Agosto de 2002
Nosso Senhor Jesus Cristo do Apocalipse
Ambientes, Costumes e Civilizações

Nosso Senhor Jesus Cristo do Apocalipse

Glorificação da Justiça Divina

Plinio Corrêa de Oliveira

No vitral à direita (detalhe) da famosa Sainte Chapelle, em Paris, contemplamos o Cristo do Apocalipse, figurando acima a foto de outro vitral da mesma capela. Trazer o gládio na boca é um símbolo do batalhador, do cavaleiro, daquele que luta. É a idéia da batalha. Ou seja, a idéia de que Ele vencerá e atirará ao inferno os inimigos impenitentes está presente aí. É uma glorificação da justiça de Deus.

Trata-se de uma visão de São João Evangelista no Apocalipse [1,16 e 19,15]. Portanto, uma cena inspirada. Se procurarmos, nas igrejas que conhecemos, uma imagem que represente Nosso Senhor com o gládio na boca, creio que não encontraremos. Acho até que muitos fiéis não seriam capazes de rezar diante dessa imagem.

Mas se nós possuíssemos uma imagem desta, eu arranjaria um local para colocá-la numa sede da TFP. Nós adoramos todas as manifestações da divina mansidão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas no Divino Redentor não reside apenas a mansidão, há também a força. A força gladífera, que traz o gládio, a justiça e a santa cólera. E como nosso Salvador é perfeito, adoramos também isso n'Ele. E não O adoramos menos do que na sua mansidão divina.

Nosso Senhor do Apocalipse

Encontramos, então, nesta representação, o que imagino para alguma igreja no futuro, quando a Civilização Cristã for restaurada: uma imagem deste gênero ou um imenso vitral, apresentando assim o Homem-Deus. E exposto à devoção dos fiéis, para ser objeto de oração e de pedidos.

Pedir o quê? O temor a Ele, implorando-Lhe o temor do inferno, para o qual Ele acena nessa representação. Pedir o horror ao pecado, pelo medo das penas do inferno.

É o primeiro passo para depois se amar inteiramente a Deus.



Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 12 de abril de 1989. Sem revisão do autor.