Catolicismo - Acervo
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(continuação)

mundo. A infantilização das mentes era proposta como método revolucionário para alcançar a igualdade.

Em resumo, pregavam a derrubada da família, da propriedade, das tradições, das instituições, das nações e das fronteiras, da moral, das hierarquias, das classes sociais, e até da razão e da lógica.

É PROIBIDO PROIBIR

Os slogans da Sorbonne

Numerosos slogans contendo algum espírito e muita maldade, pichados nos muros da Sorbonne e de outras universidades, dão bem a medida do que queriam alcançar com sua revolta:

  • É proibido proibir
  • A imaginação no poder
  • Todo poder é um abuso
  • As hierarquias são como as estantes: quanto mais altas menos servem
  • Se quiseres ser feliz, enforca o teu proprietário
  • Desfrute sem limites
  • Gozar aqui e agora
  • Invente novas perversões sexuais
  • A chateação é contrarrevolucionária
  • Nem Senhor nem Deus. Deus sou eu
  • Mesmo se Deus existisse, seria preciso suprimi-lo
  • A mercadoria é o ópio do povo
  • A preguiça é um direito
  • Nunca trabalheis
  • Você também pode voar
  • Seja realista, exija o impossível
  • Todo ensinante é ensinado, todo ensinado é ensinante
  • Tudo que é discutível deve ser discutido
  • O respeito se perde, não vá atrás dele
  • A política se faz na rua
  • A mais bonita escultura é o paralelepípedo que lançamos na cara da polícia
  • Abramos as portas dos manicômios, das prisões e demais faculdades.

Uma profunda transformação da sociedade

Nas semanas e meses que se seguiram aos levantes e às greves, aparentemente a vida voltou ao normal, e o movimento revolucionário parecia momentaneamente ter fracassado. Na realidade, uma profunda revolução psicológica e cultural foi se desenvolvendo até hoje, transformando completamente a sociedade.

Para medir essa transformação, basta considerar a que ponto chegamos em termos de destruição da família, com a implantação do divórcio, do aborto, do “casamento” homossexual, da Ideologia de Gênero, além da invasão da pornografia que hoje está ao alcance inclusive das crianças.

As elites tradicionais estão desaparecidas da vida da sociedade, tentando apenas sobreviver no seu canto sem chamar a atenção. Foram substituídas por falsas elites, o jet-set. Qualquer pessoa que ocupe um posto hierárquico, seja na economia, na política, ou mesmo na Igreja, faz questão de se apresentar como um homem qualquer, comum, mesmo se para isso tiver que rebaixar a dignidade do seu cargo.

Os países ocidentais caminham com celeridade rumo a uma sociedade sem classes. A noção de herança, de bens de família cuja propriedade se transmite como um patrimônio precioso, tornou-se uma noção rejeitada por quase todos, mesmo quando se imaginam contrários ao comunismo.

A civilização da imagem, comandada pelo turbilhão midiático que não deixa um minuto para a reflexão e a análise — internet, redes sociais, smartfones, televisão — são todos filhos da mentalidade de Maio de 68. Uma de suas consequências é a decadência da linguagem, e portanto do pensamento e do raciocínio, com a incapacidade para a abstração e o pensamento doutrinário. Eis o campo ideal para uma nova forma de coletivismo. Não mais o coletivismo dos meios de produção, mas o coletivismo dos meios de informação e formação da opinião, que se resume a um pensamento único. Tudo isso não deixa de ter semelhanças com o “modelo” tribalista, mas de tribos superconectadas, proposto por alguns a partir da Revolução de 1968. O avanço do feminismo, do trans-humanismo, do animalismo, do papel que se deseja dar à “inteligência” artificial, tudo caminha de acordo com a ideologia de Maio 68.

Mudança de mentalidade do católico “comum”

O leitor de Catolicismo não é um católico “comum”, cela va sans dire (nem precisaria dizer). Por isso mesmo entende sem dificuldades que, para medir a quanto estamos nessa destruição dramática do que foi outrora uma sociedade fundada nos princípios católicos, precisamos tentar medir até que ponto o conjunto dos católicos convencionais, “comuns”, se deixou levar por essas mudanças no seu modo de pensar e de agir. Quanto perdemos ou abandonamos, sem praticamente nos darmos conta? Até onde chegamos na aceitação dessa nova mentalidade? Qual a diferença entre o católico de hoje e aquele de 50 anos atrás?

Para apalpar essa realidade, vejamos o quadro psicológico dos católicos antes de 1968. Nessa época, o que prevalecia era ainda a “Igreja constantiniana”, sobre a qual diremos algumas palavras. Nos três primeiros séculos do cristianismo, a Igreja Católica viveu a maior parte do tempo perseguida e nas catacumbas. Em 313, o Imperador romano Constantino deu-lhe liberdade pelo Edito de Milão. A Igreja passou então a influenciar a fundo as instituições e toda a vida da sociedade temporal, nascendo dessa influência a civilização cristã. Uma socióloga francesa definiu o papel da Igreja, durante os séculos seguintes, como “matriz de civilização”. Com altos e baixos, essa influência modeladora da Igreja sobre as sociedades em que os católicos são preponderantes se manteve até os anos 1960.

O católico “constantiniano” dos anos 1960

Independentemente de sua prática religiosa e de sua piedade maior ou menor — ou seja, independentemente de sua vida espiritual — o católico “constantiniano” dos anos 60 mantinha um apreço essencial ao fato de que o espírito católico rege profundamente a vida da sociedade. Estava um passo atrás, digamos, em relação à moda em vigor. Embora pessoalmente nem sempre seguisse todos os Mandamentos, recusava o amor livre e queria que as normas da moral católica fossem as normas da sociedade, não frequentava socialmente quem as violasse abertamente. Era contra o divórcio, e uma prova cabal disso é a campanha de abaixo-assinado que a TFP brasileira realizou em

(continua na página 32)

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Quadro cronológico da revolução da Sorbonne

Legendas:
- Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung
- “Primavera de Praga”
- Barricadas nas ruas de Paris
- Greve geral em toda a França
- Manifestação de apoio a De Gaulle lota os Champs-Elysées.



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