Agosto de 2012
Alarmismo climático denunciado por Lord Monckton na <em>Rio+20</em>
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Entrevista

Alarmismo climático denunciado por Lord Monckton na Rio+20

Nosso entrevistado – que atuou na Conferência da Rio+20 – expõe com base em verdades científicas as falácias do movimento ambientalista, que usa do pânico no chamado “desenvolvimento sustentável” para conduzir ao estatismo socialista

Lord Monckton

“Há uma tentativa da ONU de se tornar efetivamente uma espécie de governo mundial, exercendo em maior escala uma soberania global com poder de governo”

Terceiro Visconde Monckton de Brenchley, Lord Christopher Monckton é conselheiro-chefe de política do Instituto de Ciências e Políticas Públicas de Londres.

Filho mais velho do segundo Visconde Monckton de Brenchley, estudou sucessivamente na Harrow School, no Churchill College e na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Em 1974 começou a trabalhar no jornal “Yorkshire Post”, e de 1977 a 1979 foi oficial de imprensa no Escritório Central do Partido Conservador.

Em 1979 tornou-se editor do jornal católico “The Universe”, e em 1981, editor-chefe do “The Sunday Telegraph’s Magazine”. Em 1982 retornou aos escritórios dos conservadores, desta feita como conselheiro político da primeira-ministra Margaret Thatcher, ali permanecendo até 1986.

Durante sua estadia no número 10 da Downing Street (residência do primeiro-ministro inglês), Lord Monckton prestou aconselhamento político sobre assuntos técnicos como hidrodinâmica de navios de guerra (trabalho que o levou a ser nomeado o mais jovem receptor do Hales Trophy for the Blue Riband of the Atlantic); modelagem estatística (prevendo o resultado das eleições gerais de 1983); pesquisa embriológica; hidrologia (levando à concessão de considerável assistência financeira a um país da Commonwealth para a construção de um projeto hidroelétrico que foi muito bem sucedido); análise de investimento de serviço público (economizando dezenas de milhões de libras); modelagem de bem-estar público (seu modelo de sistema de imposto e benefício era ao mesmo tempo mais detalhado que o modelo econômico do Tesouro e conduziu a uma grande simplificação do sistema de subsídio habitacional); e análise epidemiológica.

Após deixar o número 10 da Downing Street, Lord Monckton se tornou editor-assistente do então novo (e agora extinto) jornal “Today”. Seu último trabalho jornalístico foi como editor-consultor do “Evening Star”, de 1987 a 1992.

Desde então Lord Monckton dirige sua própria empresa de consultoria, dando aconselhamento técnico a corporações e governos. Em 1999, criou o Eternity puzzle (quebra-cabeça da eternidade), um puzzle geométrico que envolveu uma telha dodecagonal com 209 polígonos de forma irregular chamados polydrafters (esboçadores múltiplos). Um prêmio de um milhão de libras esterlinas foi conquistado após 18 meses. Naquela ocasião, 500.000 puzzles tinham sido vendidos. Um segundo enigma, chamado Eternity II, foi lançado em julho de 2007, recebendo um prêmio de US $ 2 milhões.

Nos últimos meses, Lord Monckton tem figurado no noticiário devido ao seu ceticismo quanto ao aquecimento global. Em novembro de 2006, publicou no “The Daily Telegraph” artigo largamente difundido criticando as opiniões dominantes sobre mudanças climáticas. Quando os senadores americanos Rockefeller e Snowe escreveram ao diretor executivo da ExxonMobil pedindo-lhe para deixar de financiar cientistas que negam o aquecimento global, Lord Monckton escreveu-lhes carta citando a Primeira Emenda da Constituição dos EUA e conclamando-os a mudar de posição ou a renunciar seus cargos. Em fevereiro de 2007, ele publicou uma análise e um sumário do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC sobre mudança climática.

A presente entrevista foi obtida durante a conferência Rio+20 pelo Sr. John Bascon, da TFP norte-americana, que esteve presente no Rio de Janeiro como representante daquela entidade.

* * *

Catolicismo — Quais são suas esperanças e temores em relação à Conferência Rio+20?

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, reuniu-se com os assessores para discutir meios de minar as soberanias nacionais, para que a ONU pudesse começar a exercer em maior escala uma soberania global com poder de governo

“Adicionando-se CO2 a uma atmosfera como a nossa, obter-se-á um aquecimento global. E devemos agradecer a Deus. Do contrário este planeta estaria gelado”

Lord Monckton — Minha principal dificuldade com essas conferências é que na realidade estamos em presença de uma burocracia governamental predatória, gananciosa, que suga de novas maneiras os contribuintes. Seus componentes pensavam ter descoberto a fórmula mágica com o aquecimento global, até constatarem que um pequeno grupo de cientistas, mas decidido, conseguiu demonstrar que eles tinham largamente exagerado. E agora a vasta maioria da população mundial é francamente cética quanto às alegações extremas e absurdas de que o nível do mar subirá até 20 pés e a temperatura subirá de 3º Celsius nos próximos 100 anos. Ninguém acredita mais nessas coisas como antes, e a ONU simplesmente mudou a abordagem de “mudança climática” para o assim chamado “desenvolvimento sustentável”, que é na prática uma insustentável ausência de desenvolvimento e a derrocada do capitalismo, embora a ONU espere que os capitalistas continuem pagando as contas dela.

A ONU é uma instituição corrupta. Pela primeira vez nesta Conferência, na série de exposições a que tenho assistido, ela me registrou, e a outros como eu, como delegado oficial de organização não-governamental, mas negou-nos acesso à sessão plenária, bem como à última versão do texto das negociações. Seus organizadores estavam visivelmente temerosos de que, se víssemos o que eles queriam fazer, iríamos divulgá-lo, como o fizemos frequentemente e com muito sucesso no passado; e então fizeram de tudo para evitar que nós ou outros nos inteirássemos do que estava acontecendo. Portanto, em que pese sua fachada de transparência, na realidade o que há é uma extrema impenetrabilidade e segredo.

Isso indica a existência de uma tentativa da ONU de se tornar efetivamente uma espécie de governo mundial. Em maio do ano passado, Ban Ki-moon, seu secretário-geral, reuniu-se com os assessores para discutir meios de minar as soberanias nacionais, para que a ONU pudesse começar a exercer em maior escala uma soberania global com poder de governo. Este é o objetivo. É claro que a grande mídia não vai falar disso, mas esta é a agenda da ONU, que ficou muito clara no projeto do Tratado de Copenhague de 15 de setembro de 2009. O projeto fracassou. Mas no ano seguinte, em Cancún, a ONU introduziu muitas medidas que haviam sido barradas em Copenhague, inclusive o estabelecimento de milhares de novas burocracias — não de burocratas, mas de burocracias — destinadas a constituir os núcleos do que deveria efetivamente tornar-se um governo mundial. A finalidade desse processo aqui é avançar aquele objetivo primordial. Agora, nas 182 páginas do projeto do Tratado de Copenhague, que era um projeto de governo mundial (e de fato, no tratado a palavra “governo” foi usada naquele contexto; não estou inventando, foram seus signatários que o afirmaram), em nenhum momento, nenhuma daquelas 182 páginas menciona democracia, urnas, eleições ou votos. O projeto era, e continua a ser, uma ditadura que se perpetua através da classe burocrática e governante. É isso o que mais temo.

Catolicismo — Tornou-se famoso o seu desafio a Al Gore, feito há alguns anos atrás, convidando-o para um debate público sobre o aquecimento global provocado pelo homem. Houve algum desdobramento? O que aconteceu?

Lord Monckton — O desafio foi entregue pessoalmente, in vellum, na sua enorme mansão em Tennessee (EUA), em março de 2007. Transcorreram desde então mais de cinco anos. E ainda estamos esperando resposta. Não admira que, transcorrido tanto tempo desde que fiz o desafio, eu esteja esperando sentado. É claro que Al Gore sabe perfeitamente que não ousaria debater este tema com ninguém. Ele exige que nenhum jornalista ou participante em qualquer de suas reuniões pergunte algo que não esteja previsto por escrito, porque necessariamente não saberia responder. Ele fica apavorado com a ideia de um debate. Mas o desafio continua em aberto. Como diz o ditado: “Você pode correr, mas não se esconder, e estou chegando para apanhá-lo!”.

Catolicismo — O aquecimento global tem alguma base na ciência?

A Antártica tem esfriado nos últimos 30 anos, desde que os satélites começaram a supervisionar, e, portanto, verificou-se ali uma substancial acumulação de gelo

“Minha estimativa é que veremos no próximo século o aquecimento de apenas 1.2 grau Celsius, 1.5 no máximo. Isto constitui um problema? Francamente, não”

Lord Monckton — Sim. Por exemplo, é verdade que se você adicionar CO2 à atmosfera ele irá, no simples espectro infravermelho, interferir com a radiação que sai à superfície da Terra, a qual se encontra quase inteiramente no próximo infravermelho, ou atinge seus ápices no próximo infravermelho, chegando muito próximo da área de absorção do CO2. Assim, se você adicionar CO2 a uma atmosfera como a nossa, obterá um aquecimento global. E devemos agradecer a Deus por tal fato, pois do contrário este planeta estaria gelado. E é graças ao fato de existir na atmosfera CO2, vapor d’água, um pouco de metano e outro tanto de óxido de nitro e ozônio, que somos um planeta quente, apesar de nossa grande distância do sol. Portanto, se aumentarmos a concentração de dióxido de carbono, digamos, duplicando-o no próximo século e meio, o que é grosso modo o que acontecerá independentemente do que eles estão dizendo nessas conferências, então se poderia talvez esperar um grau Celsius de aquecimento global. Isto é um problema? Não, porque a temperatura atual é de dois ou três graus Celsius abaixo da média dos últimos 750 milhões de anos (tanto quanto os cientistas conseguem ver, e ainda há incertezas). Você é jovem demais para lembrar-se, mas de modo geral, ela tem sido cerca de três a quatro graus Celsius acima da temperatura de hoje, e só flutua a oito graus Celsius, ou 3% de cada lado na escala da temperatura média, e no momento ainda estamos um pouco abaixo desta. Portanto, caso ela subisse um ou mesmo dois ou três graus Celsius, certamente não causaria muito dano. Mas não creio que veremos esse excesso de calor. Creio que teremos uma duplicação de um grau Celsius, o que não ocorrerá antes de 150 anos, apesar de existirem outros gases estufa que darão alguma contribuição. Minha estimativa é que veremos no próximo século o aquecimento de apenas 1.2 grau Celsius, 1.5 no máximo, como resultado das atividades humanas. Isto constitui um problema? Francamente, não.

Catolicismo — As calotas polares estão derretendo? E a elevação do nível dos oceanos é resultado disso?

Lord Monckton — Este é um dos muitos pontos a cujo respeito eles gostam de agitar histórias assustadoras. Os satélites começaram a medir a extensão do gelo marítimo em ambos os polos em 1979. Houve um pico na extensão deste gelo no século passado. E no Polo Norte houve uma perda definida e muito considerável em torno de 10 a 15% naquele período de 30 anos. Mas isso foi provocado, não inteiramente, mas quase, por um crescimento do gelo marítimo na Antártica, de maneira que na realidade a massa global do gelo marítimo não mudou muito nos últimos 33 anos. Houve um pequeno declínio nos últimos anos, mas nada realmente de relevante, nada além do que poderíamos ver como uma variação natural do clima. Há duas grandes massas de gelo na Terra. Uma é a Antártica, onde se encontram 90% do gelo do mundo, e a outra é a Groenlândia, com 5%. Agora, a Antártica tem esfriado nos últimos 30 anos, desde que os satélites começaram a supervisionar, e, portanto, verificou-se ali uma substancial acumulação de gelo.

Na Groenlândia a história foi diferente. Nos 12 anos entre 1992 e 2003 houve um visível crescimento de cerca de dois pés [cerca de 61 cm] na média total de espessura do gelo marítimo, com exceção das faixas da orla. E entre 2003 e em 2008, cerca de três polegadas desse crescimento, ou seja, mais ou menos um quarto, voltou aos oceanos. Um relatório de 2009 dizia que cerca de 273 bilhões de toneladas tinham sido despejadas no mar desde 2003. Fiz um cálculo disso baseado no volume de gelo e de sua conhecida gravidade específica, e verifiquei que aqueles 273 bilhões de toneladas, mesmo que não fossem simples gelo voltando ao mar, que se tinham acumulado lá na década anterior, teriam apenas ocasionado uma elevação de 0.7 mm ao nível do mar. Isso ilustra um ponto bastante interessante: o devido senso de proporções que se deve manter ao considerar questões científicas. 273 bilhões de toneladas parecem muito, mas se as pessoas se derem conta de que se as derretermos e ratearmos nos vastos oceanos que cobrem 71% do planeta, na realidade não representam muito. Meu objetivo principal tem sido fazer com que esse devido senso de proporções retorne ao debate científico e econômico sobre mudanças climáticas. Não quero que se perca a idade da razão, o uso da razão, para chegar a conclusões científicas. Se perdermos isso, perderemos o Ocidente. E se perdermos nossa capacidade de raciocinar, perderemos um dos três grandes pilares, ou uma das grandes potências da alma, como são chamadas na teologia católica tradicional. De onde os três poderes de Deus todo-poderoso: o poder criador, o poder conservador e o poder concorrente; os três poderes da alma, a memória, o entendimento e a vontade. O entendimento, o uso da razão é o que mais nos separa do resto da criação visível e mais proximamente nos une a Deus. Se perdermos o uso da razão, perderemos nossa humanidade e também nossa ligação com Deus, duas perdas profundamente indesejáveis.

Catolicismo — Este é um ponto interessante. Ligado a isso, como os ambientalistas utilizam o medo para promover sua causa? Olhando para o movimento ambientalista, vê-se que há muito medo, ansiedade e trepidação. Segundo muitos de seus líderes, caso não se faça algo, vai acontecer um apocalipse, etc. O senhor teria bons exemplos disso?

Lord Monckton — Bem, o medo tem sido usado desde os druidas, não é? Caso se queira obter apoio para uma classe governante que não tenha outro pretexto, o medo é um método muito bom para atrair grandes somas de dinheiro dos cidadãos do mundo. Isso tem se dado ao longo da História. E está sendo empreendido agora, desta feita pela esquerda sob a aparência de movimento ambientalista. Como é que eles conseguem fazer isso impunemente? Eles o fazem porque o nível de educação científica e racional tem sido em geral tão abissalmente pobre, que conheço muitas escolas no meu País, o Reino Unido, com certeza no setor público, que dão cursos sobre como pensar. Portanto, não se ensina à vasta maioria da população a noção de que o “consenso” a respeito do clima ou de qualquer outra coisa corresponde à falácia aristotélica do argumentum ad populum, como os escolásticos medievais a chamariam mais tarde, o argumento por contagem de cabeça. Bem, isso não é um argumento racional. Simplesmente porque foi dito que existe um consenso a respeito de algo não significa que ele exista, e ainda que existisse, não significa que o assunto a cujo respeito se faz o consenso é verdadeiro. Não significa nada.

E então eles alegam: “Oh, há um consenso dos especialistas!” Bem, então se entra em outra falácia aristotélica lógica que é o argumento de autoridade, o argumento de reputação — o argumentum ad verecundiam, em latim —, que é também uma desgastada falácia lógica. E se as pessoas fossem devidamente instruídas na escola quanto ao devido uso da lógica e da razão, então o medo diminuiria muito, pois quem quisesse causar medo não teria êxito, porquanto suas vítimas seriam treinadas para resistir exatamente a esse tipo de conversa fiada. Voltamos então a algo que se costumava outrora tentar instilar e que era uma educação voltada precisamente para premunir os alunos contra alegadas tentativas de classes governantes e de seus aliados de induzir ao pânico simplesmente para dizer que o fariam desaparecer se lhes dessem dinheiro.

Catolicismo — Obviamente, o movimento ambientalista não cuida apenas do ambiente. Que ideologias ou doutrinas estão por detrás dele?

O Greenpeace foi completamente dominado pelos marxistas e tem sido conduzido por eles desde então

“Muitas organizações ambientalistas são dirigidas por pessoas da extrema esquerda. Assim, é claro que existe interesse ideológico, e um tipo de estatismo”

Lord Monckton — Ele absolutamente não tem mais nada a ver com o ambiente. Os ambientalistas não passam de melancias: verdes por fora e vermelhas por dentro. Eu também os chamo de tendência de semáforo: verdes muito amarelinhos de medo de admitir que são realmente vermelhos. Pode-se talvez pensar que isto seja mera retórica, mas conheci um dos fundadores do Greenpeace, o falecido Eric Ellington, a pessoa menos inclinada à política que se poderia conhecer. Sua preocupação genuína era de que ninguém bagunçasse o planeta, e ele e seus amigos co-fundadores tinham noções mais bem idealistas sobre o objetivo que desejavam obter. Ele me disse que após um ou dois anos todos tiveram de sair porque não eram políticos. Quando os marxistas entraram e, em suas palavras, “tomaram o movimento”, eles não foram capazes de detê-los por não saberem como. Eles não eram políticos. Assim, politicamente, a extrema esquerda “passou a perna” neles.

Catolicismo — Então o Greenpeace foi sequestrado...

Lord Monckton — Sim, sim, o Greenpeace foi completamente dominado pelos marxistas e tem sido conduzido por eles desde então. Analogamente, muitas das outras organizações ambientalistas são dirigidas por pessoas da extrema esquerda. Assim, é claro que existe interesse ideológico, e há também um tipo de estatismo, um desejo de que o Estado passe a dirigir tudo, o que naturalmente faz parte da filosofia da esquerda. Mas há também um tipo de estatismo egoísta entre burocratas e políticos desejosos de se sentirem úteis, de terem uma razão de existir e de impor tributos às pessoas até tirar o sangue. E o ambientalismo é para eles uma via mágica de extrair grandes quantidades de dinheiro das nações através de impostos de combustíveis fósseis, comércio de carvão, etc., etc., e existe o simples interesse financeiro da parte de muitas pessoas que estão ficando franca e desordenadamente ricas graças a este medo.

Catolicismo — Mais ainda, poder-se-ia dizer que o movimento ambientalista dá muitos sinais de ser uma nova religião. Gorbachev, por exemplo, disse que a Carta da Terra deve substituir os Dez Mandamentos como base da nossa sociedade. O senhor teria exemplos ou poderia comentar isso?

Lord Monckton — A ideia de que o ambientalismo possa ser uma religião crível já demonstrou ser falsa pelo trenzinho assombrado do aquecimento global, em cujos vagões os fanáticos subiram e cujas rodas imediatamente começaram a se soltar. Agora todo mundo vê que eles estavam errados. Portanto, por que estariam certos a respeito das outras coisas que dizem? Essa abordagem é naturalmente um pouco ilógica, porque teoricamente eles poderiam estar errados numa coisa e certos em outra, mas acontece que eles têm um histórico de serem errados, repetidamente errados. Erraram, por exemplo, quanto à camada de ozônio. Recentemente descobriu-se que o impacto dos carbonos de clorofluoro na fina camada estratosférica de ozônio, que em alguma medida nos defende de raios nocivos do sol, foi dez vezes exagerado. Não se trata de um errinho qualquer, foi exagerado dez vezes. Sem esse exagero, não haveria nem de fato há qualquer justificação para o Protocolo de Montreal, mas assim mesmo ele fecharia milhares de indústrias perfeitamente respeitáveis do mundo inteiro que produzissem ou usassem os carbonos de clorofluoro. Portanto, eles estavam errados. Errados também sobre o HIV, quando disseram que não se podia designá-la uma doença de notificação obrigatória. Ninguém devia ser examinado, e os que a tivessem contraído não podiam ser isolados. O resultado foi que 33 milhões de pessoas morreram, 33 milhões estão infectadas e vão morrer, e ainda não há nenhum sinal de que esse movimento vá parar. Tudo porque a esquerda se apossou do problema desde o início e errou o tiro completamente. Portanto, o histórico da esquerda é terrível.

Representação artística do Big Bang

“Confiscar as terras das pessoas seria o fim do direito de propriedade e conduziria a uma era socialista, que suspeito ser o objetivo ambientalista”

Os esquerdistas erraram a propósito do aquecimento global. Não houve nenhum aquecimento ao longo de pelo menos 15 ou 20 anos, absolutamente nenhum, apesar do registro do aumento de concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, e isso sugere que o aquecimento que deveria ter ocorrido — de qualquer forma teria sido relativamente pequeno —, foi facilmente superado pelo esfriamento natural resultante de um declínio das atividades solares por volta de 1960, a partir de um pico de 10 mil anos. Portanto, eles erraram novamente e agora estão querendo prever que o índice de aquecimento nos próximos 100 anos será três vezes o que temos visto nos últimos 60 anos, mas não há nenhuma base científica para tamanho salto. Assim como erraram tão frequentemente no passado — e erraram diametralmente a respeito de tudo —, deve-se levantar a questão de se, objetivamente falando, eles estejam mesmo fazendo algum esforço para obter a verdade científica. Em questões científicas não é apropriado fazer o que faz a esquerda ou os ambientalistas, tomando na realidade uma posição política. Pelo contrário, deve-se manter uma certa distância e ver o problema sem paixão, para tentar resolvê-lo: “Há um problema? Qual é a sua gravidade? Como podemos descobri-lo?”. E ainda que possamos fazer algo a respeito, compensa fazê-lo ou seria mais barato não fazer nada, posto que o problema não é tão grande quanto dizem?

Portanto, essa quase-religião falhou precisamente por tentar instrumentalizar a ciência. A religião e a ciência operam em campos diferentes. Ambas são orientadas na direção da verdade, mas é a religião que começa, a priori, como dizem: existe um Criador, e o Big Bang começou porque assim foi o Seu desígnio, seja por ação direta ou por algum método indireto; mas foi um evento não criado por nós, de modo que podemos crer que o universo teve origem divina e não há ciência alguma que prove que isto esteja errado. Claro está que as leis da física só entraram em vigor alguns milésimos de segundo após o Big Bang e, portanto, não temos como verificar por que o Big Bang aconteceu. Assim, sem contrariar a ciência, estamos no direito de acreditar que se tratou de uma ação divina. Não podemos provar que foi uma ação divina, mas tampouco eles podem provar que não o foi. Nossas crenças diferem.

Não há futuro em tentar acreditar que é possível provar cientificamente que certas coisas são falsas, como fazem os ambientalistas. E como faziam muitos eruditos — James Lovelock até recentemente, Fritz Vahrenholt, Bjorn Lomborg e todos os que renunciaram suas antigas posições sobre o aquecimento global —, porque sabem que o assunto foi inflado e que é inútil alardear sobre algo que a ciência contradiz.

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