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(continuação)

Após a Segunda Guerra Mundial, nações europeias cederam a condição de grandes potências, tornando-se elemento dominante o impacto crescente da influência norte-americana no mundo. A Europa passou para o segundo plano, e os Estados Unidos assumiram a liderança. Estarrecidos com aquele inegável resultado material, os europeus tentaram se americanizar, disputando a supremacia no único terreno em que o americano a possui.

A cultura tradicional europeia e o desenvolvimento econômico americano eram campos antagônicos, representavam um choque completo. Toda a imensa cultura recebida da Idade Média passou a ser considerada velharia, os valores culturais antigos tornaram-se infelicidade e atraso para a humanidade. Caminhar na via norte-americana, progredir no campo em que progridem os Estados Unidos, tornou-se o mesmo que trabalhar em favor de uma humanidade feliz.

A massificação revolucionária

Verificou-se no fim dos anos 60 uma revolta contra isso, com explosões de descontentamento da juventude em universidades do mundo inteiro. A mais famosa delas foi a da Sorbonne, em maio de 1968, objeto de importante análise em páginas anteriores. Entrou na ordem do dia protestar contra o establishment – a supremacia do desenvolvimento e da influência monetária.

O erro desses jovens foi contrapor ao establishment um movimento de instintos, e não um sistema doutrinário coerente e lógico baseado numa filosofia que buscasse uma ordem de coisas sadia. Erravam em achar que os instintos e impulsos liberados removeriam a própria causa da decadência, que eles tomavam como sendo a prepotência econômico-social.

Vendo o assunto de outro ângulo, essa explosão anárquica foi uma reação contra o fato de que na sociedade moderna os técnicos e especialistas, comandados pelo capital, discutem e decidem os rumos que darão à sociedade. São apoiados por máquinas e sistemas de propaganda, têm a seu serviço a imprensa, o rádio, a televisão, o cinema, e com isso influenciam o eleitorado. Através do voto, os eleitores decidem a favor de uns ou de outros, mas o impulso principal continua com os técnicos a serviço do capital. Depois de obterem o mando necessário através das eleições, eles comandam dos grandes centros a propaganda para alcançar seus objetivos.

É inegável que muito disso realmente existe. Cada um de nós tem a sensação de viver como um grão de areia isolado dentro da multidão. Estamos habituados aos meios de propaganda, a estímulos que atuam em nosso espírito e nossa mente, tirando-nos as condições necessárias para pensar, avaliar, refletir, decidir. Pode entender bem isso quem já viu pelas ruas (ou será que também participou?!) verdadeiras multidões, de todas as idades e condições, agarradas a um smartphone porque não conseguem decidir nada sem saber antes o que os outros pensam.

O movimento natural da mente humana, para tomar decisões diante de qualquer situação, consiste numa sequência muito simples: ver, julgar e agir. No período anterior à Revolução Industrial que mencionamos no início, esta era a ordem habitual do pensamento humano para tomar posição diante de qualquer assunto. O que já existe dentro de nós – conhecido, avaliado e aprovado – era o ponto de referência para qualquer decisão.

Mas no homem do mundo de hoje há uma gradual renúncia a disposições internas, bem definidas, em favor de movimentos externos imensos e máquinas propagandísticas enormes, comandados por não se sabe quem, nos quais nossa influência é mínima, se é que existe. Energúmenos como esses vão nos conduzindo para rumos que não percebemos, e que nos estarreceriam se pudéssemos percebê-los. Nós nos tornamos passivos diante de tais estímulos.

Em casa, vive-se ao sabor do que se aprende pela propaganda e se vê os outros fazerem. Na escola, cada criança é pressionada a fazer como os outros fazem. No trabalho, cada qual representa uma peça de engrenagem que funciona de modo padronizado. Na rua, ninguém quer saber se aprovo ou desaprovo tais e tais coisas, pois logo os olhares de censura imporiam o consenso da coletividade.

Mas Deus deu a cada indivíduo um conjunto de características psicológicas, físicas, hereditárias adequadas à formação da própria personalidade, e cada um tem o dever de desenvolver essas qualidades a fim de realizar-se inteiramente. Se não encontra estímulos nem orientações adequadas para desenvolver essa personalidade exclusiva, significa que não cumpre ou não será capaz de cumprir a missão recebida de Deus, portanto está no caminho errado. A criação da sociedade massificada foi a principal obra da Revolução ao longo de séculos, para gerar o homem despersonalizado dos dias de hoje.

(continua)

Legendas:
- Multidões na 5a. Avenida de Nova Iorque , em 1950
- Manifestação nos Estados Unidos pró e contra a guerra do Vietnã.



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