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(continuação)

Confiança em grau heroico – o exemplo de Santa Bernadette

Santa Bernadette Soubirous se recolheu no convento Saint Gildard de Nevers, onde faleceu consumida por uma doença pulmonar contraída nos dias frios passados no cachot. Em 17 de dezembro de 1876, escreveu uma carta ao Bem-aventurado Papa Pio IX, e foi levada deste mundo dois anos depois. Pio IX também faleceu não muito depois, em 7 de fevereiro de 1878, em meio a grandes sofrimentos provocados pela invasão e usurpação revolucionária dos Estados Pontifícios, dos quais o Papa é rei. Naquela invasão brilharam pelo seu heroísmo os zuavos pontifícios (tropa de elite de voluntários do Papa), muitos dos quais morreram em combate defendendo o reino temporal da Igreja. A eles se refere Santa Bernadette, quando afirma na carta: “Há alguns anos eu me constituí em um pequeno zuavo”. Seu coração estava junto àqueles bravos que deram a vida pelo Papa no campo de batalha, e a devastação da doença não lhe tirava a esperança de combater pela Igreja com santo ardor. O fulcro de seu pensamento e de seus desejos estava posto no triunfo da Igreja contra seus inimigos.

Na carta a Pio IX, Santa Bernadette inclui uma frase de conteúdo profético, que faz pensar em La Salette e em Fátima: [Nossa Senhora] “se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice”. Para ela, Nossa Senhora havia se revelado inaugurando um fluxo imenso de milagres ao curar incontáveis doentes e almas aflitas. A santa nada pedia para si, mas pela vitória da Santa Igreja e do Papa, cuja grandeza heroica foi reconhecida e confirmada por sua elevação aos altares. E pedia com a certeza de que a vitória seria da Igreja e da civilização cristã.

Sofrimento: sinal dos predestinados

A grande maioria das almas tem necessidade do sofrimento para a salvação eterna, a exemplo de Nosso Senhor e Sua Santa Mãe no alto do Calvário. De modo paradoxal, as doenças são auxiliares poderosas da santificação, e é mesmo por meio delas e das provações espirituais que a pessoa se santifica. Não compreende nada sobre os desígnios de Deus, quem não compreende o papel do sofrimento para operar nas almas o desapego, o amor de Deus e a regeneração. É por esta forma que as almas se santificam.

São Francisco de Sales chegou a afirmar que o sofrimento corresponde a um 8º sacramento. Plinio Corrêa de Oliveira lembrava sempre esta verdade que tantos não desejam enfrentar, e também a exemplificava com um fato que lhe foi narrado pelo Cardeal Pedro Segura y Sáenz (1880-1957). O Papa Pio XI se ufanava de nunca ter ficado doente. Mas o Cardeal Segura não temia dizer as verdades, e comentou:

— Então Vossa Santidade não tem o sinal dos predestinados.

Pio XI ficou um tanto sobressaltado, por isso o Cardeal acrescentou:

— Não há predestinado que não adoeça gravemente, que não sofra muito, pelo menos em determinado período da vida. Se Vossa Santidade nunca teve problema de saúde, não teve o sinal dos predestinados.

Dias depois, Pio XI sofreu fortíssimo enfarte. Mal se restabeleceu, enviou um bilhete ao Cardeal, comunicando que já tinha o “sinal de predestinado”. O Cardeal conservou o bilhete como uma piedosa lembrança.

Em alguns casos, para certos efeitos que Deus conhece, convém eliminar o sofrimento, mas normalmente não convém. De maneira que a imensa maioria das pessoas que vão a Lourdes voltam sem ter sido curadas. Nossa Senhora é sumamente misericordiosa, mas sabe que é indispensável o sofrimento para a salvação das almas, e agiria contra o interesse da salvação das almas se eliminasse as doenças de todas as pessoas.

Há certa interpretação da Religião voltada apenas a pedir favores materiais, e que desdenha os favores espirituais. Assim, há pessoas que apenas se impressionam com as curas materiais operadas em Lourdes, mas não se impressionam com os favores espirituais, as graças para as almas que visitam o santuário de Lourdes. As curas de Lourdes ocorrem porque Nossa Senhora tem pena dos que sofrem. Entretanto, muito mais do que a cura corporal, Ela deseja conceder favores espirituais para o incremento da fé e a salvação das almas.

A própria Santa Bernadette sofreu muitíssimo, sem fugir da terrível doença que a consumia dia a dia! Através desse sofrimento, ela provavelmente mereceu de Nossa Senhora a cura de muitos peregrinos em Lourdes, sem que a cura dela estivesse nos planos de Nossa Senhora.

Nossa Senhora jamais abandona quem quer que seja

Plinio Corrêa de Oliveira sempre insistia que não é admissível supor que Nossa Senhora nos abandone, sobretudo quando as situações são complicadas. É preciso confiar, pois Ela nos acompanha sempre. Devemos nos habituar a enfrentar a adversidade com esse espírito de fé, e ao mesmo tempo a conviver com a esperança do milagre. Lourdes nos ensina que o milagre é fato frequente, mas é preciso conservar a calma motivada pela confiança.

Nosso Senhor Jesus Cristo, na agonia no Horto das Oliveiras, foi o exemplo perfeito de alma tranquila e confiante. Ele chegou a suar sangue, diante da dor que se aproximava com a Crucifixão, mas permaneceu tranquilo. Segundo o Evangelho, Ele começou a ter tédio e pavor, e a ficar triste (Mc 14, 33. Mt 26, 37). Daí seu pedido filial ao Padre Eterno: Meu Pai, se for possível, afaste-se de mim este cálice (Mt 26, 39). Mas depois acrescentou: Faça-se a vossa vontade, e não a minha.

Depois de 160 anos da retumbante manifestação de Nossa Senhora em Lourdes, o mundo se agita em espantosa intranquilidade, porque abandonou o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, de sua Santíssima Mãe e de seus santos. A grande e admirável Santa Bernadette Soubirous nos deu o maravilhoso exemplo de acatar sempre o exemplo do Divino Salvador.

LEGENDAS:
- Santa Bernadette no convento de Nevers.
- Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. Ressaltada a imagem da Imaculada Conceição na gruta.



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