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(continuação)

janeiro, e concluiu: "Ou se rende ou se aceita a perseguição. Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?". Perguntado se "acredita que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China", respondeu: "Sim, absolutamente". Segundo o jornal britânico "The Tablet" de 30-1-18, a sala de imprensa da Santa Sé reagiu de modo fora do comum e contradisse as palavras do Cardeal Zen.

Yi-Zheng Lian, professor na Universidade Yamanashi Gakuin, de Kofu (Japão), escreveu no "The New York Times" (8-2-18) que a política do Papa Francisco ante um governo ateu e comunista "não é inteiramente transparente". Para o "The Wall Street Journal" (2-2-18), a imagem do Pontífice como "defensor dos oprimidos" está ficando sem sentido, e acrescenta que ele não ajuda os ucranianos invadidos pela Rússia, dá as costas aos católicos chineses perseguidos e se alia aos seus algozes. Um grupo de intelectuais católicos influentes de Hong Kong lançou uma petição internacional, visando impedir o iníquo acordo entre a Santa Sé e Pequim (Hong Kong Free Press, 15-2-18).

Simultaneamente, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler das Pontifícias Academias de Ciências e Ciências Sociais, voltou da China afirmando que "os chineses são os que melhor aplicam a doutrina social da Igreja". O Dr. Samuel Gregg, professor de filosofia política e diretor de pesquisas do Acton Institute, comparou a atual diplomacia do Vaticano com a moda dos anos 20 e 30. E acentuou que nessa época intelectuais progressistas e esquerdistas voltavam de viagem à URSS comemorando com elogios a "primeira grande experiência do comunismo", enquanto a realidade era bem outra, com muitos milhões morrendo de fome. O escritor comentou as longas declarações de Dom Sánchez Sorondo (argentino muito próximo do Papa) como um sinal de que "a irrealidade e a incoerência reinam no Vaticano" (Law & Liberty, 8-2-18).

Uma nova Revolução Cultural

Em publicação no "The Catholic Herald" (31-8-17), o Pe. Alexander Lucie-Smith, doutor em moral e teologia, perguntou: "Como é possível que o Vaticano negocie com a China, que continua demolindo as igrejas?". A destruição sacrílega mais recente foi documentada em Yining, diocese de Urumqi, no noroeste do país. Cruzes, estátuas, torres dos sinos, relevos religiosos, cruzes do cemitério e do interior do templo, incluindo a Via Sacra — tudo isso foi destruído. Análogos atentados foram perpetrados contra as igrejas de Manas e Hutubi, na mesma diocese, segundo noticiou UCANews (1-3-18). Em Yining tudo foi destruído, enquanto as delegações chinesa e vaticana preparavam um "histórico acordo" para a nomeação dos bispos católicos pelo regime anticristão.

As profanações obedecem ao projeto do ditador Xi Jinping de "achinesar" a Igreja, submetendo-a às políticas do Partido Comunista, e ele o deixou bem claro no XIX Congresso do PC, em outubro de 2017: "A cultura [...] deve ser aproveitada para a causa do socialismo, de acordo com a orientação do marxismo". Acrescentou que a religião deve ter por isso uma "orientação chinesa" e se adaptar à sociedade socialista guiada pelo partido ("The Washington Post", 18-10-17). O ditador definiu "achinesar" como a obrigatoriedade de "aderir e desenvolver as teorias religiosas, mas com características chinesas". Um comentário se tem generalizado, enquanto se multiplicam esses episódios de perseguição religiosa: "É uma nova Revolução Cultural", batizada agora de "achinesar".

Perseguição religiosa e Igreja clandestina

Essa posição anticatólica de Xi Jinping deve ser avaliada não apenas como uma série de violências de caráter transitório, pois ele acaba de reformar a Constituição comunista, proclamando-se ditador sem prazo de mandato. Estaríamos assim diante de uma nova revolução cultural, cujas características não podem diferir muito do verdadeiro genocídio praticado por Mao Tsé-Tung. No campo religioso, tal revolução implicaria:

• Aplicar o princípio da "independência", significando ruptura com a Santa Sé;

• Adaptar a religião à sociedade socialista, transformando-a numa força de propulsão comunista;

• Resistir às "infiltrações religiosas do exterior", banindo os símbolos religiosos, os missionários e as Ordens religiosas vindos de fora.

Assim sendo, já se podem ver com antecipação exemplos do que acontecerá aos católicos chineses, com a nova orientação comunista:

• O Cruzeiro, símbolo da Redenção, é qualificado agora como "infiltração religiosa proveniente do exterior", e foi arrancado com satânico impulso na igreja de Yining;

• O princípio de "independência" proíbe rezar, inclusive no interior dos lares. Se a polícia encontrar duas pessoas rezando juntas em sua casa, vai prendê-las e obrigá-las a passar por uma "reeducação", que implica reclusão num campo de concentração.

• Hoje só está permitido o culto nas igrejas registradas na burocracia marxista, e nos horários fixados pelo governo. Um ato piedoso em outro lugar é tido como feito em "local ilegal" e sujeito a prisão, multas, e até expropriação do prédio.

• Nas residências particulares, toda conversa religiosa ou oração ficou proibida.

• Na porta das igrejas deve ser legível a proibição do ingresso aos "menores de 18 anos". Crianças e jovens não podem participar nos ritos, receber catequese, instrução religiosa nem preparação para os sacramentos, explicou o Pe. Bernardo Cervellera, diretor da agência AsiaNews (2-3-18), do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras.

Diplomacia vaticana favorecendo os carrascos

O Partido Comunista ficou como "guia ativo" das religiões. Sob a inspiração suprema de Xi Jinping, dependerá do PC a vida ou morte de qualquer entidade religiosa cristã, para o que não lhe faltará o apoio dos seus amigos do Vaticano, sempre tendentes à concessão. O controle ditatorial e asfixiante está sendo exercido através do medo. No passado recente, os católicos chineses já haviam enfrentado esse medo assassino e o venceram, mas desta vez a diplomacia vaticana se põe do lado dos carrascos.

Há um renascimento religioso na China. Mais de 80% da população tem religião, e pelo menos uma quinta parte dos membros do Partido Comunista pratica alguma delas em segredo. Incapaz de convencer o povo com as ideias comunistas, o regime recorre a medidas de força. Mas, sendo essas insuficientes, apela para eclesiásticos ligados de um modo ou de outro à "Teologia da Libertação". Disse um fiel de Urumqi à AsiaNews: "Estou muito triste pelo fato de o Vaticano se rebaixar ao fazer pactos com este governo. Agindo desse modo, ele se converte em cúmplice de quem quer a nossa aniquilação".

Legenda: Fotos da igreja católica de Xinjiang, antes e depois de ser profanada.



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