Catolicismo - Acervo
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(continuação da página 29)

1966. Em apenas 20 dias, 570.000 brasileiros firmaram esse abaixo-assinado contra o divórcio.

O católico “constantiniano” dos anos 60 tinha um apreço pelo formal e pelo cerimonioso, até nos artigos de jornais. Sentia um desgosto pelo baixo nível e a proletarização dos hippies. Tinha um gosto preferencial pelas formas tradicionais de beleza artística, desaprovando a arte moderna e a extravagância.

Mais nacionalista do que admirador da civilização cristã, o católico “constantiniano” era afeito a uma vida social ainda com hierarquias de classes sociais e de dignidades individuais. O direito de propriedade era central na concepção da vida, daí ser anticomunista por temperamento. Gostava de ler livros e artigos profundos, com raciocínios lógicos apoiados na doutrina social da Igreja, da qual já não era muito bom conhecedor. Sem ter sempre claros todos os princípios ideológicos, vivia num ambiente que se pode designar segundo a trilogia tradição, família, propriedade.

Como definir o católico de hoje?

O que o católico “comum” de hoje pensa das hierarquias? O que pensa, por exemplo, das elites que vê, do Papa, do Presidente da República?

Como se comporta em relação às modas — na praia, por exemplo?

O que pensa sobre o Estado laico, sobre o papel que a Igreja deve exercer para moldar as instituições, as leis e os costumes?

Como se comporta em relação às pessoas que praticam o amor livre, o divórcio, o aborto, o homossexualismo, o concubinato? O que acha da facilidade com a qual a Igreja declara nulos os casamentos?

Como sente a distinção entre o clero e os leigos? O que opina sobre a democracia participativa dentro da Igreja?

Com que vigor defende ainda a propriedade privada? Qual o grau de rejeição ao socialismo e seu conhecimento da doutrina social da Igreja?

Em que medida, quando se mantém católico praticante, aceita viver num mundo que voltou para o paganismo?

Essa espécie de “exame de consciência coletivo” que propomos é fundamental para se perceber até que ponto o católico “comum” de hoje se afastou dos conceitos, normas de vida e de comportamento que compunham a mentalidade do católico constantiniano. Nenhuma reação efetiva poderá ser feita, se a compreensão dessa profunda decadência não estiver suficientemente clara.

Em face da situação de decadência, o que fazer?

Diante deste quadro, o leitor se perguntará naturalmente o que fazer. A primeira coisa, de grande importância, é ver o problema de frente e entendê-lo em seus matizes e múltiplos aspectos. Nós nos deixamos muitas vezes levar demasiadamente por certa torcida, queremos agir antes de ter feito uma análise profunda. Ver e compreender são os primeiros passos da ação.

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, nos trechos do livro Revolução e Contra-Revolução que reproduzimos a seguir, acentuou a importância de conhecermos essa forma de revolução psicológica enquanto atuando nas tendências, a fim de denunciá-la, e usar todos os recursos legítimos e cabíveis para combatê-la.

Nas páginas de Revolução e Contra-Revolução, uma análise da revolução cultural e do tribalismo eclesiástico decorrentes de maio de 68

Na Parte III de Revolução e Contra-Revolução — redigida em 1976, e completada com notas em 1992 — Plinio Corrêa de Oliveira oferece algumas linhas de reflexão sobre os acontecimentos de maio de 1968. Ressalta a importância da guerra psicológica revolucionária, desenvolvida como consequência da “explosão temperamental” da Sorbonne, a “revolução cultural” e a revolução nas tendências:

Como uma modalidade de guerra psicológica revolucionária, a partir da rebelião estudantil da Sorbonne em maio de 1968, numerosos autores socialistas e marxistas passaram a reconhecer a necessidade de uma forma de revolução prévia às transformações políticas e socioeconômicas, que operasse na vida cotidiana, nos costumes, nas mentalidades, nos modos de ser, de sentir e de viver. É a chamada ‘revolução cultural’.

Consideram eles que esta revolução, preponderantemente psicológica e tendencial, é uma etapa indispensável para se chegar à mudança de mentalidade que tornaria possível a implantação da utopia igualitária, pois, sem tal preparação, a transformação revolucionária e as consequentes ‘mudanças de estrutura’ tornar-se-iam efêmeras.

O referido conceito de ‘revolução cultural’ abarca, com impressionante analogia, o mesmo campo já designado por ‘Revolução e Contra-Revolução’, em 1959, como próprio da Revolução nas tendências (cfr. parte I, cap. 5).

A guerra psicológica revolucionária

Em seguida, o Prof. Plinio insiste na importância do conceito de guerra psicológica total, travada contra todos os homens e em todos os campos do agir humano, para levá-los não somente ao comunismo, mas também à etapa seguinte da Revolução, num processo contínuo:

A guerra psicológica visa a psique toda do homem, ‘trabalha-o’ nas várias potências de sua alma e em todas as fibras de sua mentalidade. Visa todos os homens, tanto partidários ou simpatizantes da III Revolução [a comunista] quanto neutros ou até adversários. Lança

(continua)

Legenda: O que o católico “comum” de hoje pensa das hierarquias? O que pensa, por exemplo, das elites que vê, do Papa, do Presidente da República?



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