Outubro de 2002
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
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Ambientes, Costumes e Civilizações

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


Atitude simbólica do ato de homenagem e obediência

Plinio Corrêa de Oliveira

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (séc. XVI) — João Lombardos, Museu Bizantino de Atenas

A pintura que figura nesta contracapa é de inspiração bizantina e não se deve ver nela o gênero de beleza que apresentam nossas imagens ocidentais.

Se por belo se entende a fisionomia bem cortadinha, bem arranjadinha, carinha de boneca, então essa pintura não é bonita. Ela é de outras eras, provém de séculos atrás. Entretanto, tem muita expressão, e é tal expressão que se deve analisar.

Trata-se da pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Invocação muito bela, porque indica a misericórdia invariável de Nossa Senhora. Perpétuo Socorro: um socorro, um auxílio, um ato de misericórdia, um ato de piedade perpétuo. Quer dizer, ininterrupto, que não se detém nunca, que não se suspende nunca. “Nunca”, ou seja, em nenhum minuto, em nenhum lugar, em nenhum caso. Por pior que seja a situação de quem recorra a Ela, como é Mãe de Misericórdia, socorre sempre.

***

O que dizer dessa fisionomia?

imagem é muito expressiva, devido à sua atitude profundamente materna. Vê-se a Mãe que carrega seu Filho com uma naturalidade e um afeto extraordinários. A expressão de olhar da Santíssima Virgem é recolhida, de quem reza.

De outro lado, para mim, o simbolismo mais tocante é o gesto com que o Menino Jesus se apóia na mão de Nossa Senhora, e como Ela segura as duas mãos do Divino Infante.

Era exatamente o símbolo de homenagem e de obediência antigos: a mão do inferior, ficar posta na mão do superior, indicava o domínio deste último sobre aquele. Então, para indicar o valor da oração de Nossa Senhora, o artista representou o Menino Jesus prestando esse ato de obediência a Nossa Senhora.

A estrela, no véu de Nossa Senhora, indica que Ela é a estrela que nos guia no mar desta vida até o Céu.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 8 de novembro de 1968. Sem revisão do autor

Segundo a tradição, a pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi trasladada de Creta para Roma por um negociante, tendo permanecido na igreja de São Mateus até 1812, sendo levada depois para uma capela dos agostinianos.

Em 1866, o Geral dos Redentoristas obteve do Papa, Bem –aventurado Pio IX, a custódia da imagem, divulgando-a então largamente, o que tornou a pintura uma das estampas de Nossa Senhora mais populares em todo o mundo. A foto é de uma pintura que se encontra no Museu Bizantino de Atenas, baseada no quadro original.



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