Novembro de 2000
Dois modos de ser do espírito militar brasileiro
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Ambientes, Costumes e Civilizações

Dois modos de ser do espírito militar brasileiro

Plinio Corrêa de Oliveira

Dois Estados de nossa Federação  – muito distantes geograficamente entre si, cujos habitantes têm temperamentos também bastante diferentes – apresentam fortes tendências ao militarismo: Rio Grande do Sul e Ceará.

Militarismo gaúcho: provém do vleho coronelismo agrícola, com algo de feudal
O primeiro é militar sobretudo porque está situado na fronteira.
Houve no passado conflitos com nossos vizinhos, o que explica ser -- entre os sul-rio-grandenses -- o senso de guerra e de luta muito mais intenso do que entre os habitantes de Estados não fronteiriços, para os quais a guerra afigura-se como uma coisa distante. Para os gaúchos, não! A guerra travou-se no seu próprio território. Decorre daí que uma parte considerável do contingente militar brasileiro foi, até passado recente, constituído por gaúchos.

Há um modo gaúcho de ser militar. O militarismo sul-rio-grandense tem algo de feudal.

A raiz desse tipo de militarismo provém do velho coronelismo agrícola brasileiro. Fazendeiros com extensões de terras quase ilimitadas, enormes plantações de mate, criações de gado e grandes populações habitando suas fazendas. Eles eram os senhores nessas terras. A solidariedade patrões-empregados era total.

Isso fazia com que, em cada guerra de fronteira, os fazendeiros – homens fortes, sólidos e dominadores –  e seus peões fossem para a luta como unidades militares. Viviam à militar – chapelão, botas altas, laço vermelho no pescoço, poncho. E não dispensando o chimarrão, com aquela bombilha de prata, e empreendendo céleres cavalgadas pelas vastidões dos pampas.

*    *    *

Cavaleiros cearenses: d'Artagnans da caatinha...
Terá a configuração geográfica e climática do Estado do Ceará influenciado o modo de ser militar cearense?
Terra seca, populações vivendo em meio àquela natureza árida...

O espírito combativo não é o do senhor – acentuadamente com uma base na terra e mandando em gente que faz parte da raiz dele, como os gaúchos – mas é de cavaleiros em correrias e tropelias por aqueles imensos sertões, quase desérticos. Uma espécie de faroeste norte-americano do século passado, mas adaptado às condições brasileiras e ao temperamento nacional.

...homens com espírito de aventura, em correrias e tropelias pelos sertões quase desérticos
Homens sem aquele ar estável e firme do gaúcho, que me parece simpático. Mas com outro modo de ser, que julgo simpático também – o de homens com o espírito de aventura, uma espécie de d´Artagnans da caatinga... Dando origem a figuras humanas legendárias como o Padre Cícero, que brasileiro nenhum desconhece.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP, em 14 de março de 1987. Sem revisão do autor.

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