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(continuação)

e a subsequente comunhão são sacrílegas.

Escândalo e confusão causados nos fiéis

Além do mais, trata-se de uma violação manifesta do cânon 915, que proíbe a distribuição da comunhão a pessoas que "obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto", como é o caso dos divorciados recasados incontinentes. Aliás, a concessão da comunhão a tais pecadores públicos nem precisaria ser feita "em surdina", como sugeriu o Bispo ao vigário do consulente, pois o n° 9 dos Critérios dos Bispos de Buenos Aires afirma apenas que "pode ser conveniente que um eventual acesso aos sacramentos seja realizado de maneira reservada". Isso indicaria não ser necessária a reserva, apesar do escândalo e da confusão que a publicidade do fato criaria nos fiéis, fazendo-os crer que não há mais diferença entre união legítima e adultério.

Pior ainda. Segundo os tais critérios, é a comunidade que precisa ser acompanhada, "para que cresça em um espírito de compreensão e de acolhida". Ou seja, quem deve converter-se não é o casal que vive em uma situação objetiva de escândalo, mas sim a comunidade eclesial, que deve tornar-se capaz de não mais "escandalizar-se"...

Caminha-se para a "normalização" do adultério público

A frase final desse mesmo item 9 exorta a evitar "criar confusões no ensino da Igreja sobre o matrimônio indissolúvel". Bem ao contrário, o monge beneditino Dom Giulio Meiattini — professor na Faculdade Teológica da Puglia e no Pontifício Ateneu Santo Anselmo, de Roma — ponderou acertadamente:

"Se a praxe admite que aquele que vive numa união objetiva de adultério pode aceder coram populo à comunhão eucarística, sem sequer um gesto prévio e eclesialmente reconhecido de arrependimento por um pecado público, a indissolubilidade e a unicidade do matrimônio cristão viram um simples fantasma. Porque o que conta é aquilo que se faz, não aquilo que se diz! E a força dos comportamentos está precisamente na sua capacidade de conformar e de plasmar o pensar, o sentir e o viver.

"Neste caso, a realidade é de fato mais importante do que a ideia. E a realidade é que no pensar e no sentir comum instaurar-se-á sem demora a equiparação prática entre regular e irregular, entre matrimônio indissolúvel e matrimônio 'dissolúvel'. Deixará de haver um indicador visível para distinguir, diante da comunidade, os cônjuges fiéis que se aproximam da comunhão daqueles casais adúlteros que fazem o mesmo. E, nessa aclimatação sem 'desacordos', desaparecerá necessariamente a reação escandalizada, ou seja, o escândalo psicológico; e afirmar-se-á o escândalo objetivo: a percepção da normalidade do adultério público".

Grave risco para a fé nos frutos da Redenção

Mas ainda há mais. Com o acesso de casais civilmente recasados à Sagrada Comunhão, o que corre o risco de esmorecer não é somente a adesão à indissolubilidade do matrimônio e ao seu caráter monogâmico, mas também corre esse risco a fé dos assistentes na imperiosidade dos Mandamentos de Deus, na santidade da Igreja, no valor infinito da Redenção e no poder onipotente do Espírito Santo.

Em uma recente conferência em Sydney, o teólogo capuchinho Frei Thomas G. Weinandy, professor emérito em Oxford e na Universidade Gregoriana, e ainda membro da Comissão Teológica Internacional, confirmou que a concessão da comunhão aos divorciados civilmente recasados terá como consequência uma deformação das consciências, posto que os Mandamentos de Deus serão vistos pelos fiéis não mais "como normas morais absolutas que nunca podem ser violadas", mas como meros "ideais morais, como objetivos que podem ser alcançados ao longo de um período de tempo, ou que nunca podem ser alcançados na vida de alguém". E explicou que Amoris lætitia representa, acima de tudo, um desafio para os quatro atributos que distinguem a verdadeira Igreja de Cristo: una, santa, católica e apostólica.

No que se refere ao desafio à santidade da Igreja, e em particular à santidade da Eucaristia, Frei Weinandy declarou que essa prática de dar a Sagrada Comunhão àqueles que persistem em pecado manifesto, e de fazê-lo em nome da misericórdia, não somente equivale a "diminuir o mal do pecado grave, que pode acarretar a condenação eterna", mas tende a "obscurecer a grandeza e o poder do Espírito Santo". Na realidade, essa prática pastoral "implicitamente reconhece que o pecado continua a governar a humanidade, apesar da obra redentora de Jesus e da unção do Espírito Santo sobre todos os que creem e são batizados; Jesus não é realmente o Salvador e o Senhor, mas Satanás continua a reinar".

Mais ainda: "Está-se também insultando essas pessoas em estado de pecado mortal, pois sutilmente se está dizendo que elas são tão pecadoras, que nem mesmo o Espírito Santo é suficientemente poderoso para mudar suas vidas de pecado e torná-las santas. Elas seriam intrinsecamente 'não-salváveis'. Na prática, o que em definitivo está sendo proposto é a confissão de que a Igreja de Jesus Cristo não é realmente santa, e que por isso é incapaz de santificar realmente seus membros".

Obrigação de preservar a integridade da fé

Esses são os males incomensuráveis de dar publicamente a Sagrada Comunhão a divorciados recasados

(continua)

Legendas:
- Uma absolvição sem arrependimento nem propósito de emenda é nula, e o pecado permanece. Por isso a absolvição e a subsequente comunhão são sacrílegas.
- Frei Thomas G. Weinandy sublinhou que a concessão da comunhão aos divorciados civilmente recasados terá como consequência o reconhecimento implícito de que "o pecado continua a governar a humanidade, apesar da obra redentora de Jesus e da unção do Espírito Santo".



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