Catolicismo - Acervo
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(continuação)

postulador da causa dos mártires de Cunhaú e Uruaçu. Os fatos são comprovados por documentos disponíveis na Torre do Tombo (Portugal), no Museu de Ajax (Holanda) e em arquivos nacionais. Segundo os documentos, somente nas duas mencionadas vilas, mais de 150 heroicos nordestinos derramaram seu sangue em defesa da fé católica, embora apenas 30 deles — fidedignamente identificados e reconhecidos por historiadores — tenham sido canonizados.

"Protomártires do Brasil"

Esses 30 santos são também considerados "protomártires do Brasil", por terem sido os primeiros brasileiros a alcançarem a palma do martírio em nossas terras. O que se poderia objetar dizendo que quase um século antes havia ocorrido o martírio dos 40 religiosos da Companhia de Jesus, que viajavam em uma nau proveniente da Europa para esta "Terra de Santa Cruz". Conhecidos como os "40 Mártires do Brasil", eles foram mortos num assalto, ocorrido no dia 15 de julho de 1570 próximo às Ilhas Canárias, perpetrado por navios de calvinistas franceses comandados pelo huguenote Jacques Sourie. Esses sequazes de Calvino, ao tomarem conhecimento que se tratava de missionários católicos, executaram-nos. Todos foram lançados ao mar, alguns já mortos, outros feridos.

Respondendo à objeção acima, podemos dizer que esses 40 mártires não eram brasileiros, pois 32 nasceram em Portugal e oito na Espanha. Eram jovens entre 20 e 30 anos, pertencentes à Companhia de Jesus, que os destinara em 1570 às missões no Brasil. Lideravam-nos o Pe. Inácio de Azevedo, S.J., e se compunham de dois sacerdotes, um diácono, 14 irmãos e 23 estudantes. Eles foram beatificados em 11 de maio de 1854 pelo Bem-aventurado Papa Pio IX.1

Como foi o martírio dos heróis da fé em Cunhaú e Uruaçu?

O dia 16 de julho de 1645, festividade de Nossa Senhora do Carmo, transcorria normalmente no vilarejo de Cunhaú, até o momento em que um judeu-alemão de nome Jacob Rabbi, atuando a serviço dos hereges holandeses, espalhou a notícia de que, após a Missa, os habitantes seriam informados de assuntos de importância para eles e para o Estado.

Então, a fim de assistirem à Missa de preceito e depois se inteirarem daquilo que seria anunciado, 70 fiéis se reuniram na capela de Nossa Senhora das Candeias, do Engenho de Cunhaú. No meio da celebração, contudo, soldados e comerciantes holandeses, auxiliados por índios tapuias do Potengi pervertidos à religião de Lutero, trancaram as portas da capela e iniciaram um massacre. O celebrante, Pe. André de Soveral — paulista de São Vicente e discípulo do Pe. Anchieta —, exortou os fiéis a se arrependerem de seus pecados, numa breve preparação para a morte e salvação das almas. Os invasores trucidaram o idoso sacerdote e, em seguida, os demais foram passados à espada, com exceção de três homens que fugiram. Um dos fiéis, Mateus Moreira, foi apunhalado e morreu testemunhando sua fé ao exclamar "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Seu coração foi arrancado pelas costas [representação ao lado].

Dois meses e meio depois, em 2 de outubro de 1645, aproximadamente 80 católicos nordestinos foram torturados até a morte às margens do Rio Uruaçu, por não renunciarem a fé católica. A crueldade foi ainda maior do que no massacre de Cunhaú. Os fiéis foram cortados em pedaços, degolados, muitos tiveram olhos e línguas arrancados. Os seguidores de Lutero, também contando com ajuda de índios tapuias, não pouparam sequer as crianças nos braços de suas mães, nem mesmo um bebê. Nesse mesmo massacre foi torturado e morto o Pe. Ambrósio Francisco Ferro.

A gloriosa epopeia da "Insurreição Pernambucana"

Nas regiões nordestinas, à medida que recrudesciam as perseguições aos católicos, com o intento de arrancar-lhes a fé e obter-lhes a perversão ao protestantismo, cresciam as indignações contra os intrusos holandeses.

Começou-se a organizar as reações para dar um basta ao plano de conquista de uma parte do Brasil pela heresia protestante. Nascia uma verdadeira cruzada — a "Insurreição Pernambucana" — para expulsar os invasores e impedir a implantação da "Nova Holanda" no Nordeste brasileiro.

Pernambuco, então capitania governada por Mathias de Albuquerque (1580–1647), já estava sendo dominado pela Holanda, que ali estabeleceu a "Companhia das Índias Ocidentais". Seu objetivo era explorar e comercializar as riquezas de nosso território, então pouco povoado, valendo-se para isso de poderosa esquadra e milhares de soldados. O exército holandês no século XVII era considerado moderno, numeroso e com muito poder de fogo. Por seu lado, não contando os heroicos pernambucanos com um exército, deviam contentar-se em fazer apenas escaramuças contra os soldados batavos — assim chamados, pois originários da Batávia, antigo nome dos Países Baixos.

No entanto, pouco a pouco, católicos resistentes do Nordeste foram se organizando, sobretudo com a liderança de João Fernandes Vieira (1610-1681), rico senhor de engenho. Juntaram-se a este heroico líder o paraibano André Vidal de Negreiros, o índio potiguara Antonio Felipe Camarão, o líder negro Henrique Dias, bem como outros senhores de engenho, que representavam a aristocracia da terra.

Unindo providencialmente brancos, negros e índios, representando as três raças constitutivas do autêntico Brasil, forjava-se a grandeza da nacionalidade de um país nascido católico e que passou a lutar para expulsar o invasor herege do solo pátrio.

Vitória sobrenatural alcançada no monte das Tabocas

Após algumas escaramuças contra os hereges holandeses, em 3 de agosto de 1645 travou-se a memorável batalha do Monte das Tabocas, atualmente Vila da Vitória de Santo Antão. A luta foi árdua, sobretudo devido à escassez de recursos dos resistentes nordestinos, com suas espadas enferrujadas, contra o poderio formidável das armas dos batavos, além da enorme diferença numérica entre os combatentes. Num momento em que tudo parecia perdido, por iniciativa de um

(continua)

LEGENDA:
No meio da celebração, soldados e comerciantes holandeses, auxiliados por índios tapuias do Potengi pervertidos à religião de Lutero, trancaram as portas da capela e iniciaram um massacre.



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