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(continuação)

mão de todos os meios, a cada passo lhe é necessário dispor de um fator específico para levar insensivelmente cada grupo social, e até cada homem, a se aproximar do comunismo, por pouco que seja: nas convicções religiosas, políticas, sociais e econômicas, nas impostações culturais, nas preferências artísticas, nos modos de ser e de agir em família, na profissão, na sociedade.

Revolução cultural a serviço do comunismo

Para Plinio Corrêa de Oliveira, é muito importante não esquecer que essa revolução cultural está a serviço do comunismo, e faz nascer desde já, em muitos dos seus aspectos, a IV Revolução. Essa explosão — visível para todos na Sorbonne, e que se desenvolve de tantos modos diversos até nossos dias — não é um fenômeno independente do grande processo revolucionário multissecular, mas é antes a sua continuação direta:

Como é bem sabido, nem Marx nem a generalidade dos seus mais notórios sequazes, tanto ‘ortodoxos’ como ‘heterodoxos’, viram na ditadura do proletariado a etapa terminal do processo revolucionário. Ela não é, segundo eles, senão o aspecto mais quintessenciado e dinâmico da Revolução universal. Na mitologia evolucionista, inerente ao pensamento de Marx e seus seguidores, a Revolução não terá termo. Assim como a evolução, ela se desenvolverá ao infinito no suceder dos séculos, [da mesma forma que] da I Revolução já nasceram duas outras. A terceira gerará mais uma, e daí por diante.

Não é impossível prever como será a IV Revolução, e os próprios marxistas já o fizeram. Ela deverá ser a derrocada da ditadura do proletariado, em consequência de uma nova crise, por força da qual o Estado hipertrofiado será vítima de sua própria hipertrofia. E desaparecerá, dando origem a um estado de coisas cientificista e cooperativista, no qual o homem terá alcançado um grau de liberdade, igualdade e fraternidade até aqui insuspeitável.

O estruturalismo e o tribalismo

Plinio Corrêa de Oliveira cogita em seguida qual poderá ser, nesse nascimento da IV Revolução, o papel das correntes ideológicas estruturalistas que promovem o tribalismo como modelo. A hipótese que levanta adquire hoje relevo ainda maior, quando conjugada com a revolução cibernética, em marcha rumo a uma nova forma de coletivismo. Teríamos então uma revolução tribalista cibernética, levando o homem para a utopia igualitária por meio de uma guerra psicológica e tendencial:

O estruturalismo vê na vida tribal uma síntese ilusória entre o auge da liberdade individual e do coletivismo consentido, na qual este último acaba por devorar a liberdade. Segundo tal coletivismo, os vários ‘eus’ ou as pessoas individuais — com sua inteligência, sua vontade e sua sensibilidade, e consequentemente com seus modos de ser característicos e conflitantes — se fundem e se dissolvem na personalidade coletiva da tribo geradora de um pensar, de um querer, de um estilo de ser densamente comuns.

Bem entendido, o caminho rumo a este estado de coisas tribal tem de passar pela extinção dos velhos padrões de reflexão, volição e sensibilidade individuais, gradualmente substituídos por modos de pensamento, deliberação e sensibilidade cada vez mais coletivos. É neste campo, portanto, que principalmente a transformação se deve dar. De que forma?

Nas tribos, a coesão entre os membros é assegurada sobretudo por um comum pensar e sentir, do qual decorrem hábitos comuns e um comum querer. A razão individual fica circunscrita a quase nada, isto é, aos primeiros e mais elementares movimentos que seu estado atrofiado lhe consente. ‘Pensamento selvagem’, pensamento que não pensa e se volta apenas para o concreto.

O tribalismo na educação e nos costumes

Outras manifestações dessas tendências pré-tribais tiveram seu ponto de partida em maio de 1968 na Sorbonne. As que tinham nascido antes se aceleraram muito a partir de então:

As tradições indumentárias do Ocidente, corroídas cada vez mais pelo nudismo, tendem obviamente para o aparecimento ou consolidação de hábitos nos quais se tolerará, quando muito, a cintura de penas usada por certas tribos. Onde o frio o exija, seriam alternadas com coberturas mais ou menos à maneira das usadas pelos lapões.

O desaparecimento rápido das fórmulas de cortesia só pode ter como ponto final a simplicidade absoluta do trato tribal.

(continua)

Legendas:
- A grife italiana Gucci se inspirou na revolução estudantil de Maio de 68 para sua coleção de inverno de 2018. Como se vê na foto, mais atual do que nunca.
-No mundo todo, o vício de “caçar” Pokémon levou milhões de pessoas às ruas, reflexo de uma revolução tribalista cibernética em andamento.



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