Outubro de 2007
Natureza européia
Ambientes, Costumes e Civilizações

Natureza européia

Verdadeira lição de religião, de harmonia de virtudes

Plinio Corrêa de Oliveira

A natureza exposta nesta fotografia é bem diversa da nossa e retrata bem o panorama europeu.

No centro, o monte lembra uma pirâmide. Não construída por algum faraó, mas formada por gigantescos movimentos da crosta terrestre em épocas imemoriais.

O jogo de luz presente nesse panorama europeu é muito bonito: uma luminosidade leitosa, prateada e discreta. A luz se reflete nas águas, como que trazendo para junto do homem todos os esplendores do pico inacessível. A água corre compacta, caudalosa, serena e frígida.

Todo o panorama é composto de alturas. As próprias árvores parecem píncaros vegetais, que tendem a subir e se comparar com o píncaro mineral. Elas são graciosas, leves, aptas a compensar o que a montanha apresenta de maciço.

A luz brilhante e radiosa propicia a contemplação; a obscuridade da vegetação convida a um outro gênero de contemplação: recolhida e séria.

As águas que correm indicam o passar contínuo de todas as coisas terrenas. Lembra a frase: “Sic transit gloria mundi” (Assim passam as glórias do mundo). As grandezas desta Terra escoam como as águas. Só Deus é eterno. O Criador, simbolizado pelo monte que nunca muda, sendo sempre o mesmo. O rio da História passa, vão-se os homens. Deus, porém, no mais alto de sua glória e de sua luz, continua intacto. Eis aí uma verdadeira lição de religião, de harmonia de virtudes: delicadeza e força, pureza e recolhimento, esplendor e sabedoria, tudo reunido neste panorama.

Entretanto, é a natureza deleitável e habitável pelo homem. Certamente não haverá quem não gostasse de morar num chalé próximo a tal cenário. Bem agasalhado, apreciando essa natureza frígida, mas saudável, e nutrindo-se dos frutos e das criações dela. Prático e belo. É a beleza unida ao prático.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
em 10 de fevereiro de 1974. Sem revisão do autor.