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Nas candidaturas: falta de verdadeiras opções.
Nos debates: falta de definição ideológica.

O Brasil rumo a um pleito eleitoral decisivo em sua história, que pode tornar-se um novo e agravado “estelionato eleitoral”! A legitimidade e a autenticidade da democracia representativa postas em causa pela ausência de candidatos que representem, de modo claro e sem rodeios, o amplo setor centrista e conservador de nosso público, e pela carência de debates sérios a respeito de transformações que alteram em profundidade a sociedade, destruindo suas raízes cristãs.
Análise e propostas da TFP-Fundadores

O ano de 2006 iniciou-se sob os efeitos de um verdadeiro pesadelo político: a crise de denúncias e revelações que, há muitos meses, se desenrola ante o olhar atônito, surpreso e já cansado da opinião pública, assombrando o Brasil e imergindo o País num ambiente caotizado e de aviltamento das instituições.

O PT – que sempre se apregoou como partido da ética, e sob essa bandeira conquistou espaço no cenário político nacional – viu boa parte de sua cúpula demitir-se sob o peso de gravíssimas acusações. E um dos seus mais destacados dirigentes, José Dirceu, ministro todo-poderoso do Presidente Lula, renunciou e posteriormente teve seu mandato parlamentar cassado, bem como seus direitos políticos suspensos por dez anos.

Deteriorando ainda mais o cenário político, ao trágico das denúncias soma-se agora a tentativa, cada vez mais explícita, de manter impunes os acusados.(*) Tentativa que se estende ainda aos integrantes de partidos da base aliada, envolvidos no escândalo, e que tem contado com o apoio até de figuras decisivas de partidos da oposição.

(*) “Foi uma pajelança. Sob o mote ‘errar é humano’, proclamado pelo presidente Lula, o PT fez da festa dos seus 26 anos, em Brasília, a celebração da impunidade. O ritual de exorcismo purificou a alma petista das culpas que nela ainda pudessem subsistir pelos ilícitos de corrupção cometidos em nome de um projeto de poder que presumivelmente transfiguraria a face social do País. (...)

“O roteiro é conhecido. O mensalão não existiu, apenas o caixa 2 – o que se faz ‘sistematicamente’ na política brasileira, atenuou Lula numa entrevista em Paris. (...)

“Diante disso ‘dessa gente que fica jogando casca de banana’, nas palavras de Lula, nem os companheiros faltosos merecem ser execrados” (O PT exorciza a sua culpa, Notas & informações, “O Estado de S. Paulo”, 15-2-2006).

Não é de estranhar que o descrédito da classe política se torne dia a dia mais palpável e a autenticidade representativa do regime democrático seja cada vez mais posta em causa.

É nesse ambiente degradado e confuso que os brasileiros começam a ver definirem-se os contornos da corrida eleitoral à Presidência, de outubro próximo.

Os primeiros passos já fazem sobressair o caráter eleitoreiro de nossa política, com sua forte carga demagógica e personalista, sua desfaçatez, seu oportunismo desenfreado, sua ambição desmedida, seu vazio de idéias, prenunciando uma eleição – novamente! – túmida de inautenticidade.(*)

(*) O editorial do “Jornal da Tarde”, intitulado A baixaria como regra, é claro a esse respeito: “A julgar pelos prolegômenos registrados no noticiário político, 2006 – tendo como destaque a campanha para a sucessão presidencial de outubro – estará a anos-luz de distância do ‘belo ano democrático’, de ‘bons debates para o futuro do País’, previsto pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ao contrário: o que se prenuncia é uma temporada de baixarias, que só não será inusitada porque as anteriores nunca foram grandes exemplos de nobres discussões sobre o interesse nacional” (12-2-2006).

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