Fevereiro de 2002
Tirol: tesouro da Europa central
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Ambientes, Costumes e Civilizações
Tiroleses envergando seus pitorescos trajes típicos: casacos muito coloridos e chapéus com plumas

Tirol: tesouro da Europa central

Seriedade, inocência e contemplação

Plinio Corrêa de Oliveira

Estando na Alemanha, em certa ocasião, vi alguns tiroleses andando pela Baviera. Ainda conservo na retina um homem, observado por mim naquela ocasião, qüinquagenário, usando um chapeuzinho meio esverdeado, encimado por uma peninha — o que indicava estar ele disposto a dedicar-se a alguma atividade atlética no campo — envergando roupa que não tinha nada de esportiva no sentido atual do termo, embora fosse uma veste de campo: um paletozão pesado, de boa qualidade, meias de lãs grossonas, enfim, tecidos preciosos quanto à durabilidade. Vê-se que aquela vestimenta fora confeccionada para durar muitos anos...

Esse homem carregava uns apetrechos — não pude discernir bem, pois não sou perito na matéria — para caçar borboletas ou pescar. Ia para o campo, muito resoluto, praticar a atividade dele com um misto de seriedade e inocência, que era um verdadeiro encanto. E o mais curioso: não é certo que estivesse acompanhado, porque aquele tipo de homem pode fazer uma excursão sentindo-se bem sozinho, em meio à natureza.

***

Pessoas como ele — ainda as há no ambiente campestre da Alemanha, Itália, Áustria e Suíça — preferem morar no campo a residir na cidade. No campo, não vivem isoladas: na maior parte dos casos, a tendência delas é formar algo que existe pouco no Brasil — a aldeia, ou seja, um pequeno conglomerado de casas. E ali elas têm tudo muito bem arranjadinho, seriozinho e engraçadinho. Mas de tal maneira que, visto de dentro, o ambiente em que vivem apresenta certa pequena grandeza. De fora, ele provoca um sorriso. Rir delas e de seu habitat, nunca. Rir, nesse caso, seria perfeitamente uma safadeza; mas sorrir, sim, e com comprazimento.

É preciso imaginar uma população assim, gostando de ver e de se interessar por todas as coisas. Mas é um interessar-se cheio de dedicação e de amor. Por exemplo, um desses tiroleses pesca, ou então caça borboletas, com uma espécie de dedicação que o torna capaz de passar por sacrifícios duros, a fim de obter um espécime raro de borboleta. E isto é feito sem a menor intenção de figurar em catálogos, ou qualquer forma de concessão ao vedetismo. Ele exerce essa atividade porque o mundo das borboletas lhe diz algo; e em relação ao qual ele dá uma profunda forma de adesão.

Em outros termos, esse é um povo que aprecia todos os aspectos contemplativos da vida, muito inteligente, de sensibilidade muito fina, muito cantante, muito dançante — mas com inocência — muito jovial, acolhedor e analista, examinando as coisas a fundo.

***

Segundo ele, a vida é concebida da seguinte maneira: trabalhar, sim, para desfrutar horas de lazer e observar as coisas interessantes da vida. Dessa forma, a finalidade da existência terrena consiste em interessar-se pelo interessante; e, volto a insistir, o interessante inocente, tanto quanto ele é possível nas condições humanas. A imoralidade está banida desse universo.

N. da Redação — TIROL : região alpina situada na Europa central, compreendida entre a Suíça (oeste), Alemanha (sul), Áustria (leste) e Itália (norte) .

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 3 de abril de 1973. Sem revisão do autor.


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