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(continuação)

mais alta concepção de sua missão de vindicação da moralidade cristã, da defesa da lei de Deus".3

O historiador L. Duchesne assim descreve a atuação desse Papa santo à frente da Igreja: Nicolau "soube conciliar o respeito escrupuloso das condições exteriores que as circunstâncias e as convenções impunham ao Papado, com a mais alta ideia de seus deveres de pontífice e o maior zelo em observá-los. Sua passagem pela Sé de São Pedro marca um período de exaltação da atividade e da autoridade pontifícias. Depois de São Gregório Magno, não se encontra Papa algum dessa estatura. No entanto, esse precursor de Gregório VII encontra um meio de viver em boa inteligência com o imperador italiano'".4

O primeiro cisma de Constantinopla

Um dos fatos que mais marcaram o pontificado de Nicolau I foi aquele que culminou com o primeiro cisma de Constantinopla. Por sua importância, vamos nos estender um pouco sobre ele.

Depois de toda a querela iconoclasta de 843 (contra o culto às imagens) e a ascensão ao trono patriarcal primeiro de São Metódio (+ 847) e depois de Santo Inácio I (+ 877), filho do imperador bizantino Miguel I, as relações sempre tensas pareciam restabelecidas entre Roma e aquele Império.

Entretanto, após uma desavença com o Imperador Miguel III, o Ébrio, Inácio foi desterrado por ele. O déspota nomeou então para ocupar o seu lugar um leigo oportunista chamado Fócio, que foi ordenado apressadamente por Gregório Abesta, arcebispo de Siracusa, a quem Santo Inácio havia excomungado por insubordinação.

Seguiu-se um período de confusão, durante o qual o Papa São Nicolau se recusou a reconhecer o intruso como patriarca, em vista das irregularidades havidas na eleição de Fócio e a defesa de Santo Inácio: "Nicolau não se deixou enganar pelas artimanhas do usurpador, e descobrindo a duplicidade de sua atitude através das cartas que este dirigiu à Santa Sé, convocou, em Roma, um concílio no qual privou Fócio de sua dignidade, depôs os legados [que tinha mandado a Constantinopla, mas que aderiram a Fócio], e degradou Gregório Abesta, declarando Inácio como legítimo Patriarca".5

Entretanto, Miguel III não apenas manteve Fócio, como enviou um violento protesto a Roma "cheio de blasfêmias e injúrias". A fim de evitar a consumação de um cisma, o Papa se propôs reexaminar a questão em Roma na presença de Inácio e de Fócio.

Entrementes surgiu a questão búlgara, que levou Fócio a aferrar-se à sua posição. A Bulgária havia sido evangelizada por missionários enviados por Constantinopla, que batizaram o rei Boris. Irritado pela demora do patriarcado bizantino em responder às suas demandas, Boris voltou-se para Roma em 866.

Desejoso de tirar essa nova nação da influência bizantina, praticamente cismática, o Papa soube atrair a si o rei búlgaro, enviando dois bispos à Bulgária para entregar a resposta a todas as consultas de Boris. Isso irritou Constantinopla, que julgou uma intromissão de Roma em seu campo de ação.

Consumando o cisma, Fócio não só mandou prender a delegação romana na fronteira e procurou sublevar contra o Papa todos os patriarcas do Oriente, como também tentou conquistar o apoio do Imperador Luís.

Assim corriam as coisas até 867, quando Miguel III morreu assassinado e Basílio (867-86) tornou-se imperador. Este destituiu Fócio e repôs Santo Inácio na Sé patriarcal. Mas vindo o santo a falecer em 877, Fócio, que com suas artimanhas conseguira cativar as graças do novo imperador e do povo, voltou a ser patriarca da cidade imperial.

Com ascensão do patriarca Antônio II, a reunião com Roma foi completamente restaurada. Entretanto, esta durou apenas um século e meio quando, com Miguel Cerulário (1043-58), infelizmente a ruptura tornou-se definitiva até nossos dias.

Em defesa da santidade do matrimônio

Não sabemos em que ano Ingiltrude, esposa do Conde Boso, deixou-o para juntar-se a outro homem. O Papa mandou que os bispos da região a excomungassem caso não retornasse ao seu legítimo esposo. Como ela não se submeteu, sofreu as penas eclesiásticas pronunciadas pelo Sínodo de Milão de 860.

Outro caso mais sério se deu com Lotário II, da Lorena [à esq.], irmão do Imperador Luís. Ele abandonou sua legítima esposa — a quem, juntamente com seus partidários, acusou das piores calúnias — para poder casar-se com uma de suas antigas cortesãs. Os bispos da Lorena foram lenientes diante do caso, tendo o arcebispo Gunter, de Colônia, chegado mesmo a pronunciar a anulação de seu casamento, garantindo-lhe o direito de recasar-se legitimamente.

A rainha repudiada escreveu a São Nicolau defendendo-se das calúnias, e o Papa chamou o caso a si. Num sínodo realizado em São João de Latrão no mês de outubro de 863, foram depostos os arcebispos de Colônia e de Tréveris, que estava mancomunado com ele.

(continua)

LEGENDA:
- Interrogatório do patriarca Fócio (no trono) – Autor desconhecido, séc. XIII. Biblioteca Nacional da Espanha.



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