Catolicismo - Acervo
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(continuação)

e mais recentemente, em 14 de março desse ano, em artigos longos e bem documentados.

Em 1920 o marxismo-leninismo se introduziu na China, por meio de agentes pagos pela Rússia. Em 30 anos conseguiu ele impor sua ditadura a meio bilhão de almas, aproveitando-se da situação caótica da política interna do país e das perturbações internacionais, que desde antes da última guerra mundial têm ocorrido no Extremo Oriente.

Fundado em Xangai em 1921, sob a chefia de Mao Tsé-Tung, o Partido Comunista Chinês recebeu um auxílio valioso da missão de técnicos e militares russos que se encontrava no país havia um ano. Desde logo, o espantalho da guerra sino-japonesa foi um instrumento precioso nas mãos dos bolchevistas nascidos na China, ansiosos por dominar inteiramente sua pátria. Sob pretexto de combater o inimigo externo, fundaram um Estado independente — o Yenan, ao norte da China. Divulgando o slogan "um chinês não combate outro chinês, quando japoneses estão dentro de suas muralhas", conseguiram que o chefe do governo legal, Chang Kai-Chek, fosse preso pelos seus próprios generais, sob acusação de entendimentos com o inimigo. Como preço de seu resgate, obtiveram plena liberdade de ação para o Partido, e o compromisso de Chang de responder pelas armas ao primeiro ataque japonês que houvesse.

Os japoneses atacaram em 1937, obrigando o governo nacionalista, por força desse acordo, a entrar em uma guerra longa e dura, para a qual a China não estava preparada, e que a debilitou material e moralmente. Os comunistas conseguiram consolidar seu regime nas regiões do norte, graças a um plano bem concebido, pelo qual suas forças nunca enfrentavam abertamente o inimigo. Essas guerrilhas lhes permitiram, sem muito esforço e sem maiores perigos, sovietizar o território por eles ocupado e manter em reserva tropas descansadas. Por outro lado, durante a segunda guerra mundial os aliados fizeram pressão sobre Chang Kai-Chek para aceitar a colaboração dos comunistas no alto comando, conferindo assim ao movimento vermelho um caráter legal em toda a China.

O fim das hostilidades em 1945, com a ocupação russa da Manchúria e Coréia do Norte, trouxe novo e poderoso auxílio para os planos revolucionários de Mao Tsé-Tung, beneficiando seus dois milhões de soldados com o armamento japonês e com intensa ajuda russa. O exército nacionalista, esgotado e desfalcado, entrou então em luta com os comunistas pela posse do território chinês. Em outubro de 1949, depois de quatro anos de guerra civil, os bolchevistas dominavam toda a China continental e proclamaram em Pequim a República Popular Chinesa.

As fases preliminares da perseguição

Os católicos eram uma minoria no país (quatro milhões, no total de 463.500.000 habitantes), mas minoria ativa e organizada, com 20 Arquidioceses, 85 Dioceses e 39 Prefeituras Apostólicas. Os Prelados chineses eram 27; e dos 5.637 Padres que ali labutavam, 2.557 eram chineses natos. Sua Santidade o Papa Pio XII, reconhecendo a importância dessa Cristandade, conferiu o chapéu cardinalício ao Arcebispo de Pequim em 1946.

Antes de 1945, a atitude dos comunistas chineses para com as missões católicas já era de perseguição aberta, se bem que localizada e muito desordenada. Nos territórios submetidos ao jugo bolchevista houve igrejas incendiadas, ocuparam-se edifícios de escolas e de instituições de caridade católicas, missionários foram perseguidos e alguns assassinados. Muitos fiéis foram presos, sendo exigidas pesadas somas para seu resgate. Em 1934, no II Congresso Nacional dos Sovietes da China, Mao Tsé-Tung declarava: "Nos territórios soviéticos chineses, os Padres católicos e os pastores protestantes foram expulsos pela massa popular. As propriedades confiscadas aos missionários imperialistas foram devolvidas ao seu legítimo proprietário: o povo. As escolas missionárias foram transformadas em escolas soviéticas".

Os dirigentes do Partido mostravam-se mais interessados em fatos do que em manifestações espetaculares. Metodicamente e quase em silêncio, sabendo o que queriam, realizaram uma grande obra de destruição. De modo geral, a luta contra a Fé obedeceu às seguintes fases, estudadas de antemão e executadas em perfeita ordem:

1) "Liberdade e tolerância" religiosas, de acordo com o artigo 88 da Constituição da República Popular;

2) "Luta contra as superstições": campanha violenta, oral e escrita, contra a religião, apresentada como um dos maiores males da sociedade humana;

3) Exploração, entre outros, dos velhos temas da completa liberdade de consciência e do direito de todos professarem qualquer religião;

4) "Campanha de reeducação", cujo fim era criar progressivamente um "novo homem";

5) "Oposição ativa", destinada a paralisar totalmente o apostolado dos missionários;

6) Organização da "ação popular" ou tribunais populares: em cada cidade o Bispo, os Sacerdotes, as religiosas e os leigos de destaque são presos e julgados sem direito de defesa.

Movimento da tríplice autonomia

Conquistado o poder, os comunistas proclamaram a liberdade geral e cessaram momentaneamente a perseguição aberta e declarada. Mas, pela lei sobre atividades contra-revolucionárias, publicada em fins de 1950, o governo teve armas "legais" para uma luta mais intensa contra a Igreja e os católicos. Em nome da defesa dos princípios e das instituições marxistas, o Clero foi isolado do povo e posto sob vigilância, sendo-lhe recusada a liberdade de locomoção pelo país. Começou-se também, em alguns lugares, a proibir as cerimônias religiosas, como perda de tempo prejudicial à produção nacional. A lei sobre atividades contra-revolucionárias serviu ainda de pretexto para o fechamento de todos os jornais e revistas católicos.

Depois de uma violenta campanha contra o Vaticano — atendendo aos "desejos ardentes" e "espontâneos" da cristandade chinesa — o governo lançou o "Movimento da Tríplice Independência" ou da "Tríplice Autonomia". No dia 7 de janeiro de 1951, o primeiro-ministro Chu En-Lai convidou 40 líderes católicos para uma reunião em Pequim. Nessa ocasião foram trocados pontos de vista sobre a reforma do Catolicismo. O Movimento exigia, para a Igreja chinesa, autonomia de governo, autonomia econômica e autonomia de expansão:

• Autonomia de governo – Para os comunistas de Chu En-Lai, a Igreja nacional, administrada por chineses, deve libertar-se das tradições ocidentais e criar uma nova hierarquia, uma nova legislação e uma nova liturgia.

• Autonomia econômica – A Igreja na China não deve receber nenhum subsídio do exterior, dado que o governo se encarrega de suprir suas necessidades.

• Autonomia de expansão – Os próprios chineses devem propagar sua religião. Não deve haver mais missionários estrangeiros; os temas das pregações têm que ser adaptados à mentalidade nacional e às condições da "nova China"; é necessário estabelecer uma nova teologia, em conformidade com a ideologia professada pelo governo. A Agência Nova China proclamava em 14 de janeiro de 1951: "Os cristãos chineses devem descobrir os tesouros do Evangelho por si e para si. Devem libertar-se da teologia ocidental e criar um novo sistema teológico, adaptado à

(continua)



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