Catolicismo n° 811, julho de 2018
Revista Catolicismo
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CARTA DO DIRETOR

Caro leitor,

Estamos comemorando 75 anos de Em Defesa da Ação Católica, livro que foi o primeiro brado de alerta, em nosso País, contra a crise na Igreja. Seu autor, Plinio Corrêa de Oliveira, tornou-se depois o inspirador e principal colaborador de Catolicismo.

Em julho de 1943, prosseguia a infiltração dos erros modernistas na Igreja. Essa corrente doutrinária havia sido condenada ex cathedra e aniquilada por São Pio X, nos primórdios do século XX, mas seus adeptos remanescentes começavam a solapar e infestar os movimentos católicos do Brasil, antes tão numerosos e pujantes.

Plinio Corrêa de Oliveira era então Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo. Após fazer um diagnóstico minucioso da grave situação, ele percebeu tratar-se de uma verdadeira revolução tramada dentro dos ambientes católicos visando mais uma vez implantar o modernismo, semelhante ao progressismo dos atuais "católicos de esquerda". Nunca é demais lembrar que esses erros doutrinários estão na raiz da imensa confusão imperante em nossos dias.

Percebia o Prof. Plinio que, caso se lançasse contra essa corrente, seria hostilizado de modo implacável pela parte do clero empenhada em "modernizar" o apostolado católico. Disposto a enfrentar tais perseguições, muniu-se de sólida argumentação embasada em documentos pontifícios, e lançou-se à luta como um "kamikaze". Ele mesmo assim definiu sua iniciativa de publicar o livro, e de fato a analogia com os soldados japoneses suicidas se justifica, pois o livro teve em muitos aspectos o efeito de uma bomba.

As opiniões se dividiram. Muitos Bispos, sacerdotes e leigos aderiram com entusiasmo às suas teses, sentindo-se aliviados pela coerência doutrinária e fidelidade aos ensinamentos pontifícios tradicionais. O mais significativo dos apoios proveio do Papa Pio XII, então reinante, através de uma carta muito elogiosa assinada por seu subsecretário de Estado, Mons. João Baptista Montini.

Outros invectivavam a obra, sem lhe opor qualquer argumento convincente. Não tardou a tempestade persecutória, à qual não faltou um vendaval de calúnias. Uma alta autoridade eclesiástica de Belo Horizonte chegou a pedir a condenação do livro, e mandou queimá-lo publicamente.

Na principal matéria desta edição, os leitores podem apreciar um elenco das repercussões obtidas pelo corajoso brado de alerta contra a revolução progressista então nascente. E entenderão o motivo de Em Defesa da Ação Católica ter sido uma obra providencial, fundamental contra a terrível crise que se introduziu na Igreja.

Desejo a todos uma boa leitura.

Em Jesus e Maria,

Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor


SOS FAMÍLIA

Crianças que ameaçam os tiranos

Paulo Henrique Américo de Araujo

Os tribunais ingleses, e mesmo a Corte Europeia de Direitos Humanos, alegavam que os "melhores interesses" do bebê consistiam em que o deixassem morrer.

O drama de Alfie Evans [foto1], o bebê inglês falecido no final de abril passado, percorreu o mundo e movimentou desde simples opiniões individuais até discussões em altos escalões do direito internacional.

Nascido em maio de 2016, filho de Tom Evans e Kate James, inicialmente Alfie aparentava boa saúde, mas em dezembro do mesmo ano deu entrada no Hospital Infantil Alder Hey, de Liverpool. Para angústia dos pais, logo foi diagnosticada uma rara doença neurológica degenerativa; e incurável, segundo os pareceres médicos. A direção do hospital tomou a decisão de desligar os aparelhos que mantinham o bebê vivo, mas o pai insistia em que seu filho apresentava certas condições de melhora, portanto ainda havia esperança no tratamento.

A partir de então iniciou-se uma disputa judicial para determinar o destino da criança. Os pais recorreram aos tribunais, invocando o direito de manter os cuidados médicos do filho. Os pedidos foram rejeitados, um a um, pelos diversos julgadores que analisaram o caso. Os tribunais ingleses, e mesmo a Corte Europeia de Direitos Humanos, alegavam que os "melhores interesses" do bebê consistiam em que o deixassem morrer.

Durante as discussões legais, o hospital italiano Menino Jesus, de Roma, ofereceu seus serviços para o tratamento de Alfie. Tudo seria custeado, até mesmo o transporte aéreo da criança da Inglaterra para a Itália. Tratava-se de uma nova esperança para os pais. Mas tudo foi rejeitado pelo juiz Anthony Hayden sob alegação de que, sendo Alfie um cidadão inglês, seu destino deveria ser decidido pela justiça britânica, e não por um Estado estrangeiro.

O último apelo dos pais ao poder judiciário foi negado em 25 de abril último, e em consequência foram desligados os aparelhos que ajudavam Alfie a respirar. Ele ainda sobreviveu por quatro dias, pairando no ar a hipótese de que um tratamento mais prolongado poderia tê-lo salvado. Se a hipótese de cura era real ou não, é um assunto que foge à nossa competência, e não é o aspecto que nos parece importante nesse caso. Muito mais importante que isso é a flagrante violação do pátrio poder pelo poder judiciário, cuja função é exatamente a defesa de todo o direito.
(continua)



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