Morte". Àqueles que se escandalizavam com essa atitude, respondia: "Por graça do Espírito Santo, sinto-me tão profundamente unido ao meu Senhor Deus, que não posso deixar de me alegrar n'Ele".14

"Por fim, tendo-se realizado nele todos os planos de Deus, o bem-aventurado adormeceu no Senhor, rezando e cantando um Salmo".15 Era o dia 3 de outubro de 1226. Francisco tinha 45 anos, e foi canonizado apenas dois anos depois.

Notas:

1. Legenda de São Francisco, escrita pelos três humildes irmãos franciscanos Leone, Rufino e Angelo, no Ano da graça de 1246", transcrição livre de Brasil Bandecchi, São Paulo, 1957, p. 13.

2. São Boaventura, Legenda Maior e Legenda Menor — Vida de São Francisco de Assis, Vozes, 1979, p. 21.

3. Specumlum Perfectionis, in Johannes Joergensen, São Francisco de Assis, Vozes, 1957, p. 316, nota 345.

4. São Boaventura, id, ib.

5. Id. ib., p. 174.

6. Legenda de São Francisco, p. 25.

7. São Boaventura, op. cit., p. 173.

8. Las Florecillas, Zeus, Madrid, 1963, p. 22.

9. Joergensen, op. cit., p. 137.

10. São Boaventura, op. cit., p. 174.

11. Legenda de São Francisco, pp. 66,67.

12. São Boaventura, id., p. 175.

13. Joergensen, op. cit., p. 216.

14. Id. ib., p. 393.

15. São Boaventura, op. cit., p. 200.

Legendas:

- Santa Clara.

- São Francisco.

- São Francisco recebe os estigmas (Benozzo Gozzoli, séc. XIV. Capela na igreja franciscana de Montefalco, Perúgia - Itália).



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