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(continuação)

Igreja, aproveitando-se da distensão fingida por Moscou e mencionada como um dos piores ardis anticristãos na petição dos 213 Padres Conciliares.

Então não só o apelo da vidente de Fátima não foi atendido, como também a petição dos Padres Conciliares ficou "esquecida" em alguma gaveta da burocracia vaticana. O Papa Paulo VI tampouco consagrou a Rússia de acordo com as condições pedidas por Nossa Senhora. Resultado: deu-se aquilo que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira resumiu num comentário lapidar:

"O êxito dos êxitos alcançado pelo comunismo pós-staliniano sorridente foi o silêncio enigmático, desconcertante, espantoso e apocalipticamente trágico do Concílio Vaticano II a respeito do comunismo. Este Concílio se quis pastoral e não dogmático. Alcance dogmático ele realmente não o teve. Além disto, sua omissão sobre o comunismo pode fazê-lo passar para a História como o Concílio a-pastoral. [...] atuaram como verdadeiros Pastores aqueles que, no Concílio Vaticano II, quiseram espantar os adversários minores, e impuseram livre curso — pelo silêncio — a favor do adversário maior? Com táticas aggiornate — das quais, aliás, o mínimo que se pode dizer é que são contestáveis no plano teórico e se vêm mostrando ruinosas na prática — o Concílio Vaticano II tentou afugentar, digamos, abelhas, vespas e aves de rapina. Seu silêncio sobre o comunismo deixou aos lobos toda a liberdade. A obra desse Concílio não pode estar inscrita, enquanto efetivamente pastoral, nem na História, nem no Livro da Vida.

"É penoso dizê-lo. Mas a evidência dos fatos aponta, neste sentido, o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja. A partir dele penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a 'fumaça de Satanás', que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição."

Resistência à aproximação Vaticano-Moscou

Esse silêncio conciliar deixou o campo livre aos profetas dos "erros da Rússia" de fora e de dentro da Igreja, impulsionando aquilo que Paulo VI definiu como "fumaça de Satanás", e pôs de lado os "profetas de Fátima". Propiciou assim, no período pós-conciliar, a abertura das portas para uma ativa aproximação diplomática da Santa Sé — conhecida como Ostpolitik — com os líderes de Moscou e seus acólitos que tiranizavam os países socialistas ou tentavam conquistar o mundo inteiro. Os heróis da resistência ao comunismo como o Cardeal Mindszenty e os bem-aventurados Cardeal Stepinac e Dom Matulionis foram tidos em conta de obstáculos ao novo rumo diplomático pelo vento novo. Os governos e movimentos anticomunistas — católicos ou não — que a Santa Sé até então apoiava, foram minados pelo desânimo e pelo abandono. Simultaneamente, altos hierarcas da Igreja se exibiam sorridentes ao lado dos "profetas" dos "erros da Rússia", em gestos de repercussão internacional.

A resistência heroica dos minoritários e marginalizados "profetas de Fátima" foi se aglutinando cada vez mais em torno da voz a um só tempo filial e intransigente de Plinio Corrêa de Oliveira, sintetizada no impressionante manifesto A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas — Para a TFP: omitir-se? Ou resistir? Publicado em grandes jornais das Américas e do Velho Continente, ele manteve bem alto a posição que Nossa Senhora pediu em Fátima contra os falsos profetas dos "erros da Rússia".

"A diplomacia de distensão do Vaticano com os governos comunistas cria para os católicos anticomunistas, uma situação que os afeta a fundo, muito menos enquanto anticomunistas do que enquanto católicos. [...] Cessar a luta, não o podemos. E é por imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que difundamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista. [...]

"O vínculo da obediência ao Sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo de nossa alma, ao qual tributamos o melhor de nosso amor, esse vínculo nós o osculamos no momento mesmo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição. E de joelhos, fitando com veneração a figura de S.S. o Papa Paulo VI, nós lhe manifestamos toda a nossa fidelidade. Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe".

Putin: o mais recente "profeta" dos "erros da Rússia"

Os "profetas" do mal requintaram seus estratagemas de metamorfose enganosa, a qual já havia sido denunciada in radice na petição não atendida dos 213 Padres conciliares. Na noite de Natal de 1991, em cerimônia transmitida para os quatro cantos do mundo, o líder máximo do comunismo russo, Mikhail Gorbachev, declarou astutamente a URSS extinta. Sim, "extinguira-se" a plataforma a partir da qual os "erros da Rússia" se espalhavam para o mundo inteiro! Estranhamente, todos aqueles que até havia pouco tempo declaravam ser impossível opor-se ao comunismo e que sua vitória seria irreversível, comemoraram o fato e abaixaram os braços, repetindo: "o comunismo morreu".

Mas Dr. Plinio não se iludiu com essa onda de enganos e continuou denunciando as astúcias da metamorfose do comunismo após a qual os mesmos erros voltariam com outras máscaras. E assim foi. Após a década confusa de 1990, uma nova luz negra remanescente do velho sistema soviético começou a brilhar enganosamente na Rússia. Era Vladimir Putin, um ex-coronel da polícia secreta soviética, a KGB, que galgou os postos de comando do Kremlin e instalou seus colegas do serviço secreto em postos-chaves do governo e do Patriarcado de Moscou — velha dependência religiosa do esquema repressivo soviético. Uma habilidosa propaganda foi apresentando Putin como um sucedâneo de Carlos Magno ou do imperador Constantino, vindo do Oriente para restaurar a religião e pôr fim ao caos que devora

(continua)

LEGENDAS:
- Sessão do Concílio Vaticano II, na Basílica de São Pedro, em Roma
- Plinio Corrêa de Oliveira: "É penoso dizê-lo. Mas a evidência dos fatos aponta, neste sentido, o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja".
- Putin, numa habilidosa propaganda, está sendo apresentado como um sucedâneo de Carlos Magno ou do imperador Constantino, vindo do Oriente para restaurar a religião e pôr fim ao caos que devora o mundo ocidental ex-cristão.



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