Palácio de Luxemburgo
Ambientes, Costumes e Civilizações

Palácio de Luxemburgo

Linhas suaves e leves respeitam as regras de transição e harmonia

Plinio Corrêa de Oliveira

O que salta à primeira vista na fotografia superior do palácio de Luxemburgo é a linda curva da balaustrada. Olha-se para ela e tende-se a sorrir, quase como quem agradece o prazer que proporciona essa curva forte e amável.

A pena que traçou tal curva é a de um homem que entende o que é calma. Um neurastênico não conseguiria desenhá-la. Um espírito sem sutileza, também não. Este faria uma balaustrada reta. E a linha reta, muitas vezes, aflige o homem, porque gostamos da verdade apresentada com uma pitadinha de fantasia e de poesia.

No palácio, as curvas convivem bem, não se ignoram as regras de transição e de harmonia. Ao contrário do chamado “minhocão” (passagem elevada, em São Paulo), que as ignora. O “minhocão” é um tabuleiro monótono e violento, para ser percorrido numa velocidade brutal. Os moradores dos prédios vizinhos estremecem...

Os vasos são bonitos e atendem bem à finalidade de elevar nossa natureza, que tem horror àquilo que é achatado. Entre um leito e outro dos jardins, há como que um ponto intermediário, a balaustrada; em seguida, a rampa delicada; e no fim, as estátuas. As transições estão perfeitamente bem observadas.

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O lindo palácio compõe-se de três partes: uma mais alta, com um teto de ardósia meio azulada e chaminés; um andar intermediário; e por fim uma parte mais baixa. No centro do edifício, onde se encontra a parte mais vigorosa, destacam-se altas colunas. Mas tudo tão simétrico como um rosto humano, em que um lado repete o outro. Olhando os dois lados iguais do edifício, a pessoa sente no fundo da alma uma harmonia, que vem do fato de o corpo humano ser também composto de duas partes iguais. Uma repete a outra, e assim nos sentimos agradavelmente em casa vendo os dois lados do edifício.

Imaginemos que a parte da fachada de cima, construída com um certo recuo, estivesse alinhada com o resto da construção, e que todo o edifício fosse plano como um só paredão. Perderia muito, assemelhar-se-ia a uma carranca enorme diante da qual ficaríamos meio acachapados. Não tornaria agradável o convívio do homem com o palácio.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 23 de agosto de 1986. Sem revisão do autor.