Dezembro de 2001
O cedro do Líbano
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Ambientes, Costumes e Civilizações

O Cedro do Líbano

elegância, distinção, classe, superioridade

Plinio Corrêa de Oliveira

Uma pessoa poderia olhar para o cedro e não perceber bem que ele apresenta uma arquitetonia: um desenho comparável a um como que "bailado" imóvel de folhas.

Caracteriza-o uma elegância, uma distinção, uma classe, enfim uma superioridade que, elevando-se do chão para o céu, ele dá a impressão de dizer o seguinte:

"Elevei-me tão formoso pelos ares, que passei a ser uma beleza integrante do céu — eu, cuja semente obscura nasceu e germinou nas profundezas também obscuras da terra.

"Olhai para a minha base: é uma coluna. Olhai para esta coluna, e vereis que ela entra corajosamente terra adentro. Não renego o meu passado. Se é verdade que enfrento tantas tempestades, tantos vagalhões; que sou resistente ao sol mais luzidio; que desafio os homens e vivo mais do que eles; e, na minha longevidade mais do que secular, posso dizer ao homem que acaba de me plantar: `durarei mais do que tu'; é verdade também que tudo isto estava contido numa semente primeira, num broto primeiro que foi fincado na terra.

"Esse elemento continha dentro de si toda a minha beleza, continha toda a minha longevidade, continha toda a minha dignidade. Tudo o que em mim é feito para a luz germinou nas obscuridades do chão, e eis que aqui me alteio, mais alto do que as construções que me cercam, mais venerando do que o passado de todos os homens que descansam à minha sombra.

"Quem sou eu? Eu sou o cedro. Qualquer cedro? Não, o cedro do Líbano! Daquele Líbano cantado pela Sagrada Escritura, obra de Deus louvada pelo próprio Deus".

***

Se imaginássemos um cedro desses que fosse capaz de pensar e de falar, e que em determinado momento um agricultor experiente metesse a pá na terra junto à raiz dessa árvore e fosse até aquele bulbo inicial, o separasse sem dano do próprio vegetal, e o apresentasse a ele, o cedro espontaneamente inclinar-se-ia até o chão e diria:

"Ó Patriarca, tu és a minha causa!"

"Tu continhas em ti mesmo tudo aquilo de que eu sou a explicitação. Há em ti uma ciência, uma sabedoria da qual eu nasci. Há uma forma de conhecimento em ti que eu levarei dezenas de anos, ou mesmo séculos para adquirir.

"Se é belo o pensamento explícito, quão belo é também o pensamento quando ele rola dentro do espírito, ainda sem explicitação, mas já contendo toda sua riqueza à procura da luz. Se é belo o efeito que se desdobra, como também é belo esse efeito quando ele dorme obscuramente na causa.

"Se é belo ser cedro do Líbano, que glória ser um bulbo pequeno assim, mas que contém dentro de si todo esse futuro. Aconselha-me, ó bulbo. Eu te reverencio".

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 28 de dezembro de 1985. Sem revisão do autor.

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão