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(continuação)

se tornaram compradores e comerciantes habituais da cocaína produzida pelas FARC, além de encarregados de introduzi-la nos Estados Unidos e na Europa.

Santrich espera em uma prisão de Bogotá sua muito provável extradição para os EUA. O outro implicado aceitou as acusações criminais que lhe foram imputadas, já foi trasladado pela DEA (Drug Enforcement Administration — Administração de Repressão às Drogas) e um juiz de Nova York esgrime contra ele grande quantidade de provas muito contundentes. Marín Arango aceitou tornar-se testemunha protegida (delação premiada) e já se ofereceu para delatar à Justiça norte-americana toda a trama dos narconegócios das FARC. Isso promete grandes revelações e não poucas surpresas. Entre elas, estariam os vínculos do governo de Nicolás Maduro com as FARC e com as rotas mundiais do narcotráfico, que passariam pela Venezuela e por Cuba, e implicariam funcionários do mais alto nível desses países.

Simultaneamente, a muitos milhares de quilômetros de distância, desatou-se na Noruega uma tormenta envolvendo os comitês que concedem os míticos prêmios Nobel. Pela primeira vez em sua história, vários de seus integrantes são acusados de receber subornos e filtrar informações, além de outras condutas inadequadas. Alguns de seus membros já foram obrigados a renunciar.

Mas o que tem isso a ver com o Processo de Paz da Colômbia? O leitor certamente se lembrará de que o Presidente Juan Manuel Santos, que se empenhou na liderança desse processo, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz tão logo os acordos foram concluídos. Ao que tudo indica, a paz não era o único objetivo, nem talvez o principal.

Surgiram na Noruega graves informações relacionadas com o comitê responsável pela outorga do Prêmio Nobel da Paz. Quem presidiu esse Comitê de 2015 a 2017 foi a ex-líder conservadora Kaci Kullman Five, falecida em 19-02-2017. Ministra de Estado de 1989 a 1990, em 1997 abandonou a política e dedicou-se à consultoria, tornando-se membro do Conselho da estatal petroleira norueguesa Statoil. Enquanto ela ocupava esse cargo, cumulativamente com o de presidente do Prêmio Nobel, a Statoil recebeu grandes negócios na Colômbia envolvendo a petroleira estatal colombiana Ecopetrol. O Presidente da Colômbia entregou vastas regiões do país à petroleira norueguesa para a exploração de petróleo, pouco antes de ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 2016.

Como se tudo isso já não fosse de enorme gravidade, outros fatos escandalosos surgiram recentemente. Durante os primeiros dias de abril deste ano, a primeira-ministra norueguesa Erna Solberg, em visita oficial a Bogotá, denunciou juntamente com os embaixadores da Suécia e da Noruega a existência de manuseios obscuros dos fundos doados por ambas as nações para o Processo de Paz, num total de 200 milhões de euros (cerca de 800 milhões de reais). Ante a gravidade da denúncia, o Presidente Santos respondeu indignado, afirmando que o manuseio desse dinheiro havia sido “transparente”.

Uma primeira auditoria desses fundos, realizada pelo Ministério Público, revelou os mais comprometedores resultados, envolvendo elevado número de funcionários do governo da Colômbia em atos inaceitáveis de corrupção. As evidências apontam que os contratos assinados para realizar as obras financiadas pela Comunidade Europeia, no âmbito dos Acordos de Paz, teriam tido superfaturamentos enormes e fraudulentos. Menos de duas semanas depois, a diretora do organismo responsável pelo gerenciamento desses recursos foi destituída de modo fulminante, acusada de gravíssimas irregularidades.

Para completar o quadro, já de si muito obscuro, descobriu-se que a escolha dos contratantes para administrar todo esse dinheiro era coordenada pelo próprio Marlon Marín, preso juntamente com o comandante Santrich enquanto negociavam a venda de dez toneladas de cocaína. Os beneficiários dos contratos faziam parte de uma rede de cooperadores e testas-de-ferro das FARC, além de alguns políticos amigos do governo.

Em meio à imensa nuvem de confusão levantada por este conjunto de acontecimentos, a realidade é muito diferente do que se pretende mostrar fora da Colômbia. As FARC continuam sendo o maior cartel de drogas do mundo, e não há sequer indícios de que tenham deixado essa atividade. Ao longo dos cinco anos de duração do Processo de Paz, os cultivos de coca sob o seu controle passaram de 70 mil hectares para os 200 mil hectares atuais. Enquanto isso, a famigerada organização guerrilheira zombava de todos, aproveitando-se do próprio Acordo de Paz para receber total impunidade, “lavar” sua fortuna ilegal e ainda receber gratuitamente dez cadeiras no Congresso da Colômbia, onde poderá “legislar” a partir do próximo dia 20 de julho.

Como se isso não bastasse, as FARC continuam traumatizando vastas regiões da Colômbia com sua luta armada, cujos tentáculos já se estendem ao Equador e à Venezuela. Durante as negociações de paz, a propaganda governamental afirmava que as negociações conduziriam a Colômbia à paz, e os ingênuos argumentavam ser melhor ter as FARC no Congresso do que matando gente inocente na selva. Esta é a resposta que elas dão ao governo e aos ingênuos.

A farsa gigantesca montada pelo governo assegurou de fato às FARC a mais absoluta impunidade dos seus numerosos crimes e abriu caminho para legalizar seus milionários recursos desonestos, produto do narcotráfico. Se não houver uma reviravolta em todo esse processo, de agora em diante elas estarão no Congresso, ditando leis; e também nas selvas e cidades, matando gente e produzindo cocaína. No conjunto, o terreno está agora livre para a Colômbia ser conduzida nas sendas da Venezuela, rumo ao comunismo e à miséria. Diria Churchill: “Perdestes a honra, e não tereis a paz”.

Fora da Colômbia, e não dentro dela, tudo prossegue prestigiado pela auréola brilhante produzida pelo Nobel da Paz...

O autor é o Diretor da Sociedad Colombiana Tradición y Acción

Legendas:
- A primeira-ministra norueguesa Erna Solberg, em visita oficial a Bogotá. Na foto com o presidente Santos.
- Marlon Marín, preso juntamente com o “comandante” Santrich enquanto negociavam a venda de dez toneladas de cocaína para os cartéis mexicanos
- Fora da Colômbia, e não dentro dela, tudo prossegue prestigiado pela auréola brilhante produzida pelo Nobel da Paz...



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