Catolicismo - Acervo
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(continuação)

minha família; e, hoje, existem 18 áreas invadidas entre os municípios de Guaíra e Terra Roxa.

Enquanto os índios invadiam terras públicas e da Itaipu binacional, uma autarquia, nós particulares não fazíamos nada, pois o Estado brasileiro é soberano para se defender de todas essas agressões. Na verdade, nossa associação nasceu em consequência de invasões em terras particulares, e desde sua constituição em 2013 até hoje, realizamos um trabalho de esclarecimento não apenas junto aos associados, mas de toda a opinião pública.

“Lacunas que favorecem a FUNAI demarcar, julgar e decidir sobre terras a serem demarcadas para índios, num sistema de ditadura, totalmente irregular ao nosso ordenamento jurídico”

Catolicismo — Com quantos membros conta a ONGDIP e como ela se mantém?

Roberto Weber — Quando fundamos a associação, éramos 42 pessoas; hoje temos mais de 550 associados. Não existe mensalidade para os sócios. No início, obtivemos doações espontâneas dos filiados, costume que prevalece ainda hoje. Essas doações são necessárias para manter um escritório como o que estabelecemos aqui, com uma secretária que atende o público no horário comercial, com um serviço minucioso de documentação, além das publicações constantes de esclarecimento que fazemos.

Quando os índios passaram a invadir propriedades privadas, começamos a buscar as leis, pois somos legalistas e pela verdade. Não pregamos violência, e tudo o que fazemos é em cima de verdade fundamentada; caso contrário, não pactuamos nem passamos para frente. Toda nossa ação é e continuará sendo em cima da verdade. Todas as propriedades invadidas aqui até o momento são tituladas e com a documentação em dia, escrituras com cadeia dominial, as matas são averbadas no IAP — Instituto Ambiental do Paraná —, tudo dentro da perfeita legalidade. A região de Guaíra foi colonizada de maneira muito mansa e pacífica, nunca houve litígio de terras.

Houve algum litígio numa área distante daqui, no município de Palotina, em razão de uma colonizadora de terras ter vendido algumas áreas para mais de um comprador... no estilo “beliche”. Portanto, lá deu certa confusão, mas aqui em Guaíra e Terra Roxa não houve problemas de titulação, a não ser com um ou outro displicente que não registrou sua terra, ficando só com a escritura como às vezes acontece, o que não estava certo.

Catolicismo — Havia terras devolutas por aqui?

Roberto Weber — São terras particulares há muitos anos, pois esta região foi comprada inicialmente pela Isnard Alves e Cia. Em 1911, ela foi transferida para a Cia. Mate Larangeira em duas grandes áreas. Em 1921 foram feitas outras vendas para a Mate Larangeira. Lá pelos anos de 1950 foi quando começou a haver loteamento em pequenas glebas.

A compra de terras do Estado por parte da Isnard Alves se deu ainda no período em que isso aqui pertencia ao município de Foz do Iguaçu. Foi a matrícula nº 1 da comarca de Foz do Iguaçu. Já a Mate Larangeira comprou parte de suas terras do Estado e parte da Isnard Alves. Aconteceu também de o Estado do Paraná passar uma parte do município de Guaíra e Terra Roxa para a Cia. Paranaense de Colonização, também na comarca de Foz do Iguaçu. Foram passados à época 196 mil hectares que, por sua vez, foram repassados para outras colonizadoras. Já em 1973 havia terminado a colonização desta região, aliás, como já disse, de maneira mansa e pacífica.

Catolicismo — Voltando à pergunta anterior sobre a organização dos proprietários da região, qual a razão mais cogente que os levou a constituir uma associação em defesa da propriedade?

Roberto Weber — No momento em que os índios começaram a invadir terras colonizadas, antropizadas, documentadas, produtivas e hoje muito valorizadas com o advento da soja e da pecuária. Um hectare aqui está valendo em torno de 60 a 70 mil reais. Então, a partir do dia em que acionamos a Justiça em busca de nossos direitos de reintegração de posse e percebemos que ela não cumpriu a sua parte como deveria, demo-nos conta dessas lacunas que favorecem a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) demarcar, julgar e decidir sobre terras a serem demarcadas para índios, num sistema de ditadura de ponta a ponta, num círculo fechado totalmente irregular ao nosso ordenamento jurídico.

Portanto, em 2012 resolvemos criar a ONGDIP, pois individualmente não era mais possível enfrentar forças organizadas como o MST e, no nosso caso, os movimentos que manipulam os índios. Como os invasores vêm atuando sempre em nome de uma coletividade e as instituições que deveriam nos defender não nos defendem, resolvemos formar também nossa coletividade. Afinal, nunca havíamos tido esbulho de terras aqui, conforme atesta a cadeia dominial.

Pelos anos de 1990, o governo de Fernando Henrique exigiu que fosse feita a cadeia dominial de nossas terras, em razão de estarem localizadas na faixa de fronteira, a qual vai até Cascavel inclusive. O georreferenciamento vem sendo feito. Aliás, hoje é obrigatório fazê-lo em propriedades acima de 100 hectares, exigida apenas no caso de transferência de propriedade, de nova titulação. Como se trata de uma operação cara, as pessoas vão fazendo na medida de suas necessidades.

Catolicismo — O senhor poderia enumerar quais foram as principais atividades da ONGDIP que atualmente preside?

Roberto Weber — Promovemos conferências, edições de material didático dizendo sempre a verdade, com fundamentada documentação e dados de bibliográficos seguros, pois não inventamos nada. Trata-se, com efeito, de uma luta árdua, porque o invasor — cito o caso de nossa propriedade — alegou para a Juíza que o pai dele havia passado por lá, pois vivia no Mato Grosso, e chamou àquelas matas e àquelas águas de vitiporã, escolhendo por isso aquele local, cuja terra passou a ser dele. E a juíza acatou aquilo como real.

Em outra invasão, o cacique alegou ter escolhido aquelas terras porque tinha sonhado que o espírito dele vivia lá... Então veja, nós com toda a documentação, com toda a cadeia dominial, pagando os impostos em dia, estamos lutando para provar que a terra nos pertence, e as autoridades competentes não vêm aceitando nossas provas.

“Aceitam alegações orais feitas pelos invasores. Para nós não valem os documentos apresentados. Portanto, ocorre uma luta injusta e desigual, sem dúvida muito difícil”

Em contrapartida aceitam alegações orais desse tipo, feitas pelos invasores. Para os índios vale uma declaração oral, para nós não valem os documentos apresentados. Portanto, ocorre uma luta injusta e desigual, sem dúvida muito difícil. A justiça brasileira vem atualmente desrespeitando a Constituição. Hoje ela está muito à esquerda, e creio que cerca de 90% dos juízes, promotores e procuradores federais têm cultura de esquerda e procuram aplicar uma ditadura esquerdista contra nós, produtores rurais.

(continua)

LEGENDAS:
- A ponte Ayrton Sena sobre o rio Paraná liga os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.



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