(continuação)

explora degradando tudo e não é responsabilizada nem cobrada por ninguém. Sabe-se que o uso inadequado da terra, a poluição e a má utilização de defensivos agrícolas estão conduzindo a China a perder quase 500.000 km² (o equivalente ao estado de Minas Gerais), devido à desertificação de seu território. Não nos consta que os “ecoterroristas” se importam com isso... Em sentido contrário, o Ministro da Agricultura Blairo Maggi demonstrou em recente artigo que o Brasil é de longe o país que mais preserva e mais produz no mundo, utilizando apenas 9% do seu território para agricultura, 16% para pastagens, e ainda preserva 61% de matas nativas. Segundo ele, o imobilizado mantido pelos proprietários nas reservas legais e APPs alcança um total de mais de R$ 3 trilhões. Os leitores podem imaginar o que isso significa, comparando esse quadro com o que aconteceria se cada residência fosse obrigada a deixar desocupados 20%, 35% ou até 80% de seus espaços... para “preservação imobiliária ambiental”! Os agropecuaristas são obrigados a fazer exatamente isso em suas propriedades, e os ataques contra eles não cessam.

c) Também os movimentos dos sem-teto, sem-terra, índios e quilombolas reiniciaram as agitações. No Mato Grosso do Sul, 126 fazendas continuam invadidas. Em Guaíra e Terra Roxa (Paraná), 18 propriedades grandes, médias e pequenas foram invadidas por índios, e até um “latifúndio” de dois hectares, onde vivia há mais de 50 anos um casal hoje nonagenário, foi tomado pelos índios sob os olhos complacentes das autoridades. Em Correntina (Bahia), uma invasão provocou prejuízos calculados em R$ 60 milhões à empresa proprietária da maior fazenda produtora de cebola do Brasil. Além de legumes e tubérculos, hordas de bandidos destruíram os pivôs de irrigação, tratores e depósitos. ONGs internacionais voltaram a agir a todo vapor, com o slogan Farm here and forest there — algo como “preservem suas florestas lá para termos aqui nossas fazendas”. É urgente recebermos a resposta: Quando voltaremos a ter segurança jurídica no Brasil?

d) Houve uma rebelião em setores da Justiça do Trabalho contra a Reforma Trabalhista. A intelligentsia e a esquerda católica armaram um clamor contra o decreto que definia o trabalho em condições semelhantes à escravidão. Sem essa definição, a matéria continuaria ao arbítrio dos fiscais. O Ministro Gilmar Mendes chegou a ironizar o caso, dizendo que executa jornadas exaustivas de trabalho, pois o seu expediente no STF soma-se ao do TSE. Aqui este assunto está sob a artilharia de muitos — mídia, Justiça trabalhista, ONGs, esquerda católica. No entanto, depoimentos de várias pessoas que foram trabalhar no Japão relatam trabalho de até 16 horas por dia. Os dados sobre a China são herméticos, e não se sabe ao certo quantas horas o operário chinês seja obrigado a trabalhar em troca de seu mísero salário mínimo.

Se tais mazelas cessarem, o céu será o limite para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, que entre Brasil e exterior já alimenta quase um bilhão e meio de pessoas. Este número pode ainda se multiplicar, pois nosso planeta tem quase oito bilhões de habitantes. Mas pouco ou nada se avançará, se ONGs, movimentos sociais, outras mazelas e o próprio governo não nos deixarem trabalhar com tranquilidade.

LEGENDAS:
- Sr. Geraldo Claro e Da. Mercedes Lucisani G. Claro, de Guaíra, tiveram invadida sua propriedade, de apenas dois hectares. Foram espoliados e quase mortos pelos índios.

SOS FAMÍLIA

Discutindo sobre Ideologia de Gênero

Paulo Henrique Américo de Araujo

Era uma sexta-feira. À distância já se percebia a feição mal-humorada da professora. Com passo apressado e decidido, vinha ela percorrendo os corredores daquele colégio de ensino médio, num subúrbio da cidade. Segurava na mão direita um pequeno folheto impresso, que agitava com movimentos convulsivos. Dois alunos observavam a cena, e já previam que a professora caminharia até eles, que tinham distribuído na escola uma centena daqueles folhetos. Tratava-se de um pequeno manifesto contra a Ideologia de Gênero nas escolas, publicado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira1. Bastante conciso, o impresso fornecia argumentos rápidos e diretos, e ao final remetia o leitor a uma petição ao Presidente da República, repudiando tal ideologia.

Um dos jovens comentou, enquanto ela se aproximava:

— Acho que ela não gostou.

Márcia, a professora, conhecia os dois rapazes e foi direto ao ponto:

— Davi e Leonardo, eu peguei este “folhetinho” de vocês na sala dos professores. Ele não é científico. Só traz argumentos religiosos, não tem valor acadêmico!

Após pequena pausa, e vendo que os estudantes não replicavam, embora demonstrassem surpresa, ela prosseguiu, reprimindo um tanto o nervosismo do primeiro momento:

— Olhem... se eu soubesse que meu filho de seis anos optou por ser uma menina, não haveria problema nenhum para mim. Eu apoiaria. Além disso, seu folheto é muito radical, vocês precisam respeitar os outros.

— Profa. Márcia...

Leonardo tentara replicar, mas a atitude impositiva da outra não lhe deixava margem para prosseguir, enquanto ela se expandia em tom taxativo:

— O que vocês estão fazendo não adianta nada! A Ideologia de Gênero vai entrar de um jeito ou de outro. Quem é contra está perdendo seu

(continua)