Catolicismo - Acervo
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(continuação)

A crescente ojeriza a tudo quanto é raciocinado, estruturado e metodizado só pode conduzir, em seus últimos paroxismos, à perpétua e fantasiosa vagabundagem da vida das selvas, alternada também com o desempenho instintivo e quase mecânico de algumas atividades absolutamente indispensáveis à vida.

A aversão ao esforço intelectual — notadamente à abstração, à teorização, ao pensamento doutrinário — só pode induzir, em última análise, a uma hipertrofia dos sentidos e da imaginação; a essa ‘civilização da imagem’, para a qual Paulo VI julgou dever advertir a humanidade.

Tendências igualitárias na estrutura eclesiástica

Para o autor de Revolução e Contra-Revolução, são especialmente importantes nesse panorama as profundas transformações que atingem os católicos nos seus modos de pensar e de sentir. No centro dessas transformações se encontra a tendência igualitária a suprimir a separação essencial entre a Sagrada Hierarquia — que ensina, dirige e santifica — e o povo fiel que é ensinado, dirigido e santificado. A consequência última seria o abandono da convicção de uma verdade e uma moral absolutas em proveito de opiniões e modos de sentir flutuantes e circunstanciais:

Também a esfera espiritual, a IV Revolução quer reduzi-la ao tribalismo. E o modo de fazê-lo já se pode bem notar nas correntes de teólogos e canonistas que visam transformar a nobre e óssea rigidez da estrutura eclesiástica — como Nosso Senhor Jesus Cristo a instituiu, e vinte séculos de vida religiosa a modelaram magnificamente — num tecido cartilaginoso, mole e amorfo de dioceses e paróquias sem circunscrições territoriais definidas, de grupos religiosos em que a firme autoridade canônica vai sendo substituída gradualmente pelo ascendente de ‘profetas’ mais ou menos pentecostalistas, eles mesmos congêneres dos pajés do estruturalismo-tribalismo, com cujas figuras acabarão por se confundir. Também a paróquia ou diocese progressista-pentecostalista se confundirá necessariamente com a tribo-célula estruturalista.

Desmonarquização das autoridades eclesiásticas

Nesta perspectiva, que tem algo de histórico e de conjectural, certas modificações de si alheias a esse processo poderiam ser vistas como passos de transição entre o status quo pré-conciliar e o extremo oposto aqui indicado. Por exemplo, a tendência ao colegiado como modo de ser obrigatório de todo poder dentro da Igreja, e como expressão de certa ‘desmonarquização’ da autoridade eclesiástica. Em cada grau esta ficaria, ipso facto, muito mais condicionada do que antes ao escalão imediatamente inferior.

Tudo isto, levado às suas extremas consequências, poderia tender à instauração estável e universal do sufrágio popular dentro da Igreja. No quadro sonhado pelos tribalistas, chegaria num último lance a uma indefensável dependência de toda a Hierarquia em relação ao laicato, suposto porta-voz necessário da vontade de Deus. Obedecendo ao laicato, a Hierarquia supostamente cumpriria sua missão de obedecer à vontade do próprio Deus.

As obrigações do católico fiel

Diante da revolução cultural, tendencial, psicológica, que vem transformando a humanidade com velocidade e profundezas provavelmente nunca antes atingidas, quais são as obrigações do católico? O que nossa consciência de católicos nos manda fazer? O autor de Revolução e Contra-Revolução responde:

Na perspectiva de Revolução e Contra-Revolução, devemos antes de tudo acentuar a preponderante importância das tendências no processo gerador desta IV Revolução e no mundo dela nascido; e consequentemente preparar-nos para lutar, não só no intuito de alertar os homens contra essas tendências — fundamentalmente subversivas da boa ordem humana — como também a usar, no plano tendencial, de todos os recursos legítimos e cabíveis para combater essa mesma Revolução nas tendências. Cabe-nos também observar, analisar e prever os novos passos do processo, para ir opondo obstáculos à Revolução tendencial e à guerra psicológica revolucionária, inerentes à IV Revolução nascente.

(continua)

Legendas:
- Frei Junípero, missionário franciscano, dedicou sua vida à conversão dos índios no que hoje é o México e parte dos Estados Unidos. Foi canonizado recentemente.
O Papa Francisco com um cocar da etnia pataxó, durante a visita que fez ao Brasil em 2013.



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