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CAPA

Ameaças de cisma na Igreja e balbúrdia universal

Luis Dufaur

O ano do centenário de Fátima, em que muitos ansiavam pelo triunfo de Nossa Senhora, terminou justificando ainda mais fortemente as razões dos castigos prenunciados em 1917, que culminarão na vitória do Imaculado Coração de Maria.

O ano de 2016 se encerrou envolto em situações que pareciam impossíveis de acontecer, mas que aconteceram. Nos Estados Unidos, após desmentir todos os vaticínios midiáticos, o símbolo do direitismo radical assumiu a presidência, mas teve sua vitória maculada pelo arqui-inimigo russo, que teria interferido no processo eleitoral.

A vitória de Donald Trump coroou, em âmbito mundial, uma sucessão de progressos da chamada “extrema-direita” ou dos “ultraconservadores”. A esquerda chorou a perda de seu amado símbolo Fidel Castro e os recordes de impopularidade do presidente socialista francês François Hollande. Na América Latina, enquanto o ditador Nicolás Maduro ficava cada vez mais isolado, frustrado e violento, seus mais altos colaboradores brasileiros e argentinos se apresentavam em incômodas cadeiras dos respectivos Judiciários. No Chile, a socialista Michelle Bachelet bateu recordes de impopularidade; no Equador, Rafael Correa nem voltou a se candidatar; no Peru, o segundo turno ficou entre candidatos da direita; e na Bolívia, Evo Morales viajou a Cuba para se tratar, antes de vir ao Brasil.

Trump anunciava medidas diametralmente opostas às de seu predecessor, como a de recusar o Acordo ambientalista de Paris; de reverter a reforma da saúde de Obama; de reforçar órgãos e normas antiterroristas; de vetar imigrantes islâmicos e latinos; de cortar o favorecimento econômico da China comunista; de restaurar o embargo de Cuba; de revogar o uso indiscriminado de toaletes pelos transgêneros; de extinguir o Estado Islâmico; de cortar verbas destinadas ao aborto e à agenda LGBT; de tirar os EUA da UNESCO; de cortar os impostos, e assim por diante.

Em julho, o presidente americano, logo após ordenar o maciço bombardeio de uma base sírio-russa que abrigava armas químicas, fez em Varsóvia seu primeiro grande discurso de política internacional. Ali ele elogiou a defesa da civilização, rememorou a épica resistência católica polonesa contra a invasão comunista de 1920 e nas décadas da opressão soviética, convocou todos para a defesa da cultura, da família e da Fé. O ministro de Defesa da Polônia sublinhou que o discurso fora o reconhecimento dos valores da civilização cristã e ocidental que “todos iremos defender, lado a lado” (1).

Múltiplas rachaduras nos EUA

As divisões nos EUA foram exacerbadas pelas esquerdas após a investidura de Trump. A polêmica sobre contatos de membros de sua equipe com agentes russos degenerou numa balbúrdia. Os EUA tinham sido anestesiados pela mentira de que o “comunismo morreu”, e as direitas mais patrióticas ficaram enlameadas com acusações de conexões suspeitas com as redes secretas do Kremlin. A polêmica degenerou em “guerra” (2) aberta entre a mídia e o novo presidente, que proibiu cinco grandes jornais e TVs de participar de entrevistas na Casa Branca (3).

Foi como se um maestro de orquestra oculto ordenasse com sua batuta uma grande finale aos fautores da fratura nos EUA, um país que em linhas muito gerais constitui a pilastra da ordem ocidental, democrática, de liberdade econômica e ordem social. E a discórdia que no século XIX fez eclodir a Guerra Civil entre o Norte e o Sul reviveu num dia de confrontos com mortos e feridos em Charlottesville, Virgínia (4).

Na versão midiática, tratou-se do maior embate entre “supremacistas brancos”, nostálgicos do regime sulista, e herdeiros dos escravos que se manifestavam contra a estátua do general Lee, líder dos confederados. A mídia aprofundou o atrito apontando o Ku Klux

(continua)



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