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(continuação)

Inveja e ingratidão de Saul

Como sói acontecer no momento da aflição, Saul tinha prometido tudo a quem o livrasse do filisteu, inclusive a mão de sua filha mais velha. Mas a gratidão é uma das virtudes mais difíceis de se praticar. Tomado de inveja pelo jovem campeão, o rei não lhe concede a mão de sua filha, mas, pelo contrário, passa a persegui-lo e a atentar contra sua vida.

Mais ainda: vendo que Davi era amado pelo povo e saía sempre vitorioso das campanhas, Saul pensa fazê-lo perecer numa batalha. Para isso promete-lhe a mão de sua filha Micol, caso ele matasse 100 filisteus com as próprias mãos. Davi mata 200 e casa-se com a filha do rei. Mas Saul, mesmo vendo que o Senhor estava com o genro, “durante o resto de sua vida detestou Davi”, apesar de “cada vez que os chefes dos filisteus faziam incursões, Davi era mais bem-sucedido que todos os homens de Saul” (I Sam 18, 29-30).

A partir de então, Davi estará constantemente fugindo de Saul, embora nunca tenha levantado a mão contra o rei por ter sido este ungido. O que prova a retidão de Davi.

Saul acabou por se suicidar para não cair nas mãos dos filisteus, que já tinham matado três de seus filhos e grande parte do exército (cfr. I Sam, 31, 1 a 7; I Cron 10, 1 a 6).

Reinado de Davi e nova aliança com Deus

Quando morre Saul, Davi dirigese a Hebron, onde é ungido rei de Judá. Enquanto isso, Abner, general de Saul, homem valente mas ambicioso, faz sagrar rei de Israel a Isboset, filho do falecido monarca. Desse modo, só a casa de Judá (ou seja, apenas uma dentre as 12 tribos de Israel) segue Davi.

Enfim, em meio a mil vicissitudes nas quais a retidão de Davi nunca se desmente, Isboset e Abner são assassinados, e a casa de Israel reconhece a Davi e o unge rei de todo o povo (cfr. II Sam 1 a 5).

Davi recupera sua primeira mulher e casa-se com outras*, tendo delas diversos filhos. Derrota os jebuseus da fortaleza de Sion, em Jerusalém, que reedifica com o nome de Cidade de Davi. E com o material recebido do rei de Tiro, constrói um palácio para o qual quis transportar a Arca da Aliança.

Depois disso Davi obtém vitória sobre vitória, suas guarnições se estendem até Damasco, na Síria, torna tributários muitos povos, organiza a ordem pública no reino e faz-se respeitado, mantendo o inimigo longe dos seus domínios.

FUNDADOR DA NACIONALIDADE ISRAELITA
“A posteridade se reporta sem cessar à época de Davi como aos tempos do mais belo progresso nacional e, nos séculos obscuros que seguiram à destruição de Jerusalém, sonhava voluntariamente com a reconstituição do império do glorioso fundador de Jerusalém por um de seus descendentes. O pai de Salomão passou, ao mesmo tempo, como o modelo de piedade e de cumprimento dos deveres religiosos. O maior elogio que se pode fazer de um monarca era de o comparar a Davi.
Essa apoteose teve, em nossos tempos, uma contrapartida no esforço de alguns historiadores que se empenharam em diminuir o papel de Davi, e a denegrir seu caráter. A uma tão grande distância dos acontecimentos e em presença de textos de uma autenticidade duvidosa, tais ensaios são um pouco pueris. Davi foi seguramente exagerado por uma posteridade desejosa de se engrandecer em sua própria pessoa; mas ele soube fundar a nacionalidade israelita sobre bases indestrutíveis. Assim seu nome permanecerá envolto em uma legítima auréola”. (Maurice Vernes, David, La Grande Encyclopédie, Société Anonyme de la Grande Encyclopédie, Paris, tomo XIII, p. 997).

Pecado e tocante penitência do Real Profeta

Durante uma das campanhas contra os amonitas, Davi permanece em Jerusalém e envia seu general Joab para comandar as tropas. Como a ociosidade é a mãe de todos os vícios, certo dia em que o rei passeava despreocupadamente pelo terraço de seu palácio depois da sesta, de repente ele vê uma formosa mulher, Betsabé, que se banha numa casa próxima. Tendo a paixão subido em seu coração, manda buscá-la e peca com ela, mesmo sabendo que era esposa de um suboficial que no momento expunha sua vida por ele na guerra!

Ora, Betsabé concebe e manda avisar o rei, que para dissimular as coisas ordena ao marido dela que volte da guerra, a fim de lhe fornecer informações sobre o campo de batalha e coabitar assim com a sua mulher. Mas o bravo guerreiro não quer o conforto do lar enquanto seus companheiros passam os perigos e as privações da guerra. Permanece no átrio do palácio com outros soldados sem conviver com a esposa.

A paixão cega. O até então justíssimo Davi não encontra outra saída senão mandar colocar Urias, esse suboficial dedicado, no lugar mais perigoso da batalha, onde certamente pereceria. É o que sucede, e Davi toma então Betsabé por esposa.

Mas, enviado por Deus, o Profeta Natan aparece diante do rei e o increpa pelo duplo crime, depois de tantos benefícios a ele concedidos pelo Criador. Dando-se conta do pecado cometido e tocado pela graça, Davi cai de joelhos clamando: “Pequei contra o Senhor”. Natan responde-lhe que o Senhor o perdoa, mas que, como punição, o filho desse adultério morreria (cfr. II Sam 11 e 12).

Vestido de saco, em jejum e prosternado ao solo, Davi suplica ao Senhor, durante sete dias, que poupe a vida do menino. Segundo a tradição, é nessa ocasião que escreve os 7 Salmos Penitenciais, obra-prima de sentimento, compunção, e verdadeira contrição. Findo esse período, o menino morre.

Tal penitência, no entanto, foi agradável a Deus,

(continua)

LEGENDA: O Profeta Nathan repreende o Rei Davi – Eugène Siberdt (1851–1931). Mayfair Gallery, Londres.



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