Junho de 2013
Torre de Belém
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Ambientes, Costumes e Civilizações

Torre de Belém

 A beleza artística coincide com a utilidade militar

 Plinio Corrêa de Oliveira

 

A Torre de Belém, em Lisboa, de tal maneira causa a impressão de ser um castelo, e não uma simples Torre, que até se poderia perguntar como uma Torre pode ser tão bela! Ela ostenta a pompa e a imponência de um castelo de conto de fadas, com sua pedra branca que brilha ao sol.

As paredes da Torre são lisas, mas a monotonia delas é remediada pelas pequenas janelas geminadas, divididas por um arco gracioso, e o terraço. Também ajudam a quebrar a monotonia as guaritas, bem nos ângulos da Torre. Temos então reunidos, numa superfície pequena, uma sobrecarga de ornatos que lembra uma caixa de joias, um escrínio. Assim, ficamos com a sensação de uma harmonia perfeita.

Consideremos as ameias em torno da Torre. Eram destinadas aos guardas que vigiavam a edificação, concebida para a defesa de um ataque adversário. Ela apresenta também uma série de escudos com a Cruz de Cristo, lembrando as glórias do reino. A beleza artística coincide com a utilidade militar.

No alto da Torre, com dimensão menor do que ela, ergue-se um torreão mais estreito, que possibilita a ronda dos guardas. Mas, além da razão militar, há uma vantagem estética.

A primeira linha de defesa da Torre é o terraço. Em baixo, notam-se pequenas aberturas gradeadas, indicando a presença de calabouços. A largura do terraço tem uma certa relação estética com a altura da Torre, mais ou menos como a rainha estaria para a cauda de seu vestido. A rainha de pedra tem uma cauda de pedra, olha altiva para a cidade de Lisboa e, dominadora, encara o mar.

No terraço, quando partiam as esquadras portuguesas para as conquistas ultramarinas, o próprio rei comparecia para apreciar a partida da armada. Às vezes acompanhado da rainha, de membros da família real, da Corte, de prelados, guerreiros, magistrados, todos esplendidamente vestidos. Eles ocupavam os terraços dos quais pendiam tapeçarias. O colorido era magnífico! Pode-se imaginar a beleza do cenário com aquelas naus avançando com o estandarte e a Cruz da Ordem de Cristo nas velas. A esquadra, com vários navios passando diante de El Rei, os navegantes fazendo reverências, tiros de obus disparados e as naus desaparecendo aos poucos nas águas do rio Tejo e depois no Atlântico.

Por essa Torre passou a esquadra de Cabral, que iria introduzir no mundo essa realidade chamada Brasil!

____________________________________________________________________

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de janeiro de 1977. Sem revisão do autor.

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão