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Na China, perseguição implacável aos católicos e guerra declarada à Igreja

A matéria que segue foi publicada em Catolicismo há 60 anos, e seu autor faleceu no ano retrasado. É atualíssima, pois vêm recrudescendo as perseguições aos católicos chineses que oferecem resistência às imposições ditatoriais do governo de Pequim. Resistência heroica, e por vezes dolorida, porém muito menos que a resistência à política de aproximação do Vaticano com o regime comunista, objeto da denúncia feita pelo Cardeal Joseph Zen Ze-kiun. Referindo-se à Ostpolitik do Papa Francisco em relação à China comunista, o Cardeal Zen perguntou: "Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?"

Comunismo na China: "Infiltrar todas as instituições da Igreja"

Sérgio Brotero Lefèvre

(Catolicismo, N° 92, agosto de 1958)

O triunfo da revolução bolchevista na Rússia, em 1917, marcou o início de um novo período da história contemporânea, não só daquele país, mas de toda a humanidade, e especialmente da Igreja Católica. Vitoriosos, os chefes soviéticos adotaram desde logo uma posição nitidamente contrária a toda e qualquer religião, procurando difundir o ateísmo e o materialismo por todos os meios ao seu alcance, e principalmente pela força da ditadura que acabavam de impor ao povo russo. A Igreja foi sendo obrigada a arrostar nas mais diversas frentes um novo adversário, ao mesmo tempo brutal e cheio de artimanhas. Nunca, em seus dois mil anos de existência, teve o Catolicismo que enfrentar um inimigo tão ardiloso e dotado de tal poder.

Veremos neste artigo o que foi e está sendo a guerra do comunismo contra a Igreja na China, talvez a mais diabolicamente inteligente que sofre a Esposa de Cristo no atual momento.

Nacionalismo exacerbado, arma do comunismo

Em sua obra tantas vezes elogiada, "O Comunismo e a Igreja Católica – O Livro Vermelho da Perseguição", Albert Gaiter afirma que, entre todas as perseguições a que têm sido submetidos os católicos nos países de obediência marxista, pode-se citar a chinesa "como exemplo", por seus processos metódicos, por sua técnica refinada e pelos resultados obtidos. O despertar do sentimento nacionalista exacerbado ofereceu ali aos comunistas meios de ação com que não contavam seus comparsas de outras regiões. O nacionalismo chinês, em suas relações com a religião, foi estudado pelo "Osservatore Romano" em 30 de janeiro de 1955;

(continua)



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