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VARIEDADES

O ser humano, o cisne e o gato

Plinio Corrêa de Oliveira

(Comentários feitos por Plinio Corrêa de Oliveira durante um almoço no dia 7-7-1983, extraídos de gravação em fita magnética. A fim de serem publicados, alguns comentários foram ligeiramente adaptados, sem a revisão do autor.)

Os seres minerais, não tendo sensibilidade, não têm nenhum conhecimento. A planta pode ter reações, mas não tem conhecimento. O animal tem um grau de vida superior ao da planta, e tem conhecimento. Por exemplo, quando um rato passa perto de um gato, este o reconhece como um alimento e corre atrás dele, pois precisa se alimentar. Também o rato reconhece o gato, sabe que o gato costuma ter fome, identifica-o como um perigo e foge. É natural que o gato e o rato, tendo ambos o instinto de conservação, queiram sobreviver, e o mais adequado a cada um é o gato comer e o rato fugir.

Essas reações naturais dos animais existem em seres irracionais, portanto não se devem a raciocínios, e sim ao conflito de instintos de conservação que ambos têm. Trata-se de um mundo de operações admiravelmente razoáveis que os animais possuem. Muitas vezes são operações de grande complexidade, cujo mecanismo os cientistas levam gerações estudando para explicar, e nem sempre o conseguem. Elas estão de acordo com a ordem e natureza das coisas, simplesmente por associações de imagens, reflexos, instintos, mas não são frutos de raciocínios.

* * *

Quando o gato dá um miado choroso, cujo tom lamuriante é infalível para comover corações femininos, é porque sabe que a sua dona pode dar-lhe um pouco de leite. Ele não faz um raciocínio como este: “Ela é dona do leite, e dá se quiser. Por isso, se eu quero leite, devo manifestar a ela que estou precisando de leite. Quanto mais lacrimejante for o meu miado, mais depressa ela vai dar. Logo, vou caprichar no meu miado”. Mas o gato é totalmente incapaz disso, o que faz é movido pelo instinto.

Não deixa de ser verdade que, quando ele tem fome, acaricia a dona, levado por um conjunto de instintos, reflexos, movimentos que decorrem do princípio vital dele, daquilo que nós poderíamos chamar “alma”. Não uma alma espiritual como a humana, mas um princípio vital do animal. Um mineral, como a pedra, não tem nenhuma vida e não é capaz de nada disso que se passa no mundo animal.

O homem é um ser muito mais complexo, possui uma razão que o leva a compreender as coisas, e tem todos os movimentos voluntários no nível da razão. O raciocínio funciona associado ao instinto, e muitas vezes o homem completa a ação do instinto pensando, raciocinando. Algumas coisas podem ser feitas automaticamente, por um reflexo, sem precisar de raciocínio, mas outras vezes é necessário um raciocínio. Pode-se mesmo não saber, num caso concreto, se agimos racionalmente ou apenas instintivamente. Nem sempre sabemos, em nossa ação, qual é o grau de colaboração da natureza animal e qual é a colaboração da alma racional.

Um exemplo é quando alguém entra depressa numa sala durante a noite, à procura de um objeto. Para isso, instintivamente estende a mão para o lado e acende a luz. O que se passou é uma mera associação de imagens e lembranças, e até um animal seria capaz disso. Poderá também ser resultado de um raciocínio: “Eu preciso de mais luz; para aumentar a luz, tenho que acionar este botão; portanto, vou acionar o botão”.

Por mais que o animal esteja abaixo do homem, há um ponto em que está acima dele: no animal não há uma luta interior, que ora o leva para um lado, ora para outro. Exemplo: uma das atitudes mais vis no reino animal, e por isso muito simbólica, é uma galinha quando foge espavorida. Ela pode hesitar, mudando várias vezes o seu rumo de corrida, pois de alguma forma o conhecimento dela indica que o perigo mudou de lugar, ou então ela primeiro viu o perigo de um jeito, depois viu de outro. Mas ela não tem uma divisão interna, uma incerteza, uma dúvida, obedece ao instinto.

Já o ser humano tem dúvidas. Em geral sentimos duas leis opostas. São Paulo chama isso “a lei da carne e a lei do espírito”. Queremos algo pela apetência carnal, mas pela apetência espiritual

(continua)



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