Catolicismo - Acervo
Busca Google dentro do Site:
« »
<<       Página       >>


(continuação)

chamou-o de “geena do fogo inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga” (Mc 9, 45-46); recomendou o temor de Deus, que “depois de tirar a vida, tem o poder para lançar no Inferno” (Lc 12, 5); mandou-nos temer “antes aquele que pode mandar para a perdição a alma e o corpo, na geena” (Mt 10, 28); acusou os escribas e fariseus de “correr o mar e a terra para fazer um prosélito, e depois de feito, torná-lo filho do Inferno, duas vezes mais do que vós” (Mt 23, 15); e depois de qualificá-los como “raça de víboras”, perguntou: “Como podereis escapar à condenação do inferno?” (Mt 23, 33).

A respeito do estado de castigo dos condenados no Inferno, Jesus disse ainda que “ali haverá choro e ranger de dentes” (Lc 13, 28); na parábola em que repreende o conviva que se apresentou sem o traje nupcial, mandou os servidores “atar os pés e mãos e lançá-lo fora nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22, 13 e 25, 30); referindo-se a Judas, lamentou diante de Deus o “filho da perdição” (Jo 17,12); mandou-nos entrar “pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçosa a via que leva à perdição” (Mt 7, 13); sobre o destino do rico glutão, afirma que ele se encontrava “no Inferno, imerso em tormentos” (Lc 16, 23). O Divino Salvador disse também que no Inferno os tormentos são desiguais: aquele que conscientemente desobedeceu “será açoitado com numerosos golpes”, mas aquele que, “ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis, será açoitado com poucos golpes” (Lc 12, 47-48); e sobre a cidade que recusar os que Ele enviou em missão, afirmou que “no dia do juízo haverá mais indulgência com Sodoma e Gomorra do que com aquela cidade” (Mt 10, 15).

Tribulação e angústia a quem pratica o mal

O ensinamento de São Paulo é claro e simples: “Cada um que comparecer diante do tribunal de Cristo receberá o que mereceu por tudo o que fez durante a vida, quer de bem, quer de mal” (2 Cor 5, 10). Os obstinados e de coração impenitente terão acumulado contra eles a ira “para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada qual segundo as suas obras” (Rom. 2, 5-6); “tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal” (Rom 2, 9). Jesus “descerá do Céu com os mensageiros do seu poder, entre chamas de fogo, para fazer justiça àqueles que não reconhecem a Deus”; e estes “sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da face do Senhor e da sua suprema glória” (2 Tess 1, 7-9).

Tanto a existência quanto a eternidade do Inferno são dogmas de fé. O IV Concílio de Latrão declarou que os maus “receberão o castigo eterno (pœnam perpetuam) com o diabo” (Denz.-Hün. 801) e o Concílio de Trento supõe que o castigo é eterno (pœna eterna) (S. 6 c. 25).

A pena de dano: privação da visão de Deus

Assim como no pecado mortal há uma motivação dupla — a aversão de Deus, nosso fim último, associada ao apego às criaturas —, assim também no Inferno há uma dupla pena: a primeira negativa, e a segunda positiva.

A primeira, principal e negativa, é a pena de dano, que consiste na privação eterna da visão de Deus: “Retirai-vos de mim, malditos!” (Mt. 25, 41), dirá o Senhor aos réprobos. Essa condenação é o maior tormento do Inferno, pois quanto maior é o valor do bem perdido, maior é a dor por sua perda. Afirma Santo Afonso Maria de Ligório que, tendo os réprobos perdido o Bem infinito, sua pena é de algum modo infinita. Os bramidos de Esaú por ter perdido a primogenitura (Gn 27, 34) são uma pálida imagem da raiva dos condenados pela perda da visão de Deus. Além do mais, os réprobos também estão excluídos do convívio com os bem-aventurados. Talvez os vejam, como o rico Epulão via o mendigo Lázaro da parábola (Lc 16, 19-31), não para seu gozo, mas para aumentar seu tormento. Em lugar desse convívio afetuoso, eles terão que conviver eternamente com os demônios e com os outros réprobos, que os odeiam e aumentam seus tormentos com todo tipo de agressões.

A pena do fogo

O jesuíta italiano Pe. Lucas Pinelli, do século XVI, comenta: “Assim como é verdadeiríssimo que a alma incorpórea se une ao corpo humano e lhe comunica a vida, mas como ocorre essa união ninguém pode sabê-lo, assim também é conforme à verdade que a alma unida com o fogo é queimada e atormentada por ele, ainda que se ignore o modo como isso se

(continua)

Legenda: O Juízo Final – O castigo do avarento (detalhe) – Jean Bellegambe (1520-1525). Gemäldegalerie, Berlim.



Advertência

Este texto, reconhecido pelo processo OCR, não passou por revisão e pode conter erros de digitação.
Sua transcrição parcial ou total está autorizada, desde que seja citada a fonte e o texto conferido com o da imagem original.

Agradecemos desde já reportar-nos erros de digitação, através do
Fale conosco


CRÉDITOS
© Copyright 1951 -

Editora Padre Belchior de Pontes Ltda.

Diretor
Paulo Corrêa de Brito Filho

Jornalista Responsável
Nelson Ramos Barreto
Registro na DRT/DF
sob o nº 3116

Administração
Rua Javaés, 681
1° Andar
Bairro Bom Retiro
CEP 01130-010
São Paulo- SP

SAC
(11) 3331 4522
(11) 3331-4790
(11) 2843-9487

Correspondência
Caixa Postal 707
CEP 01031-970
São Paulo-SP

E-mail:
catolicismo@terra.com.br

ISSN 0102-8502

 HOME 
 
TOPO
+ZOOM
-ZOOM
Home Page
HOME
Ir ao texto da matéria
TEXTO