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EPISÓDIOS HISTÓRICOS

Batalha de Belgrado

Ivan Rafael de Oliveira

Quando os turcos investiram novamente contra a Cristandade em 1714, os reinos cristãos que haviam lutado sob o estandarte da Santa Liga voltaram a se unir para a defesa da Fé.

Após a vitória de Petrovaradin, a Áustria partiu para a ofensiva e entrou numa nova batalha rumo à reconquista de Belgrado.

Muitas vezes Deus opera seus milagres pelas mãos dos próprios homens. Foi o que nos ensinou Santa Joana d’Arc em Poitiers: “Os soldados batalharão em nome de Deus, e Deus dará a vitória”.¹ A História está cheia de ocasiões em que Deus, para fortalecer os homens com a sua graça, esperou deles uma atitude, uma decisão firme, exigindo-a mesmo como condição para operar a sua interferência. Bem ao contrário dessa atitude firme, muitos fatalistas se acomodam e deixam de cumprir suas obrigações mais elementares, amortecendo as consciências com base em sofismas como este: Se Deus permitiu, não adianta fazer nada.

Em artigos anteriores para esta seção, vimos o grande papel histórico da Áustria e do príncipe Eugênio de Saboia, agindo como a mão de Deus na decisão dos acontecimentos. Para avaliarmos a importância desse papel histórico, basta imaginarmos qual seria hoje a situação dos cristãos do mundo inteiro, se o ímpeto de dominação dos muçulmanos não tivesse sido quebrado naquele início do século XVIII. Os cristãos daquele tempo tinham uma visão clara do presente, mas olhavam sobretudo para o futuro. Após as batalhas de Corfu e Petrovaradin, relatadas por Catolicismo em março deste ano, os novos cruzados se prepararam para empreender em Belgrado a próxima e última grande batalha.

Preparação da batalha

Entre os invernos de 1716 e 1717, os exércitos germânicos empreenderam várias incursões bem-sucedidas no território dominado pelos turcos, e parecia ser aquela a hora de arrefecer a luta e descansar um pouco. O embaixador da Holanda propôs uma trégua, e o novo Grão-vizir Ali Pachá manifestou sua intenção de restabelecer a paz, sob a condição de que a Áustria devolvesse a fortaleza de Timisoara. Sem a devolução, os turcos a retomariam à força. O príncipe Eugênio bem sabia que a verdadeira intenção turca era ganhar tempo para se restabelecer, e assim atacar com maior força os exércitos imperiais. Por isso a sua recusa foi peremptória, e ainda acrescentou a exigência de que Belgrado fosse restituída à Áustria.

Belgrado, hoje a capital e maior cidade da Sérvia, na época era uma importante praça forte na desembocadura dos rios Save e Danúbio. Na sua conturbada história de sete mil anos inscreve-se a sua conquista por mais de 40 exércitos, e sua reconstrução das cinzas 38 vezes. Seria esse o local da próxima disputa entre os dois exércitos.

Sem acordo, ambas as partes se armaram com todas as suas forças. O sultão Ahmed III sacou muito dinheiro de suas finanças para recrutar 200 mil combatentes. A confiança que se depositava no príncipe Eugênio fez renascer o espírito de Cruzada nos reinos germânicos. Tropas auxiliares acorreram de toda a Alemanha, e o clero ofereceu um décimo de suas rendas para financiar a batalha. Da França apresentaram-se príncipes e nobres interessados em guerrear sob o comando de um dos maiores generais da História, acrescentando à glória de seus antepassados a sua própria participação em uma vitória da Fé sobre os infiéis. O contingente do príncipe Eugênio era de 100 mil homens, e ele conseguiu aprontar rapidamente o exército cristão.

Na véspera da partida, o imperador austríaco Carlos VI ofereceu ao príncipe Eugênio um crucifixo ricamente adornado com diamantes, e o estimulou à confiança em Deus: “Com este sinal, vencerá o Marechal”. Eugênio lhe entregou seu próprio testamento, indicando sua intenção de voltar vencedor ou não voltar. A saída de Viena aconteceu em 13 de maio de 1717, coincidindo com o nascimento da futura grande imperatriz Maria Teresa.

Estratégia ousada e vitória decisiva

Após um mês de marcha, o exército cristão chegou a Belgrado e estabeleceu o sítio. A cidade estava defendida pelo resoluto comandante Mustafá Pachá, com 30 mil homens de tropas escolhidas, e lhe cabia resistir até a chegada do exército do Sultão.

Em um mês de cerco as bombas arrasaram as fortificações e destruíram as baterias turcas. Determinado a não se render, Mustafá investiu num enérgico ataque, causando grandes perdas aos imperiais. A firmeza dos turcos pareceu recompensada, quando do alto das muralhas enxergaram ao longe a vanguarda do exército do Sultão. Foi grande o júbilo dos sitiados, pois o Grão-vizir trazia uma força de 200 mil homens, 140 canhões e 35 morteiros. Eram tropas descansadas, ao passo que os

(continua)

Legendas:
- Estátua do príncipe Eugênio de Saboia na Heldenplatz, em Viena.
-Comandante turco Mustafá Pachá.



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