Setembro de 2006
VOCAÇÃO DO POVO JAPONÊS
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Ambientes, Costumes e Civilizações

VOCAÇÃO DO POVO JAPONÊS

Capacidade de concentração de espírito

Plinio Corrêa de Oliveira


 
Bonsai

A respeito do povo japonês, direi algo que parece estar na linha da sua vocação: a capacidade de concentração de espírito, de abstrair, de caminhar para o teórico. Consta-me que os japoneses são bons jogadores de xadrez, em que se exerce exatamente essa qualidade.







Não existirá nessa impassibidade do japonês uma espécie de alheamento de si mesmo, de sono interior um tanto esquisito e indecifrável, talvez ligado ao budismo?

Outra característica: o gosto pela coisa miúda. Explica-se um tanto pelo panorama e pela própria anatomia do povo, que não é constituído por gigantões à moda sueca ou norueguesa, mas é um povo de estatura física tendendo para o miúdo, e ao qual se compreende que o miúdo possa comprazer. Tem-se então um apelo para a delicadeza de alma, para a elevação do espírito, para o enlevo com aquilo que é fino, mas de modo diferente do ocidental, pois ele continua inteiramente másculo, guerreiro e senhor de si.

Um atributo que não sei se é decorrência do pecado capital, mas se não for, dará uma pista para o encontrar: um certo silêncio, certo mutismo, certa impassibilidade. De onde provém? Resulta de um reflexo natural? A contemplação conduz, de fato, ao silêncio? Ela nasce do silêncio, mas postula a palavra, pede a comunicabilidade, a expansão. Não faltará esta expansão ao japonês clássico, tão quieto? Não existirá nessa atitude algo que é uma espécie de alheamento de si mesmo, de sono interior um tanto esquisito e indecifrável, talvez ligado ao budismo? Até que ponto o silêncio do japonês é meditação, ou é aquela soneira do Buda? Confesso que isto para mim, às vezes, se afigura como um enigma.


Nisseis de tipo racial completamente nipônico, nos quais não entrou uma gota de sangue brasileiro, possuem a expansão de espírito do ocidental

Entretanto, no nissei nascido no Brasil noto que ele é muito expansivo, aprecia a conversa, apresentando em relação a seus pais notável diferença. E me dá a impressão de estar um tanto aliviado. Algo de pesado, melancólico, sombrio, que não deixa de haver no japonês do Japão, se esvanece no nissei, notando-se uma tendência para o riso e a comunicação. Tenho observado alguns nisseis de tipo racial completamente nipônico, nos quais não entrou uma gota de sangue brasileiro ou outro sangue, e que possuem a expansão de espírito do ocidental.

Assim, tal transformação não resulta de um fator de raça, mas de uma tradição cultural.

Até que ponto, nessa mudança para a expansão ocidental, podem-se evocar influências cristãs? Acho que em medida não pequena, sobretudo com a graça do Batismo.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 22 de junho de 1970.
Sem revisão do autor.

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