Março de 2007
Devoção a Maria Santíssima — V
Leitura Espiritual

Devoção a Maria Santíssima — V

Além de São Luís Grignion, outro grande doutor da devoção marial foi Santo Afonso Maria de Ligório. Reproduzimos abaixo alguns trechos de sua monumental obra Glórias de Maria.(*)



Maria é Rainha. Mas saibamos todos, para consolação nossa, que é uma Rainha cheia de doçura e de clemência.

Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja a honra, e quer que por todos seja honrada com o título glorioso de Rainha. Se o Filho é Rei, diz o pseudo-Atanásio, justamente a Mãe deve considerar-se e chamar-se Rainha. Desde o momento em que Maria aceitou ser Mãe do Verbo Eterno, diz São Bernardino de Siena, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas [...].

Maria é, pois, Rainha. Mas saibamos todos, para consolação nossa, que é uma Rainha cheia de doçura e de clemência, sempre inclinada a favorecer e fazer bem a nós, pobres pecadores. Quer por isso a Igreja que a saudemos com o título de Rainha de Misericórdia. O próprio nome de rainha, considera Santo Alberto Magno, denota piedade e providência para com os pobres, enquanto que o de imperatriz sugere severidade e rigor. A magnificência dos reis e das rainhas consiste em aliviar os desgraçados, diz Sêneca. Enquanto os tiranos governam tendo em vista apenas seu interesse pessoal, devem os reis procurar o bem de seus vassalos. Por isso, na sagração dos reis se lhes unge a testa com óleo. É o símbolo da misericórdia e benignidade de que devem estar animados para com seus súditos [...].

O Eterno Pai constituiu Jesus Cristo Rei de justiça e fê-Lo, por conseguinte, Juiz universal do mundo. Vem daí a exclamação do Salmista: ‘Dai, ó Deus, ao rei a vossa eqüidade, e ao filho do rei vossa justiça’ (Sl 71, 2). Pelo que diz um douto intérprete: ‘Senhor, destes a vosso Filho a justiça, porque à Mãe do Rei entregastes a misericórdia’. Aqui São Boaventura tece belo comentário à citada passagem, dizendo: ‘Dai, ó Deus, vosso juízo ao Rei e vossa misericórdia à sua Mãe’ [...].

Maria é Rainha de misericórdia até para os mais miseráveis

Podemos, porventura, temer que Maria desdenhe empenhar-se pelo pecador, por vê-lo tão carregado de pecados? Ou acaso nos devem intimidar a majestade e a santidade desta grande Rainha? Não, diz o Papa São Gregório; porque, quanto Ela é mais excelsa e mais santa, tanto é mais doce e mais piedosa para com os pecadores que se querem emendar e a Ela recorrem. A majestade dos reis e das rainhas causa temor e faz com que os súditos temam chegar à sua presença. ‘Mas onde estão, pergunta São Bernardo, os infelizes que podem ter medo de apresentar-se a esta Rainha de Misericórdia? Nela nada há de terrível nem de severo. É toda benigna e amável para os que a procuram’ [...].

Tende, pois, piedade de nós, ó Rainha de misericórdia, e cuidai em salvar-nos. ‘Não digais, ó Virgem Santíssima –– parece acrescentar São Gregório de Nicomédia –– que não vos é possível socorrer-nos, por ser grande a multidão de nossos pecados. Pois não há número de culpas que possa exceder ao vosso poder e amor’.

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Nota:

(*) Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Editora Vozes, Petrópolis, 1957, pp. 23 e ss.