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O drama dos católicos fiéis: "O Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China"

Luis Dufaur

O acordo entre a Santa Sé e Pequim é o modelo do novo relacionamento do Vaticano com governos de esquerda no mundo inteiro: Rússia, Ucrânia, América Latina, entre outros.

Em outubro de 2017, diplomatas vaticanos tentaram convencer bispos instituídos canonicamente pela Santa Sé a entregarem suas dioceses a bispos ilegítimos, submissos ao Partido Comunista Chinês. Dom Pedro Zhuang Jianjian, de Shantou (Guangdong), foi convidado por carta a entregar sua diocese a um bispo excomungado. Mas se recusou, declarando: "Aceito levar a cruz por desobedecer".

Em dezembro, Dom Zhuang foi retirado da sua diocese no sul do país e escoltado até Pequim, limitando-se a polícia a informar que "um prelado estrangeiro" o aguardava. Ficou "sob controle" — leia-se: preso. Apesar de sua idade avançada (88 anos), sua debilidade física e intenso frio em Pequim, foi-lhe negada assistência de um médico ou de um sacerdote.

Conduzido à sede da Associação Patriótica e do fictício Conselho dos Bispos da China — uma espécie de CNBB instituída pelo regime comunista —, Dom Zhuang foi interrogado pelos bispos ilegítimos Ma Yinglin, Shen Bin e Guo Jincai, presidente, vice-presidente e secretário-geral dessa "CNBB chinesa". Foi também levado perante três representantes da Administração Estatal de Assuntos Religiosos.

Não obtendo os resultados visados, os agentes o conduziram até onde se encontravam o "bispo estrangeiro" e três sacerdotes do Vaticano. O "bispo estrangeiro" era Mons. Claudio Maria Celli, encarregado pela diplomacia vaticana das negociações com o Partido Comunista. Este explicou que a Santa Sé deseja um acordo com o governo, mediante a entrega de dioceses aos designados por Pequim, e pediu a Dom Zhuang que entregasse sua Sé episcopal ao bispo ilegítimo José Huang Bingzhang, deputado no Parlamento (Assembleia Nacional do Povo). Dom Zhuang manteve sua recusa. Todas estas informações são de AsiaNews em 22-1-18.

Uma carta ao Papa Francisco

Enquanto Dom Zhuang era chantageado em Pequim, a delegação vaticana se deslocava até Fujian, no sul do país, para tentar convencer o legítimo bispo diocesano de Mindong, Dom José Guo Xijin, a permitir que sua diocese fosse ocupada por Vicente Zhan Silu, bispo ilegítimo a serviço do regime comunista. Dom José Guo havia passado quase um mês encarcerado antes da Semana Santa de 2017, tendo os agentes do governo feito de tudo para que ele assinasse um documento aceitando "voluntariamente" a imoral proposta.

Após a mencionada tentativa de outubro, o Cardeal Zen, arcebispo emérito de Hong Kong e figura de maior destaque do episcopado chinês, fez chegar a Dom Sávio Hon Taifai, responsável na Cúria Romana dos assuntos chineses, um relatório sobre os brutais fatos. Dom Sávio levou o caso ao Papa Francisco, que prometeu estudar o assunto. O próprio cardeal, em carta publicada por AsiaNews (29-1-18), descreveu as violências que sofrera.

Ficava assim a impressão de que a investida tenderia a arrefecer, mas em dezembro ocorreu a nova pressão policialesca que relatamos acima. Dom Zhuang, em lágrimas, pediu ao Cardeal Zen que levasse ao Papa um relatório, na esperança de que ele interviesse. O cardeal aceitou a incumbência, apesar de recear que o Pontífice pudesse não querer receber a correspondência do prelado resistente.

Doente e debilitado, o cardeal Zen, de 85 anos, viajou de Hong Kong a Roma para chegar na hora da audiência geral do Papa, no dia 10 de janeiro. Ingressou inesperadamente durante a cerimônia, ocupando o lugar reservado aos cardeais. Num momento dramático, pôs a carta nas mãos do Santo Padre, acrescentando que viajara só para isso, e esperava que o Pontífice consentisse em ler a carta.

O Vaticano não quer um novo "caso Mindszenty"

O cardeal ficou surpreso quando, no mesmo dia, o Papa Francisco mandou chamá-lo para uma audiência privada. Disse-lhe que havia lido a carta, e se explicou: "Eu falei para eles [seus colaboradores na Santa Sé] que não criem outro caso Mindszenty!". O próprio cardeal divulgou esses fatos na citada carta de 29 de

(continua)

Legendas:- Dom Lucas Li Jingfeng, Bispo de Fengxiang (Shaanxi), faleceu com 95 anos, após sofrer uma vida de perseguições.- Rezar em locais não autorizados pelo governo comunista passou a ser crime



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