Maio de 2007
Paz no campo significa “tolerância zero” com o MST e congêneres
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Entrevista

Paz no campo significa “tolerância zero” com o MST e congêneres

O Brasil precisa de paz para produzir e que seus homens públicos sejam sensíveis ao grito de socorro do campo: chega de invasões e de confiscos promovidos por uma Reforma Agrária socialista

Paz no campo significa “tolerância zero” com o MST e congêneres

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto de Dom Pedro II e bisneto da Princesa Isabel, a Redentora, é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP. Coordenador e porta-voz do movimento Paz no Campo, tem percorrido o Brasil fazendo conferências para produtores rurais e empresários, em defesa da propriedade privada e da livre iniciativa. Nessas conferências, alerta para os efeitos deletérios da Reforma Agrária e dos movimentos ditos sociais, que querem afastar o Brasil dos rumos benditos da Civilização Cristã. Catolicismo entrevistou Dom Bertrand, que esclarece nossos leitores sobre os princípios que justificam a campanha por ele coordenada.

* * *

Catolicismo — A campanha Paz no Campo, o que representa?

Dom Bertrand — Diante das contínuas violações do direito de propriedade no campo, através de invasões de fazendas pelos movimentos ditos “sociais” como o MST e congêneres, inspirados e insuflados pela CPT (Comissão Pastoral da Terra, da CNBB), de uma legislação que visa impor uma Reforma Agrária socialista e confiscatória, e de uma ação articulada para perseguir o agronegócio, é indispensável que os agricultores se unam e tenham os argumentos para defender seus legítimos direitos. Para isso percorremos o Brasil fazendo conferências, visitando feiras agropecuárias e procurando aglutinar e motivar os produtores rurais. Agora lançamos o Movimento Paz no Campo, que pretende representar um basta a toda essa perseguição ideológica que se faz contra o produtor rural.

Pleiteamos, portanto, uma política de “tolerância zero” e "financiamento zero" para o MST e movimentos congêneres, o que traria de imediato o fim de toda essa baderna que se instalou no campo brasileiro.

Catolicismo — No centro desse debate estaria a propriedade privada versus a coletivização do campo?

Dom Bertrand — O direito de propriedade não decorre da lei, nem de convenções. É um direito natural que antecede ao Estado — e que o Estado deve garantir –– como são direitos naturais a vida, a educação, o salário justo e familiar, etc. O Estado tem a obrigação de garantir, e não pode passar por cima desse direito.

Todo homem, por ser inteligente e livre, é dono dos frutos de seu trabalho. Se assim não fosse, ele seria um escravo do Estado. Tudo decorre da natureza do homem, como Deus o criou. Nenhuma lei pode mudar a boa ordem posta por Deus na Criação. A lei positiva deve garantir a propriedade privada, como estabelecem dois Mandamentos da Lei de Deus: o 7º, “Não furtarás”; e o 10º, “Não cobiçarás as coisas alheias”.

A “esquerda católica” ignora os reiterados pronunciamentos pontifícios e dá apoio maciço ao MST

Catolicismo — O direito de propriedade decorre da própria liberdade do homem?

Dom Bertrand — O homem trabalha o necessário para seu sustento. Ele pode também trabalhar algo a mais do que para o próprio sustento. Dia após dia, ele acumula esse algo a mais, forma um capital. O Papa Leão XIII exatamente define o capital como sendo trabalho acumulado.

Com isso ele não só atende às necessidades essenciais de sua família, mas compra a sua casa, um automóvel, um sítio, uma fazenda, etc. Tudo isso é fruto de seu trabalho e lhe pertence.

Catolicismo — Será por assumir a doutrina socialista que a “esquerda católica” abomina a propriedade privada?

Dom Bertrand — Apesar de apresentar-se freqüentemente como se fosse a própria Igreja, a “esquerda católica”, de fato, não segue os ensinamentos tradicionais dos Papas em matéria social. Os ensinamentos pontifícios constituem um monumento vivo de como se deve pensar e agir. Lembro-me neste momento de um trecho de Leão XIII na encíclica Rerum Novarum: “Fique bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer para todos os que querem sinceramente o bem do povo é a inviolabilidade da propriedade particular”.

A “esquerda católica” ignora esse e outros reiterados pronunciamentos pontifícios e dá apoio maciço ao MST, à Via Campesina e outros movimentos que promovem invasões e desordens. Na verdade, não se trata apenas de apoio, o MST foi gerado pelas Pastorais da Terra.

A experiência histórica mostra que a propriedade comunitária — regida ou não pelo Estado — traz a miséria, pois favorece o desinteresse e a preguiça. É o que se viu no fracasso da antiga União Soviética. É o que se vê na Cuba atual e nos assentamentos da Reforma Agrária no Brasil.

Catolicismo — Se a livre iniciativa e a propriedade privada são justas e necessárias para o desenvolvimento do homem e progresso da sociedade, por que a querem abolir?

Dom Bertrand — Por trás dessas questões, há uma doutrina igualitária. Segundo essa doutrina marxista, se todos devem ser iguais, é injusto que uns possuam mais que os outros.

É também uma revolta contra as desigualdades justas, harmônicas e complementares, que Deus colocou na natureza: desigualdades de inteligência, de força de vontade, de sensibilidade, de ocasiões, etc., que acarretam diferentes aptidões. Uns são chamados a ser médicos, outros músicos, entalhadores, pintores, agricultores, engenheiros, etc. E daí decorrem orgânica e legitimamente desigualdades de fortunas.

Catolicismo — Alguns costumam alegar que algumas desigualdades são muito grandes...

Dom Bertrand — É claro que poderá haver desigualdades exageradas e malsãs: essas devem ser, dentro da medida do possível, atenuadas pela caridade cristã e, se necessário, combatidas. Mas nunca deve ser imposto o igualitarismo, que se opõe à natureza criada por Deus.

As pessoas de mentalidade comunista querem impor o igualitarismo, porque é através dele que se chega ao comunismo. No manifesto de Marx e Engels, de 1848, lê-se: “Os comunistas podem resumir sua teoria nesta única fórmula: abolição da propriedade privada”.

Catolicismo — A Reforma Agrária irremediavelmente leva ao socialismo?

Dom Bertrand — Historicamente, em todas as nações em que o comunismo se implantou, o primeiro e mais importante passo para impor o igualitarismo socialista sempre foi a Reforma Agrária. Ela quebra a produção no campo, tornando com isso inviável a vida normal nas cidades, e cria as condições para a ação de um Estado onipotente que estabelece o igualitarismo. Depois da Reforma Agrária vêm as outras reformas: Urbana, Empresarial, Bancária, etc. A Reforma Agrária é apenas o primeiro passo rumo ao socialismo.

Aliás, um documento básico do MST, aprovado pelo VI Encontro Nacional, diz textualmente: “As ocupações e outras formas massivas de luta pela terra vão educando as massas para a necessidade de tomada do poder e da implantação de um novo sistema econômico: o socialismo”.

Catolicismo — Também se alega que a Reforma Agrária resolveria o problema do desemprego.

Dom Bertrand — Somente com o aumento da produção entre 2003 e 2004, o agronegócio criou 1,3 milhão de empregos novos, diretos e indiretos, segundo o então Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Ao passo que, para assentar um pouco mais de 60 mil famílias, gerando favelas rurais, gastaram-se a fundo perdido bilhões de reais. Aliás, como está comprovado, grande número de assentados abandonam seus lotes, pouco depois de os receberem, e vão invadir outras propriedades.

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