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(continuação)

João era o discípulo amado, no entanto Pedro era o que mais amava Jesus, pois o Salvador não excluiu São João quando disse “mais do que estes”. Simão Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Nosso Senhor repetiu-lhe a pergunta: “Simão, filho de João, amas-me?”. À resposta afirmativa de Pedro, o Messias repetiu: “Apascenta os meus cordeiros”. Pela terceira vez, Ele fez a Pedro a mesma pergunta. O Príncipe dos Apóstolos entristeceu-se, pois acreditou que Jesus insistia porque duvidava de sua palavra. Disse-lhe então: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo”. Jesus repetiu a resposta, com pequena diferença: “Apascenta as minhas ovelhas”. Além de apascentar os cordeiros, ele deveria apascentar também as ovelhas.

Parece que o amor de São Pedro a Cristo era indispensável para que ele exercesse seu ofício de apascentar o rebanho que lhe fora confiado. O fato de o Salvador fazer São Pedro repetir três vezes que O amava foi, segundo Santo Agostinho, para que Pedro, dando três vezes o testemunho do grande amor que tinha por Jesus Cristo, apagasse a vergonha das três negações que cometera por sua covardia, e para que sua língua não fosse instrumento menor de seu amor que de seu temor.22

O Redentor prediz então a Pedro o seu martírio, e convida-o a segui-Lo mais especialmente. Por isso, não é estranho que a Igreja Católica sempre tenha visto nesse texto a transmissão da potestade régia sobre toda sua grei, sem distinção, feita por Cristo a Pedro.23

São Pedro depois da Ascensão

Depois da Ascensão de Nosso Senhor ao Céu, Pedro continua tendo a principal função na Igreja nascente. Como já dissemos, ele promoveu a eleição de Matias para o lugar de Judas. E no dia de Pentecostes recebeu o Divino Espírito Santo, junto com a Virgem Maria e os outros Apóstolos. Nessa ocasião particular, recebeu uma efusão do Espírito Santo mais abundante que a distribuída aos antigos Profetas e ao próprio Moisés. Foi a partir daí que ele entrou naquela santa embriaguez predita pelo profeta Joel, e cheio da virtude do alto, abriu a boca para pregar ao mundo o mistério desconhecido da Redenção.24

Assim, dirigindo-se Pedro aos “judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu” presentes em Jerusalém, “pondo-se de pé em companhia dos onze, com voz forte lhes disse: ‘Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém’...”. E pregou-lhes o nome de Cristo. Diz Santo Agostinho: “Viu-se então em São Pedro o que pode uma abundante efusão da graça do Espírito Santo. Ela fortificou de tal maneira esse coração antes tímido, fraco, que o fez dar pública e corajosamente o testemunho daquele que ele tinha negado”.25

São Pedro praticou também o primeiro milagre quando, em companhia de São João, curou o coxo de nascença no templo. Foram aprisionados, e ele justificou a ação de ambos diante dos juízes. Foi ele também quem condenou Ananias e Safira por terem mentido ao Espírito Santo. Decidiu também a admissão dos pagãos na Igreja. A ele coube, enfim, a direção do Concílio de Jerusalém.

Entretanto Deus Nosso Senhor confirmava por inúmeros milagres a atividade apostólica de seus discípulos. São Lucas narra que os habitantes de Jerusalém e das cidades vizinhas “traziam os doentes para as ruas, e os punham em leitos e macas a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles”, que eram assim curados.

Quando os Apóstolos foram novamente presos por pregarem o nome de Cristo, e compareceram diante do Grande Conselho para justificar sua doutrina, “Pedro e os Apóstolos” responderam que “é necessário obedecer antes a Deus que aos homens”. Tendo o diácono Felipe convertido grande número de pagãos na Samaria, Pedro e João se deslocaram de Jerusalém para organizar a comunidade e invocar o Espírito Santo sobre os fiéis. A Simão Mago, que queria comprar o poder de impor as mãos para que o Espírito Santo também descesse por seu intermédio, Pedro disse: “Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!”.

Herodes, após mandar decapitar Tiago, Bispo de Jerusalém, prendeu também Pedro com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Mas um anjo do Senhor o libertou. O Príncipe dos Apóstolos, após ter ido à casa de João Marcos, “saiu dali e retirou-se para outro lugar”, diz São Lucas. Que “outro lugar” seria este? O evangelista não o diz, mas supõe-se que se trate de Roma.

É certo que São Pedro esteve em Antioquia, onde inicialmente se misturou com os cristãos não circuncidados. Mas, quando judeus conversos chegaram à cidade, temeu que esses observantes rígidos da lei cerimonial judaica se escandalizassem, periclitando assim sua influência junto a eles, por isso evitou comer ao lado dos não circuncidados, merecendo por isso uma repreensão de São Paulo.

O incidente mostra que a autoridade de São Pedro na Igreja primitiva era tida como decisiva, pois num caso como este deveria prevalecer o que ele decidisse. São Paulo, com uma liberdade toda apostólica, não hesitou em chamar a atenção do chefe da Igreja, e de mostrar-lhe a inconsistência de sua ação.

Viagens apostólicas de São Pedro

Em sua primeira epístola, São Pedro se dirige aos eleitos que são estrangeiros e estão dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Ásia e na Bitínia, o que leva a supor que ele tenha trabalhado também com os judeus da diáspora nessas regiões. Eusébio de Cesareia (que viveu entre 260 e 340) afirma que São Pedro e São Paulo estiveram em Corinto, e que lá plantaram a Igreja. Esta tradição parece encontrar eco em São Paulo quando menciona, entre os vários “partidos” formados na Igreja de Corinto, o “partido de Cefas”.

São Paulo confirma indiretamente viagens apostólicas de São Pedro, quando diz: “Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe [em nossas viagens apostólicas] uma mulher irmã, a exemplo dos outros Apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas?”. Tertuliano, São Cipriano, São Gregório e outros dão testemunho de que São Pedro levou a fé à África, e notadamente a Cartago, à Numídia e à Mauritânia.26

A última menção que os Atos dos Apóstolos fazem a São Pedro é no chamado Concílio de Jerusalém. O problema que voltara à baila era ainda o da necessidade ou não da circuncisão e da observância da lei de Moisés para os convertidos do paganismo. São Pedro então se levantou e, após explicar o trabalho que estava fazendo com os cristãos vindos do paganismo, perguntou aos judaizantes: “Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?”. Foi então aprovado por todos os Apóstolos que não eram necessários a circuncisão e os preceitos mosaicos para os cristãos vindos do paganismo.

São Pedro em Roma

A ida de São Pedro para Roma e seu martírio são fatos inquestionáveis na tradição, embora não haja dados concretos de sua atividade na capital do Império. Entretanto, o fato é atestado por uma série de testemunhos distintos, estendendo-se do fim do primeiro século ao fim do segundo.

É amplamente afirmado que Pedro fez uma primeira visita a Roma após ter sido libertado da prisão de Jerusalém; e que São Lucas omitiu o nome de Roma, por razões especiais, substituindo-o por outro lugar. Não é impossível que Pedro tenha feito uma viagem missionária a Roma por esse tempo (depois de 42 A.D.), mas tal viagem não pode ser estabelecida com certeza.27

(continua)

Legendas:
- São Pedro Príncipe dos Apóstolos, moeda de 1796
- A sombra de São Pedro cura um enfermo – Masaccio, séc. XV. Cappella Brancacci, Santa Maria del Carmine, Florença (Itália).



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