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(continuação)

Os Anciãos, o corpo legislativo durante o Diretório. Nela prevaleciam os jacobinos (os revolucionários mais radicais), por isso os sacerdotes retornados do exílio tiveram que esconder-se para não serem obrigados a jurar “ódio à monarquia”, e sobretudo “fidelidade à República revolucionária”.

Novamente a santa fugiu, para não prestar esse juramento. Esteve escondida durante quase um ano, em companhia de sua madrinha. Um dia apareceu-lhe o Menino Jesus, olhando-a com afabilidade para encorajá-la. Sucedeu então que um dos membros mais destacados do comitê revolucionário de Sancey (provavelmente seu próprio irmão), com remorso pela perseguição que havia feito a ela e à sua madrinha, obteve-lhe um certificado de residência, acompanhado de uma declaração de que ela não era “emigrada nos termos da lei”, o que seria considerado crime.

Os princípios da nova Congregação

Santa Joana pôde então voltar a Besançon, onde em 1799 abriu finalmente uma escola gratuita para crianças. Estabeleceu também a “sopa dos pobres”. No ano seguinte, quatro jovens se uniram a ela. Joana escreveu um esboço de constituição, segundo o que se lembrava da regra estabelecida por São Vicente de Paulo para as Filhas da Caridade, e com ele formou suas religiosas para o cuidado dos doentes.

Quando Napoleão se tornou cônsul vitalício, assinou em 1801 uma concordata com a Santa Sé, na qual permitia o restabelecimento do culto católico em todo o país. O corso não foi movido a conceder essa liberdade por simpatizar com a Igreja, mas por um cálculo político inteligentemente diabólico: preferia ter na França um clero numeroso e frouxo, ao invés de um clero minoritário, mas heroico e resistente à Revolução.

Com essa concordata, as obras de beneficência em Besançon passaram para a tutela do novo bispo, não “juramentado”, que assim se tornou superior das novas Irmãs da Caridade. Aumentando as vocações, Joana pôde abrir outra casa em Dole. Em 1802, tomaram posse do hospital de Bellevaux, “para que cessasse de ser um ‘covil’, uma ‘cloaca’, uma ‘antecâmara do inferno”. Tal foi o sucesso da santa em sua reorganização, que o prefeito lhe confiou também o Hospital Militar.

Perseguições, reconhecimento e triunfo

Vieram em seguida as perseguições, companheiras inseparáveis da santidade. Alguns sacerdotes invejosos a acusaram de “querer assenhorear-se de todo o sistema hospitalar de Besançon”. Propunham ao governo que seu instituto fosse unido ao das Filhas da Caridade reorganizadas em Paris, e não uma congregação independente. No entanto o Arcebispo de Besançon, Dom Claude Lecoz, aprovou as constituições apresentadas pela religiosa e empenhou-se para que o governo reconhecesse a nova congregação, o que se deu em 1810.

Nesse mesmo ano Napoleão escolheu para Rei de Nápoles e Sicília seu cunhado, o general Murat; e por indicação de Leticia, mãe de Napoleão, foram as religiosas de Santa Joana Antida encarregadas de cuidar dos pobres de seu Estado. Ela se estabeleceu assim no mosteiro de Regina Cœli, e posteriormente suas religiosas passaram a cuidar também do hospital Santa Maria dos Incuráveis. Como a fama das irmãs atraía muitas pretendentes, foi possível abrir um noviciado para a Itália.

Apesar da divisão, ânimo forte da santa

Contudo, a situação não estava tranquila em Besançon. Falecera Dom Lecoz, protetor da Madre, sucedido por um bispo de ideias galicanas. Além disso, a suplente deixada por Joana queria emancipar a Casa Mãe de Besançon em relação ao resto da Congregação. Santa Joana achou conveniente voltar à França para tratar pessoalmente do assunto, mas seu confessor lhe sugeriu que antes disso pedisse ao Papa Pio VII a aprovação do Instituto, para lhe assegurar unidade e estabilidade. A constituição foi aprovada em 1819, com algumas pequenas alterações, tendo em vista a expansão da Congregação por outros países da Europa.

O novo Arcebispo de Besançon queria que a Congregação permanecesse exclusivamente diocesana e dependesse exclusivamente dele, por isso não aceitava as casas da Itália. Usou como pretexto o fato de a constituição primitiva ter sido modificada, o que considerava inaceitável, e nisso foi coadjuvado pela suplente. Além disso, chegou a afirmar que não estava disposto a receber Joana, nem sequer por um dia, na casa que ela mesma havia fundado. Durante seis anos Joana tentou voltar, para aplainar os problemas. Apesar de ter ela o apoio da Santa Sé, o arcebispo não cedeu.

Santa Joana enviou uma circular a todas as casas da Congregação, animando as religiosas a aceitarem a Constituição aprovada pela Santa Sé. Nela dizia: “Eu sou filha da Igreja. Sede-o também vós comigo”. Na França, de nada adiantou. Pelo contrário, o arcebispo fez eleger outra superiora geral, e continuou proibindo a santa de ir lá.

Joana permaneceu em Paris. Não contente, o arcebispo escreveu ao Núncio Apostólico: “Creio que a Irmã Thouret não possui nem a virtude nem a qualidade que convêm a uma Superiora, e nem sequer as que são necessárias a uma religiosa”. O Núncio informou à Madre que em Besançon não se obedecia mais à Santa Sé, e a aconselhou a tentar ser recebida na casa-mãe, no seu caminho de retorno a Nápoles. Ela o fez durante oito dias, em 1823, mas suas filhas lhe fecharam as portas.

Em Nápoles, o médico lhe havia recomendado repouso por causa da diabetes. Mas havia na Itália 130 casas fiéis para cuidar, e seu moto era: “Para a frente sempre, e só por Deus”.

Faleceu no dia 24 de agosto de 1826. Pio XI a beatificou em 1926 e a canonizou em 1934. Sua festa é celebrada pela Igreja no dia 23 de maio. Em 1957 as irmãs de Besançon voltaram finalmente a se reunir ao restante da Congregação, a qual se chama hoje Filhas da Caridade de Santa Joana Antida.

Notas:

1. Este artigo fundamenta-se no livro do Pe. Guido Pettinati SSP, I Santi canonizzati del giorno, vol. 8, Udine: ed. Segno, 1991, pp. 262-270. http://www.edizionisegno.it/. Quando não é citada outra fonte, trata-se desta obra.

2. Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, tomo II, p. 128.

3. Rosalie Thouret, Manuscript, LD 540. In Irmã Maria Clara Rogatti, A experiência viva de Santa Joana Antida Thouret, in Vincentiana, November-December 2007.

Legendas:
- Basílica de Santa Joana Antida Thouret, em Sancey-le-Long
- Relíquias da Santa



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