Setembro de 2008
Escalada ao alto dos píncaros
Ambientes, Costumes e Civilizações

Escalada ao alto dos píncaros

Símbolo de que o Reino do Céu é dos violentos

Plinio Corrêa de Oliveira


Uma montanha desafiando o homem: quem terá a coragem de empreender a escalada?

O desafio está na atração. Não há quem não sinta vontade de chegar até o alto. Não há quem não deseje banhar-se na luz exposta neste panorama e ficar imerso nela. Mas, que pedras escorregadias... Que caminhos resvaladiços e difíceis... Quanta energia será necessária!

Grande lição moral! Realmente, as grandes luzes estão nos píncaros. Píncaros da virtude, da fé, da sabedoria. Mas é preciso força para galgar esses píncaros. Diz Nosso Senhor no Evangelho que o Reino do Céu é dos violentos. E só com violência ele pode ser conquistado.

Na Terra, o homem não existe apenas para o gozo da vida, mas para ser herói, para ter uma alma capaz de praticar grandes ações.

Imaginem este panorama sem elevações; todo seu equilíbrio ficaria prejudicado. As montanhas existentes na Terra são colunas necessárias ao equilíbrio terrestre.


O panorama parece de um conto de fadas. A neve apresenta-se tão apetecível, que se tem vontade de comê-la com uma colher. Pensa-se num trenó com renas puxando-o velozmente pelas neves. Mas depois disso, quem não cogitará em galgar a montanha e não sentirá tristeza em não poder escalar até o mais alto? Píncaro que pode ser atingido por ascensões penosas, convidando os homens a escaladas ainda mais árduas, e que evoca o céu de todos os ideais.

A Sagrada Escritura qualifica Nossa Senhora como “mons super montes positum” — um monte colocado sobre todos os montes. O pico mais alto da montanha representa Nossa Senhora, mais virginal, mais nívea, mais pura do que tudo que se possa imaginar. Os outros picos podem simbolizar os santos da Igreja Católica: alvos, brilhantes, elevados. Mas nenhum chega até Ela. Acima da Virgem Santíssima, apenas Deus, representado pelo céu de anil que criou, para indicar-nos estar Ele acima de tudo, e que só na outra vida O atingiremos.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de fevereiro de 1974. Sem revisão do autor.