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(continuação)

alguns deles, a unificar o corpo, o espírito e a alma.

Vigilância quanto à infiltração de religiões pagãs

A filosofia panteísta impregna toda a encenação e prática das artes marciais orientais, a começar pelo mokuso – ou meditação, no começo e no fim do treinamento, sentado no dojô (literalmente, “lugar para o estudo da Via”)

À vista do referido acima, o leitor compreenderá a dificuldade em dar uma resposta simples a uma questão tão complexa, a qual se reverte no seguinte: nas artes marciais orientais – praticadas não como simples esporte, mas como autêntica via de desenvolvimento pessoal – é possível separar as técnicas de combate e os exercícios de treinamento dos pressupostos filosóficos errados que lhes deram origem e dos rituais que os encapsulam? Em outras palavras, é possível “cristianizar” as artes marciais enquanto possível via espiritual e transformá-las em algo análogo aos torneios dos cavaleiros medievais em preparação para o combate? Ou estão elas intrínseca e inseparavelmente unidas às suas origens pagãs?

Para nós, ocidentais, cônscios da nossa própria personalidade individual e formados pela cultura católica na ideia de um Deus pessoal e transcendente, isso parece viável. Mas será possível para cristãos orientais imersos numa cultura impregnada pela ideia da imanência da energia divina no universo e de um futuro desaparecimento dos indivíduos no “Todo universal”? Cabe dizê-lo aos fiéis católicos e aos pastores verdadeiramente zelosos residentes nessas regiões pagãs.

Mas há uma obrigação certa para todos os católicos dos nossos dias, do Oriente e do Ocidente: é o dever de abrir os olhos para a crescente infiltração das religiões pagãs e do New Age, inclusive em nossas paróquias, sob o pretexto da prática de yoga ou de artes marciais. Tendo bem presente que na casa do Pai há muitas moradas, mas que o único Caminho para nos santificarmos e chegarmos até ela é Jesus Cristo, Nosso Senhor, uma vez que ninguém vai ao Pai senão por Ele (Jo 14, 6).


FOTO EM FOCO

Autêntica arte e desejo de perfeição nas classes populares

Texto Adolpho Lindenberg

Nada de mais errado julgar que o gosto pela perfeição, pelas coisas bem feitas, com expressão artística autêntica, seja apanágio só das elites. Quem já viajou pelo Tirol, pela Baviera ou pela Suíça, deve ter observado como as casas dos camponeses são bonitas, diferenciadas, com detalhes artísticos — pinturas nas paredes, formato dos telhados, rosa dos ventos feita de ferro etc.

O bom acabamento, as cortinas colocadas com esmero e as flores de gerânio bem cultivadas nas janelas completam o quadro digno de tornar-se um cartão postal. O mesmo ocorre quando percorremos as vielas de antigos vilarejos, ainda preservados em toda a Europa — casas em bom estado, outras abandonadas e quase em ruínas, mas cada uma manifestando sua individualidade e seu conjunto, agradando a todos os que por ali transitam.

E o que falar dos tapetes, dos bordados, dos trajes, das danças típicas, das festas populares? E dos pratos das ricas culinárias das diversas regiões da Europa?

Tudo isso mostra como era rica, culturalmente, em todos os níveis sociais, a Civilização Cristã.



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