Novembro de 2001
Elegância e coragem
Ambientes, Costumes e Civilizações

Elegância e coragem

Os dois soldadinhos de chumbo que se vêem nas fotografias são peças de coleção e representam dois soldados de cavalaria do tempo de Luís XV.

Um espírito moderno, o que objetaria contra eles?

Primeiramente diria: “São muito orgulhosos. Estão vestidos ricamente e como que para uma festa. No modo de estarem vestidos, de bater no tambor e de tocar a corneta, dão a impressão de que desprezam quem não se veste assim. E, portanto, eles não têm a caridade cristã”.

Uma segunda objeção seria: “O homem deve ser sério e não se enfeitar tanto assim. O próprio para o homem verdadeiramente varonil é o macacão. Esses soldados estão enfeitados de um modo como nem as mulheres se enfeitam mais nos dias de hoje. Portanto não são varonis”.

Réplica às objeções

O que a História registra a respeito deles? Que os guerreiros desse tempo eram de uma coragem simplesmente prodigiosa na guerra, a ponto de deixar as pessoas até hoje assombradas. Uma coragem que não temia a morte.

Tais soldados avançavam assim para a morte, vestidos com esses trajes. Qual é a vantagem de irem à guerra desse modo? É que realça a grande nobreza de oferecer a vida pela pátria. Estimula o he­roís­mo, dando ao combatente a sensação e a vivência de como é glorioso lutar e não temer a morte. Não é verdade que um soldado vestido dessa maneira sente muito mais a glória da guerra do que um soldado camuflado?

Por outro lado, é preciso dizer que esses trajes não eram usados apenas por eles. Não se deve imaginá-los vestidos assim e, em torno deles, os outros combatentes trajados como nós. Todas as classes mais letradas e mais cultas da época usavam trajes especiais esplêndidos.



Análise dos soldadinhos de chumbo

Um dos soldados enverga um traje vermelho e dourado e usa uma cabeleira branca. Tudo bordado e de qualidade excelente. Seu porte é ereto, e ele segura a corneta com a altivez de quem a toca verdadeiramente. O chapéu é muito sério e preto, mas o negrume dele é compensado por uma penugem branca. Chapéu feito para cumprimentos: leva a mão no “três bicos” e faz uma reverência; passando diante de um bispo ou de um príncipe, tira o chapéu e diz: “Monseigneur”. O cumprimento militar de hoje, a continência, não era de uso.

A espada do soldadinho, a cor do chapéu, a cor da bota — tudo é harmônico. Tem-se a impressão de que o cavalo aprendeu elegância com o cavaleiro.

Quanto ao outro soldado, o mesmo se poderia comentar. Apenas chamo a atenção para os tambores: eles poderiam facilmente parecer uma coisa pesadona. Entretanto, os tambores não causam tal impressão, pois, revestidos com os tecidos que ostentam, ficam leves, de muita beleza.

Eles cavalgam majestosos, tocando os instrumentos e na alegria de viver.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 12 de maio de 1984. Sem revisão do autor.