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Memória

Impressionante previsão de hábil manobra revolucionária

A aliança entre Alemanha nazista e Rússia comunista, bem como, posteriormente, a ruptura de tal aliança em 1941, foram previstas e documentadas nas páginas de “O Legionário”, pela pena de seu diretor o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira

Juan Gonzalo Larrain Campbell

Transcorrendo neste ano o sexagésimo aniversário do término da II Guerra Mundial, trazemos a lume alguns prognósticos de Plinio Corrêa de Oliveira feitos durante esse conflito, um dos mais importantes acontecimentos do século passado.

Assinatura do pacto Ribbentrop-Molotov. Ninguém imaginava que pouco tempo depois ocorreria a ruptura teuto-russa
Em suas edições de fevereiro e abril/1995, Catolicismo analisou a previsão feita pelo Prof. Plinio da eclosão da II Guerra Mundial. Ele havia antecipado também um dos fatos mais vergonhosos ocorrido pouco antes: o pacto Ribbentrop-Molotov, o famoso tratado de não agressão entre a Alemanha nazista e a Rússia comunista. Tal prognóstico, realizado com dois anos de antecedência, impressiona por seu acerto.

O caráter sensacional desta previsão fica patenteado quando se atenta para o fato de que nada então indicava a possibilidade de tal pacto.  É eloqüente, entre outros, o testemunho publicado na revista francesa “Historama”:

“Quando foi conhecida na França e na Grã-Bretanha, no mês de agosto de 1939, a assinatura do pacto de aliança germano-soviética, triunfo da diplomacia de Berlim, a opinião pública foi traumatizada. [...] O pacto germano-soviético surpreendeu a diplomacia ocidental em 1939”.(1)

De alcance não menor que a referida acima, foi a previsão feita pelo Prof. Plinio da ruptura teuto-russa, como manobra revolucionária montada pour épater les bourgeois.

Nos dois primeiros anos da guerra, a aliança nazi-comunista ajudou muito a Hitler. De fato, contando com a neutralidade russa, os exércitos nazistas, após conquistar a Polônia, atacaram os Bálcãs e se apoderaram da Tchecoslováquia. Sem preocupação com a frente oriental, concentraram seus esforços na conquista da Europa ocidental, invadindo a Holanda e a Bélgica para dominar a França e atacar a Inglaterra.

Grande Segredo, proibido até de se escrever

Em junho de 1941, porém, mais uma vez a opinião pública mundial foi surpreendida com o ataque da Alemanha à Rússia. A respeito do caráter inesperado deste ataque, são bem sintomáticas as palavras que o general Guderian — um dos mais importantes militares nazistas que participaram da invasão da Rússia — pronunciou em Nuremberg:

“Eu percebi o primeiro indício de uma guerra com a Rússia no outono de 1940, depois da visita de Molotov a Berlim. O chefe do Estado Maior, Helder, falou-me de uma operação em estudo, que devia ser levada a cabo por três grupos de exércitos [...]. O segredo era tão grande, que era proibido escrevê-lo em qualquer circunstância.

“Fiquei espantado. Pensara que não teríamos que combater senão numa frente, e que nossa amizade com a Rússia soviética poderia ser salvaguardada”. (2)

Entretanto, aquilo que surpreendeu o próprio general alemão, e era tido como segredo de guerra pelo alto comando nazista em 1940, já havia sido prognosticado por Plinio Corrêa de Oliveira em 1939.

Guiado pela convicção profundamente racional da unidade do processo revolucionário e, em conseqüência, da solidariedade de fundo existente entre seus agentes (no caso, o nazismo e o comunismo), ele nunca se deixou enganar pelas dissensões, mesmo as mais aparatosas, que surgissem entre eles.

Além disso, compenetrado de que o móvel profundo dos agentes da Revolução mundial é destruir a Igreja Católica e a Civilização Cristã, analisava a situação política internacional com esse fundo de quadro, que nele encontrava uma inigualável solidez de princípios, podendo assim discernir e denunciar os desígnios mais ocultos da Revolução com um acerto nunca desmentido.

Bastidores da ruptura da Alemanha com a Rússia

Analisando o horizonte da sitação mundial, em dezembro de 1940 o Prof. Plinio revelou a falsidade do vaivém germano-russo. Na foto, o ditador nazista
No caso do vaivém nazi-comunista, para os interesses da Revolução mundial a vitória podia ser outorgada a um ou outro, dependendo das circunstâncias do momento. Apesar das imensas vantagens que a Alemanha obteve aliando-se à Rússia, desde 1939 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira começou a alertar os espíritos para uma eventual ruptura teuto-russa, que terminou por se concretizar em junho de 1941.

Durante esse período, a impopularidade do nazismo ia crescendo, inclusive dentro da Alemanha, o que foi tornando cada vez mais difícil alcançar a meta revolucionária de conquistar o mundo através do socialismo pardo. Tornava-se necessário dissociar o nazismo do comunismo, de maneira que este ficasse ao lado dos vencedores (aliados) e se tentasse por meio do comunismo o avanço da Revolução no mundo.

Como dissociá-los? Fazendo a Alemanha atacar a Rússia. Foi precisamente o que ocorreu.

Continuando, passamos a documentar o itinerário das hipóteses que conduziram o insigne pensador católico a formular esta previsão.(3)

1 – É possível que Hitler e Stalin brinquem de inimigos

Stalin, o ditador comunista, co-autor da referida manobra política
Em artigo significativamente intitulado “Confusão”, no qual analisa os movimentos de bastidores da política internacional, Plinio Corrêa de Oliveira levanta a hipótese de que Hitler e Stalin voltem a fingir que são inimigos:

“Não há, no jogo de parceiros feito pelos dois ditadores totalitários, pelo ditador rubro e pelos ditadores democráticos, nenhum interesse em desmascarar de tal forma a recíproca solidariedade. Foi uma inabilidade, sob este ponto de vista, o pacto teuto-russo. É possível que, dentro em breve, Hitler e Stalin brinquem novamente de inimigos, ‘pour épater les bourgeois’ e despistar o público”.(4)

2 – A mascarada nazi-soviética pode recomeçar

Perscrutando o horizonte da situação mundial, em dezembro de 1940 o Prof. Plinio revelava a falsidade do vaivém teuto-russo, levantando novamente a hipótese de uma eventual ruptura:

“A política internacional continua cheia de mistérios, entre os quais o mais importante é o das relações teuto-russas. As duas potências totalitárias parecem estar representando para o mundo inteiro uma farsa de esconde-esconde. Ora deixam cair a máscara de sua pseudo incompatibilidade e apresentam ao público suas faces idênticas de irmãs siamesas, ora cobrem-se novamente com a máscara de inimigos iracundos, e ameaçam travar entre si uma luta de morte. No meio de tudo isto, o público crédulo e ingênuo fica sem saber o que pensar. E assim, a mascarada vai continuando enquanto os atuais senhores do mundo quiserem”.(5)

E uma semana depois, insistia:

O Legionário já tem afirmado reiteradamente que a mascarada nazi-soviética pode de um momento para outro recomeçar, e que, hoje ou amanhã, bem pode ser que Moscou e Berlim reencetem a comédia de seu recíproco antagonismo, com a qual tão sensíveis vantagens auferiram algum tempo atrás”.(6)

3 – Guerra contra o catolicismo: meta última de Hitler

Finalizando o ano 40, prognosticava:

“No momento em que escrevemos, os jornais acentuam as perspectivas de agressão nazista à Rússia, aberta pela invasão dos territórios húngaros e romenos por tropas alemãs destinadas, ao que parece, a uma grande ação militar de fins ainda ignorados.

O Legionário já teve ocasião de dizer insistentemente, em mais de um de seus números, que a hostilidade fictícia do nazismo contra o comunismo, amainada oficialmente (oficialmente, sim, e só oficialmente, pois que no terreno concreto nunca houve luta e nada havia a amainar) por interesses políticos de momento, poderia de um instante para outro readquirir novo vigor, sendo muito do feitio do ditador nazista dar um golpe rijo no comunismo, apresentar-se assim à humanidade como um novo Constantino, e, prestigiado pelos louros desta vitória ‘cristã’, empreender mais resolutamente do que nunca a guerra ao Catolicismo”.(7)

4 – Ruptura da colaboração germano-soviética

Como Plinio Corrêa de Oliveira previra, a Alemanha rompeu o tratado assinado com a Rússia e a invadiu em junho de 1941
Um mês antes da agressão nazista, o Prof. Plínio prenunciava, contra todas as expectativas, que a Alemanha poderia atacar a Rússia:

“Como todos vêem, a colaboração germano-russa está atingindo seu auge pela intervenção ativa da Rússia, ao lado da Alemanha, na política asiática.

“O Legionário já previu longamente tudo quanto se está passando. E, exatamente agora, quando parece ter chegado a seu zênite esta colaboração, permitimo-nos adiantar mais uma coisa a nossos leitores, coisa esta que certamente lhes causará surpresa: no pé em que estão essas relações, tanto é possível que durem longamente quanto que, de repente, a Alemanha agrida a Rússia. E tudo isso sem que deixe de ser perfeitamente real a simbiose nazi-comunista. Qui vivra verra”.(8)

No mês seguinte, a Alemanha invadia a Rússia…

Jornalista autenticamente contra-revolucionário

Plinio Corrêa de Oliveira (de pé, à esquerda), e à direita sua mãe, Da. Lucília Ribeiro dos Santos Corrêa de Oliveira, na cerimônia de inauguração das máquinas do “Legionário”
A propósito da previsão desse ataque, cujo conhecimento prévio espantara até o general Guderian, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 40 anos depois, conversando com um amigo, comentou:

“Eu me lembro perfeitamente de mim mesmo escrevendo os ‘7 dias em Revista’ [nome de uma seção de “O Legionário”] de 18-5-1941, prevendo a ruptura germano-russa, na minha velha máquina de escrever, às pressas e pensando comigo mesmo: ‘Com esta previsão que estou fazendo, e que vai se cumprir, se eu fosse um jornalista revolucionário de um jornal qualquer, eu ficaria famoso no mundo inteiro. Mas estou escrevendo isso, e ninguém dará a mínima importância”.

É certo que altos poderes do mundo atual, estando em mãos revolucionárias — sejam quais sejam as cores com que se apresentam, as metamorfoses que se vêem obrigados a realizar, e os retrocessos táticos mais inesperados a que tenham que recorrer —, têm feito todo o possível para silenciar a voz do único varão que denunciou e desvendou a Revolução em toda sua amplitude. Não podendo silenciar completamente essa voz, têm procurado desfigurá-la, diminuí-la, desvirtuá-la e persegui-la, para tirar-lhe a plenitude de sua combatividade contra-revolucionária.

Mas não temos a menor dúvida em nosso coração de que dia virá, como Nossa Senhora prometeu em Fátima, em que tais poderes revolucionários serão pulverizados com o triunfo de seu Imaculado Coração. E que, a partir desse momento, Plinio Corrêa de Oliveira será reconhecido, por um mundo regenerado, como o homem providencial, o autêntico guerreiro e guia da Contra-Revolução.(9)

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Notas:

1. “Historama”, Paris, nº 280, p. 97.

2. Raynard Cartier, Comment Hitler a perdu la bataille de Moscou, “Historama”, nº 246, 5/72, p. 58.

3. É preciso deixar claro que a ruptura nazi-comunista não invalidava a tese da união ideológica de fundo de ambos os regimes. Com efeito, isto foi provado ad nauseam pela atitude de Hitler durante a guerra, especialmente a partir de 1943, quando concentrou todos os seus esforços na frente ocidental, deixando praticamente a Rússia livre para conquistar os países da Europa oriental, onde estabeleceu sua tirania vermelha durante mais de 40 anos. Na ocasião, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu vários artigos sustentando essa tese, que a História se encarregou de confirmar.

4. Confusão, “Legionário”, nº 366, 17-9-1939.

5. 7 dias em revista, “Legionário”, nº 429, 1-12-1940.

6. 7 dias em revista, “Legionário”, nº 430, 8-12-1940.

7. 7 dias em revista, “Legionário”, nº 433, 29-12-1940.

8. 7 dias em revista, “Legionário”, nº 453, 18-5-1941.

9. Todas as referências neste artigo às palavras “Revolução” e “Contra-Revolução” são empregadas no sentido que lhes deu Plínio Corrêa de Oliveira, em sua obra Revolução e Contra-Revolução.

 

 

 

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