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VIDAS DE SANTOS

Santa Juliana de Cornillon, Virgem

Plinio Maria Solimeo

Promotora da devoção pública ao Santíssimo Sacramento, dedicou seus esforços para que fosse estabelecida uma festa em honra do Homem-Deus sacramentado.

Pelo ano 1000, quando foi vencida a heresia de Berengário, que negava a transubstanciação, avivou-se a piedade popular com relação à presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar. Para atender ao desejo dos fiéis, foi introduzida na Missa a elevação da Hóstia logo depois da Consagração, para ser adorada. A piedade popular medieval denominava essa cerimônia "elevar a Deus". Pouco depois, pelo mesmo motivo, foi também introduzida a elevação do cálice com o Precioso Sangue.

No fim do século XII, em 1193, nasceu em Rettines, junto a Liège (Bélgica), Santa Juliana de Cornillon, que se tornaria a apóstola do Santíssimo Sacramento do altar. Ficou órfã aos cinco anos, sendo levada com sua irmã de seis anos ao convento de Monte Cornillon para serem educadas. Lá foram confiadas à direção de Soror Sapiência, que lhes ensinou os rudimentos da doutrina e iniciou-as na virtude, até que Juliana se fez religiosa aos 16 anos.

Esse convento, que acolhia os doentes atingidos pela lepra, seguia a Regra de Santo Agostinho e se compunha de dois edifícios, um para as irmãs e outro para os irmãos, obedecendo a um prior geral.

Grande progresso na virtude e nas ciências

Em pouco tempo ela já lia as obras dos Padres da Igreja em língua latina, em particular Santo Agostinho e São Bernardo. Dotada de inteligência extraordinária, fez rápidos progressos nas ciências e na virtude, adquirindo desde logo um pendor especial para a contemplação. Frequentemente meditava sobre as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28, 20), cultivando assim sua vocação eucarística.

A par disso, entregava-se ao jejum e às austeridades, numa vida marcada pela penitência. Além de seu profundo amor ao mistério da Eucaristia, Juliana tinha também ardente amor à Santíssima Virgem e à Sagrada Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Missão de instituir a festa do Santíssimo Sacramento

Em 1206 ela recebeu o véu, devotando-se a partir daí aos doentes no hospital do convento. Quando tinha 14 ou 16 anos, conforme seu biógrafo, teve uma visão na qual via a lua em seu esplendor, mas com uma faixa escura que a atravessava de lado a lado. Não compreendeu o que isso significava, e pediu muito a Nosso Senhor que lhe explicasse o sentido do que vira. O Salvador lhe disse que a lua simbolizava a vida da Igreja sobre a Terra, e a faixa opaca significava a ausência de uma festa litúrgica dedicada ao Santíssimo Sacramento, que deveria aumentar a fé dos fiéis nesse augusto Sacramento e fazê-los avançar na prática das virtudes. Seria também para reparar as ofensas cometidas contra esse Sacramento de Amor. E por esses motivos, Juliana deveria trabalhar com todas as suas forças pela instituição dessa festa.

No entanto, em sua humildade ela não se julgava apta para tão grande responsabilidade, e levou praticamente 20 anos sem tomar nenhuma iniciativa a respeito. Nesse meio tempo ela se tornou priora do mosteiro, mas conservou em segredo a revelação.

Instituição da solenidade de Corpus Christi na diocese

Enfim Juliana confiou seu segredo a outras duas fervorosas adoradoras da Eucaristia — a futura Santa Eva de Liège e Isabela. As três almas eleitas se empenharam então para que fosse realizado o desejo de Nosso Senhor.

Para isso Juliana abriu-se com João de Lausanne, cônego de São Martinho de Liège, a quem pediu que procurasse a opinião de homens eminentes com os quais tinha contato. Tudo foi submetido e exposto então a Tiago Pantaleão, arquidiácono da igreja de Tréveris e depois Papa Urbano IV; a Hugo de São Caro, prior provincial da Ordem dos Frades Pregadores e posteriormente cardeal; a Guyar, bispo de Cambrai; ao chanceler da Universidade de Paris; aos irmãos Egídio, João e Renaud, professores de teologia.

A opinião unânime foi a de que "nada na lei divina

(continua)

Legenda: A santa tem a visão da Festa de Corpus Christi (vitral da igreja de São João Batista, em Nova York).



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