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(continuação)

um funcionário da Prefeitura ter aplicado a lei federal a uma pessoa sem documento e violado assim o tabu de “cidade-santuário” (27). O estado do Texas, pelo contrário, proibiu suas cidades de se tornarem “cidades-santuário”, que não aplicam as leis federais sobre a imigração (28).

A ordem se fragmenta no mundo

A tendência à fragmentação política, social, legal e cultural deu fortes sinais no Brasil. A Secretaria de Segurança do Rio revelou que bandos armados dominavam 843 territórios, nos quais a Constituição Federal não é levada em conta. Os “territórios controlados ilegalmente” incluem favelas, conjuntos habitacionais, imóveis específicos e até partes de bairros (29).

A virtual evaporação da ordem legal foi ressaltada pelo 11º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o qual mostra que entre 2010 e 2016 o latrocínio subiu 57,8% no País, chegando a 2,5 mil registros ou sete casos por dia. O cômputo só não inclui o número ainda maior de roubos, porque muitas vítimas não apresentam denúncia às delegacias (30). Mais doloroso foi o recorde de homicídios no Brasil em 2016: 61.619 mortes, aumento anual de 4,7%, ou sete homicídios por hora, segundo o Fórum (31).

Na Venezuela, os bispos imploraram a intercessão do Papa Francisco junto ao ditador Nicolás Maduro [foto] — por quem nutre simpatias —, para fazer cessar a perseguição religiosa e a miséria no povo venezuelano, que procura alimento nas lixeiras, que não encontra remédios nas farmácias ou gasolina nos postos, que foge pelas fronteiras, sofre repressão assassina, e padece como vítima de um “genocídio” material e moral (32).

A única resposta do Soberano Pontífice da Igreja foi uma nota, qualificada de o “pior papelão diplomático de seus mais de quatro anos de pontificado” (33). José Palmar, pároco em Maracaibo, invocou os católicos mortos e presos, e disse: “É lamentável o mutismo de Francisco sobre a realidade totalitária, ditatorial e violenta do regime. O que ele falou foi como se tivesse dito a Lázaro: Não vais ressuscitar, ficarás aí, podre na cova” (34). Ao fazer uma apologia do Pontífice, o presidente-ditador venezuelano declarou que havia uma “campanha internacional” urdida contra ele pelos “poderes do mundo” (35).

O “Wall Street Journal” sintetizou: “Quando o Papa Francisco quer que sua mensagem chegue àqueles que ele desaprova, nunca lhe faltam palavras, sobretudo em se tratando dos EUA. Mas quando se trata da brutalidade do governo venezuelano contra o seu próprio povo, o Papa e o Vaticano preferiram silenciar o nome de Nicolás Maduro.”

Na Colômbia, a guerrilha marxista-leninista das FARC lançou um partido político, cujo logo com os símbolos tradicionais do comunismo obteve licença para projetar na fachada da Catedral de Bogotá, na iminência da visita de Francisco (36). Não espanta que escritores como George Neumayr tenham apontado a influência das ideias comunistas sobre o Pontífice, que declarou ter “conhecido muitos marxistas que são boas pessoas”, e que a bandeira do marxismo em favor dos pobres no fundo é cristã (37).

O Pontífice afastou a ideia — tão natural — de visitar a Argentina, seu país natal, de cujo presidente em exercício não esconde sua antipatia por ter derrotado em eleições democráticas o nacionalismo socialista representado pelos Kirchner. Também descumpriu sua promessa de visitar o Brasil por ocasião do terceiro centenário de Nossa Senhora Aparecida. (38).

China e Rússia: ditaduras que se solidificam

Uma tendência totalitária oposta ao esfarelamento das nações e das grandes organizações foi assegurada pelos dois países que aspiram subjugar o Ocidente: a China e a Rússia. Em Pequim, o Partido Comunista Chinês, reunido em seu XIX Congresso, reforçou a ditadura comunista na pessoa do presidente Xi Jinping, equiparado a Mao Tsé-tung — portanto, a um semideus do materialismo —, além de inscrever seu nome e seus ensinamentos na constituição do partido (39). Também ratificou o objetivo do marxismo oriental: estabelecer a hegemonia mundial chinesa, usando a economia como arma de conquista. Enquanto isso, no Ocidente, alguns símbolos do mundo a ser conquistado — como a revista “The Economist”, por exemplo —, saudaram o “mais recente imperador da China”, (40) e também prestaram homenagem ao “novo czar da Rússia” antes mesmo de Putin se apresentar à eleição e ser empossado, como era previsto.

Putin organizou uma desbotada comemoração oficial do centenário da Revolução bolchevique de 1917 da mesma forma como seu predecessor mais admirado, Josef Stalin, fechou em 1943 a Internacional Comunista (Komintern) e suprimiu A internacional como hino da URSS visando ser admitido na coalizão que venceria a II Guerra Mundial iniciada por ele juntamente com seu aliado Adolf Hitler.

Com o país quebrado, o exército esvaziado de soldados e com equipamentos em grande parte antiquados, o projeto russo de conquista universal mudou. Putin aplicou o melhor de seus recursos na guerra psicológica, ou da informação (41). A ingerência geral dessa guerra não impediu a diplomacia vaticana de procurar em Moscou um grande e fundamental aliado.

Em agosto, o cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado e “número dois” do Pontífice, efetuou uma emblemática viagem à Rússia, onde se encontrou com o patriarca Kirill — com quem Francisco estabelecera profundos vínculos em Havana —, e principalmente com o “czar” Putin [foto] e seu chanceler, Serguei Lavrov (42). Os católicos russos, que gemem sob as ameaças, arbitrariedades e injustiças legais do Kremlin, viram com espanto o enviado do Vaticano como que lhes dar as costas enquanto estreitava calorosamente as mãos de seus perseguidores (43).

Esses católicos pediram que fossem lembrados os 442 sacerdotes e os 900 religiosos e leigos mortos por ódio à fé. “Os sofrimentos nas prisões soviéticas e nos campos de trabalho continuam sendo um problema para toda a sociedade”, disse Dom Igor Kovalevsky, secretário-geral da Conferência Episcopal russa (44). Os católicos temem pela própria sobrevivência, ameaçada pela convergência Moscou-Vaticano (45). Também padecem os católicos ucranianos, vendo o Vaticano favorecer o invasor do Leste mediante concessões, sorrisos e presentes.

Com fé e perseverança, o cardeal Joseph Zen advertiu ao longo do ano sobre a “estratégia equivocada” do Vaticano em relação ao comunismo chinês. “Como pode dar a iniciativa da escolha dos bispos a um governo ateu? O governo não mudou. É incrível! A Conferência Episcopal chinesa é um embuste. Não posso acreditar que a Santa Sé não saiba disso. Ela se reúne quando convocada pelo governo, este dá as ordens, e ela obedece. É uma fraude. [...] são ateus comunistas. Querem destruir a Igreja” (46).

Em agosto, a aproximação Pequim-Santa Sé levou uma “ducha de água fria” com a publicação no Vaticano de um elenco dos 75 bispos mortos na China desde 2004, após padecerem anos e décadas de prisão, trabalhos forçados, “campos de reeducação”, prisão domiciliar e assédio policial. No XIX Congresso do PC chinês, o novo “semideus” comunista deixou bem claro que deseja a “chinização” da Igreja Católica, separando-a de Roma e tornando-a escrava do socialismo (47).

(continua)



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