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(continuação)

sacerdote, rezaram pedindo a intervenção da Santíssima Virgem, tendo Fernandes Vieira prometido construir duas igrejas: uma dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, e outra a Nossa Senhora do Desterro.

Afinal, a vitória foi alcançada graças a uma intervenção sobrenatural! Insurgentes católicos testemunharam ter ouvido soldados hereges presos confessarem que viram aparecer do céu "uma mulher muito formosa com um menino nos braços, e junto a ela um velho venerando, vestido de branco, os quais davam armas, pólvora e balas aos nossos soldados, e que era tanto o resplendor que a mulher e o menino lançavam, que lhes cegava os olhos e não podiam olhar para eles de fito a fito. E que esta visão lhes fez logo virar as costas e retirar-se descompostamente".2

As duas vitórias obtidas nos montes Guararapes

Quase três anos depois da batalha do Monte das Tabocas, travou-se a primeira batalha dos Montes Guararapes (19 de abril de 1648), também comandada por João Fernandes Vieira. Este, no período entre as duas mencionadas batalhas, continuou treinando os insurgentes católicos e realizando escaramuças para atormentar e enfraquecer os calvinistas.

Na primeira batalha de Guararapes, apesar da desproporção numérica — 2.200 brasileiros contra 7.400 holandeses —, nossos insurgentes saíram vitoriosos, mas não foi suficiente para quebrar o ânimo batavo.

Entretanto, na segunda batalha de Guararapes, travada em 19 de fevereiro de 1649, os hereges holandeses perceberam que o fim de sua permanência no Brasil estava chegando. Somente nesse combate eles tiveram cerca de 2.000 baixas, enquanto apenas 47 brasileiros perderam a vida — entre os quais, infelizmente, o líder negro Henrique Dias, que morreu lutando heroicamente.

Mesmo enfraquecidos pela grande perda de soldados, armas e munições, apreendidas pelos católicos insurgentes nessas batalhas, os calvinistas conseguiram permanecer no Nordeste até 1654.

Nesse ano, a resistência católica conseguiu reconquistar dos batavos alguns fortes importantes. Percebendo estes que chegara seu fim, capitularam. Assinaram a rendição no dia 27 de janeiro de 1654 e retornaram para onde não deveriam ter saído.

Com o triunfo dos heróis da "Insurreição Pernambucana", João Fernandes Vieira foi aclamado "governador da independência" e tomou posse da capital naquele histórico dia. Também nascia, sob o patrocínio dele, de Felipe Camarão e de Henrique Dias, o glorioso Exército brasileiro, para proteção de nosso território.

Escandaloso silêncio, revelador das intenções de muitos

Chama a atenção o fato de a grande mídia, mesmo publicando matérias sobre a canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, não as tenha relacionado com a epopeia da "Insurreição Pernambucana", uma vez que esta nasceu da indignação contra as perseguições perpetradas pelos protestantes holandeses. Nos dias posteriores à canonização acompanhei de perto os grandes jornais do País, não encontrei neles uma linha sequer estabelecendo essa correlação. Por que esse silêncio?

A mesma pergunta poder-se-ia fazer às nossas autoridades eclesiásticas que, mesmo falando da canonização, também não fizeram tal vinculação dos fatos. Refletindo nesse silêncio, julguei-o mais triste do que a "censura" da mídia, pois os eclesiásticos, mais do que ninguém, têm a missão de ressaltar a beleza da resistência católica contra a heresia. Por que silenciar tão belas e gloriosas páginas da História do Brasil e da Igreja?

Nova resistência católica no Brasil de hoje

Rezemos aos nossos santos mártires pedindo-lhes que, assim como do sangue que verteram venceu a "Insurreição Pernambucana" contra o herege invasor do território nordestino, suscitem também no Brasil de hoje nova "insurreição" — no sentido de uma autêntica cruzada em defesa da verdadeira fé — para não se permitir que a Religião católica, em nosso País ou em qualquer parte do mundo, seja perseguida e aviltada como tem sido ultimamente em muitos lugares. Por exemplo, através de exposições blasfemas, sacrílegas e pornográficas. Para citar apenas um caso recente: à guisa de "apresentação teatral", um homem inteiramente nu ralou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e lançou seu pó sobre a plateia!

Em face de tais agressões anticatólicas, convidamos nossos leitores a oporem uma resistência pacífica, mas firme. Outro convite que poderíamos acrescentar: fazermos o propósito de sempre que mencionarmos os novos santos-mártires de Cunhaú e Uruaçu, estabelecermos a vinculação deles com a gloriosa "Insurreição Pernambucana" contra a dominação protestante. Tema de suma importância nestes dias em que se comemoram os 500 anos de Lutero — o heresiarca em face de cuja religião os santos-mártires potiguares preferiram morrer a se perverterem. 

FONTES CONSULTADAS:
- Robert Southey, História do Brasil (traduzido do inglês pelo Dr. Luiz Joaquim de Oliveira e Castro, com anotações do Cônego Dr. Fernandes Pinheiro), Livraria B. L. Garnier, Rio de Janeiro, 1862, tomo III.
- Pedro Calmon, História da Civilização Brasileira, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1958, 6ª edição (aumentada), vol. 14.

NOTAS:
1. A respeito, para melhor conhecimento, recomendamos a edição de Catolicismo de julho/2014, p. 36.
2. Diogo Lopes Santiago, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258.

LEGENDAS:
- Batalha dos Montes Guararapes – Victor Meirelles, 1879. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
- João Fernandes Vieira.
- Felipe Camarão.
- Henrique Dias.



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