Catolicismo - Acervo
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POR QUE NOSSA SENHORA CHORA?

Queda relativa do número de católicos não é importante?

Paulo Henrique Américo de Araújo

Segundo opinião de um bispo, a resposta deve ser não. Mas é de suma importância, e motivo de preocupação, para os que verdadeiramente amam a Santa Igreja e o legado de Nosso Senhor Jesus Cristo

O número de fiéis, apesar de ser um dado estatístico secundário, não deixa de ter importância. Mas a força da Igreja Católica não reside no número de seus fiéis, e sim no fato de ser Ela o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, e também na sua capacidade de elevar as almas à santidade, vencendo a corrupção causada pelo pecado. Pequena no início, a Igreja expandiu-se pelo mundo inteiro a partir de apenas doze Apóstolos, crescendo de modo seguro e constante com o auxílio da graça de Deus e pela prática das virtudes sobrenaturais. Mostraremos a seguir algumas informações estatísticas, limitando os comentários a alguns dados comparativos.

Nos últimos 10 anos, a porcentagem de católicos tem aumentado mais do que a população mundial: 7,4% contra 1,5%. Esse crescimento vale para todos os continentes, exceto a Oceania. O número de católicos hoje é 1.285.000.000 (um bilhão e 285 milhões), o que equivale a 17,8% da população de todo o orbe.1

Em princípio, essas são boas notícias. Mas se compararmos os números relativos a outras religiões, os problemas começam a surgir. Em 2008, pela primeira vez na História, o islamismo ultrapassou o catolicismo em número de adeptos (19,2% contra 17,4%), e desde então o catolicismo deixou de ser a maior religião do mundo.2

Também no Brasil as cifras não deixam de ser preocupantes. Segundo pesquisa do Datafolha, em dezembro de 2017 apenas 50% dos brasileiros com mais de 16 anos se declararam católicos.3 Comparando esses dados com os de anos anteriores, vemos que a situação só tende a piorar. Em 1994, 75% se declaravam católicos no Brasil, e em 1960 esse número era de 94%. Ou seja, uma queda vertiginosa de quase 50 pontos percentuais em pouco mais de cinco décadas.

1960 94% de católicos
1994 75% de católicos
2017 50% de católicos

Essas cifras deveriam soar o alarme na cabeça dos bispos brasileiros, aqueles mesmos que possuem o mandado divino de guiar as ovelhas. Por que tantos católicos abandonam a Igreja? Que tipo de apostolado está faltando para evitar essas apostasias?

Infelizmente, essas perguntas parecem não ocupar lugar de destaque na mentalidade de certas figuras eclesiásticas no Brasil. Por exemplo, D. Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), relativiza o decrescimento do catolicismo no País. Em uma entrevista recente à "Folha de S. Paulo", afirma: "Mais importante que a porcentagem de católicos no Brasil, é quantas pessoas realmente buscam justiça e vivem o amor até as últimas consequências".4

Seria o caso de indagar do representante da CNBB como é possível praticar a justiça e o amor até as últimas consequências fora da religião verdadeira, isto é, sem ser autenticamente católico. De fato, se houvesse um afervoramento das convicções católicas, a diminuição no número de fiéis figuraria como de somenos importância. Mas tal não parece ser o caso. O mais provável é que as apostasias ocorram por falta de princípios firmes nos fiéis, o que pode originar-se da falta de doutrinação segura pelos legítimos pastores, além de outros motivos menos importantes.

A mesma notícia mencionada acima afirma que desde 2014 a porcentagem de protestantes no Brasil permanece estagnada em 30% da população. Contudo, mais da metade dos que hoje dizem aderir ao protestantismo foram criados como católicos. Por que tantas pessoas eram católicas na infância e desviam-se mais tarde para religiões falsas? Não haverá alguma falha, por exemplo, na formação das crianças nas catequeses? Ao fazerem a primeira comunhão, esses jovens têm real convicção do catolicismo?

Na mesma entrevista, D. Steiner diz: "A igreja não pode ceder aos que se distanciam do compromisso mais engajado de transformação social". Palavras que parecem refletir as ideias da malfadada "Teologia da Libertação", manipuladora da religião como instrumento para reivindicação de "direitos sociais" e luta de classes. Em outros termos, o velho e decrépito marxismo disfarçado de moralidade.

O povo em geral não quer luta de classes, nem marxismo camuflado de religião. Quer relações com Deus, princípios religiosos claros e seguros, formação moral, oração, mandamentos. Não estaria faltando exatamente transmitir aos católicos a noção de que a Igreja Católica é o Corpo Místico de Cristo, a única dispensadora dos sacramentos, fonte da graça, e que fora d'Ela não há salvação? Não é de estranhar, portanto, o fato de tantos procurarem igrejas que "falem de Jesus" e transmitam doutrina religiosa, mesmo que a forma e o conteúdo sejam errôneos.

Quantos abandonam o catolicismo por causa do tal "engajamento na transformação social"! Quantos se afastam da devoção a Nossa Senhora e se desviam para seitas que negam a importância dessa bondosa Mãe!

NOTAS:
1. https://www.ncronline.org/news/world/global-catholic-population-tops-128-billion-half-are-10-countries
2. http://www.foxnews.com/story/2008/03/30/vatican-islam-surpasses-roman-catholicism-as-world-largest-religion.html
3. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/12/1845218-luta-por-justica-e-mais-relevante-que-porcentagem-de-catolicos-diz-cnbb.shtml
4. Idem.



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