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500 ANOS DA REVOLTA...

(continuação da página 6)

culminaram recentemente num ato que causou horror e indignação nos meios católicos:

O Vaticano lançou no dia 31 de outubro de 2017 um selo comemorativo do V centenário da Reforma Protestante! A estampilha tem como fundo a cidade Wittenberg, berço da heresia luterana, no centro um crucifixo, à esquerda a figura de Lutero (portando a bíblia traduzida e deformada por ele), e à direita seu comparsa na expansão da Revolução Protestante, Melanchton (portando a “Confissão de Augsburg” — o primeiro documento oficial dos princípios do protestantismo).

A representação, como se pode notar no selo [foto acima], evoca de modo blasfemo a iconografia clássica da Crucifixão: a Santíssima Mãe Dolorosa e São João Evangelista aos pés da Cruz no alto do Calvário!

* * *

Os atos em homenagem ao luteranismo entram fragorosamente em choque com a afirmação do cardeal Gerhard Müller: “Nós, católicos, não temos qualquer motivo para celebrar o dia 31 de outubro de 1517, data do início da Reforma”. Também se opõem a uma antiga advertência (2012) do cardeal Kurt Koch: “Não podemos celebrar um pecado [...]. Os acontecimentos que dividem a Igreja não podem ser chamados dias de festa”.

Desses festejos para Lutero — celebrando ao mesmo tempo seu famigerado brado de revolta contra a Igreja e o Papado: “Los von Rom” (Livres de Roma) — o que diria o grande Santo Inácio de Loyola, chamado por Deus para a «Contra-reforma» com o objetivo de impedir a dilatação da (pseudo) «Reforma protestante»?

Respondo com duas citações. A primeira a copiei do Missal quotidiano de Dom Gaspar Lefèbvre: “Na noite da Encarnação, dia 25 de março [1522], depois da confissão de suas faltas, fez [Santo Inácio] a vigília de armas; e, pela Mãe de Deus, é armado cavaleiro de Cristo e da Igreja militante, sua esposa. Será, em breve, general da admirável Companhia de Jesus, suscitada pela Providência a fim de combater o protestantismo, o jansenismo e o paganismo renascente”.2

A segunda citação é do Padre Ribadeneyra, S.J., principal biógrafo de Santo Inácio, ao afirmar: “Deus Nosso Senhor quebrou a perna do Padre Inácio no castelo de Pamplona para curá-lo; e, de soldado desgarrado e vão, fazê-lo seu capitão e chefe, e defensor da Igreja contra Lutero”.3 v

Notas:

1.http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=97C01FE5-FEA-32BC-77A58E1176385BED&mes=Novembro2016

2. Missal Diário Popular, Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., Traducción Castellana, Desclée, de Brouwer y Cia., Bruxelas e Buenos Aires, 1941, p. 960.

3. Padre Ribadeneyra, S.J., Historias de la Contrarreforma, BAC, p. 142.


LUTERO PENSA QUE É DIVINO!

Excertos do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, na “Folha de S. Paulo”, 10 de janeiro de 1984

[Tópicos] da magnífica obra do padre Leonel Franca S. J., “A Igreja, a Reforma e a Civilização” (Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 3ª ed., 1934, 558 pp.). [...]

Escreveu [Lutero] a um amigo que o homem vexado pelo demônio, de quando em quando “deve beber com mais abundância, jogar, divertir-se e mesmo fazer algum pecado em ódio e acinte ao diabo, para lhe não darmos azo de perturbar a consciência com ninharias. [...] Todo o decálogo se nos deve apagar dos olhos e da alma, a nós tão perseguidos e molestados pelo diabo” (M. Luther, “Briefe, Sends breiben und Bedenken”, e. De Wette, Berlim, 1825-1828 – cfr. op. cit., pp. 199-200). [...]

Talvez ainda mais taxativo é este incitamento ao pecado, em carta a Melanchton, de 1º de agosto de 1521: “Sê pecador, e peca a valer (esto peccator et pecca fortiter), mas com mais firmeza ainda crê e alegra-te em Cristo, vencedor do pecado, da morte e do mundo. Durante a vida presente devemos pecar. Basta que pela misericórdia de Deus conheçamos o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Dele não nos há de separar o pecado, ainda que cometêssemos por dia mil homicídios e mil adultérios” (“Briefe, Sendschreiben und Bedenken”, ed. De Wette, 2, p. 37 – cfr. op. cit. p. 439). [...]

E Lutero acrescentava, acerca de seus sequazes evangélicos, que “são sete vezes piores que outrora. Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios. Expulsamos um demônio (o papado) e vieram sete piores” (“Werke”, ed. de Weimar, 28, p. 763 – cfr. op. cit., p. 440). [...]

Todas essas insânias explicam que Lutero chegasse ao frenesi do orgulho satânico, dizendo de si mesmo: “Este Lutero não vos parece um homem extravagante? Quanto a mim, penso que ele é Deus. Senão, como teriam os seus escritos e o seu nome a potência de transformar mendigos em senhores, asnos em doutores, falsários em santos, lodo em pérolas!” (Ed. Wittemberg, 1551, t. 4, p. 378 – cfr. op. cit., p. 190). [...]

Excomungado em Worms em 1521, Lutero entregou-se ao ócio e à moleza. E a 13 de julho escreveu a outro prócer protestante, Melanchton: “Eu aqui me acho, insensato e endurecido, estabelecido no ócio, oh dor!, rezando pouco, e deixando de gemer pela Igreja de Deus, porque nas minhas carnes indômitas ardo em grandes labaredas. Em suma, eu que devo ter o fervor do espírito, tenho o fervor da carne, da libidinagem, da preguiça, do ócio e da sonolência” (“Briefe, Sendscheiben und Bedenken”, ed. De Wette, 2, p. 22 – cfr. op. cit. p. 198). [...]

* * *

O que de comum se pode encontrar, pois, entre esta moral e a da Santa Igreja Católica Apostólica Romana?



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