Setembro de 1996
No mar, reflexos da unidade e variedade divinas
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Ambientes, Costumes e Civilizações

No mar, reflexos da unidade e variedade divinas


Há uma concepção do universo que considera Deus enquanto causa exemplar, enquanto ser infinitamente belo, que se reflete de mil maneiras em todos os outros seres que Ele criou. De tal modo que não há nenhum ser que, a um título ou outro, não seja um reflexo da beleza incriada de Deus. Mas, sobretudo, a beleza de Deus se reflete no conjunto hierárquico e harmônico de todos esses seres, e não há, em certo sentido, um modo melhor de conhecermos a beleza infinita e incriada de Deus do que analisando a beleza finita e criada do universo.

Consideremos, por exemplo, a beleza do mar.

Um dos primeiros elementos de grandeza do mar é a unidade. Os mares da Terra comunicam-se entre si, e constituem uma imensa massa de água que cinge todo o globo terrestre. Numa orla do mar, em qualquer ponto do mundo, uma das considerações mais agradáveis que nos vem ao espírito é abarcar com os olhos a massa líquida que se estende diante de nós até as fímbrias do horizonte, e lembrar que essa massa líquida não se encerra ali, mas tem atrás de si imensidades a que se sucedem outras imensidades, para formar uma grande e única imensidade do mar que se move, que se joga e que brinca por toda a superfície da Terra.


Ao mesmo tempo que o mar nos apresenta essa unidade esplêndida, quanta variedade podemos observar nele!

Ora se apresenta manso e sereno, parecendo satisfazer todos os desejos de paz, tranqüilidade e quietude de nossa alma. Ora se move discreta e suavemente, deixando formar pequenas ondas que parecem brincar em sua superfície, fazendo sorrir e distender-se nosso espírito na consideração das realidades amenas e aprazíveis da vida. Ora, por fim, ele se mostra majestoso e bravio, erguendo-se em movimentos sublimes, arremetendo furiosamente contra rochedos altaneiros e deslocando de seus abismos massas de água insondáveis.

Por vezes o mar chega à terra célere e ofegante. Em outros momentos caminha para ela tardio e preguiçoso, por ondas que morrem languidamente na praia. E outras vezes, por fim, apresenta-se tão completamente parado, que parece contentar-se em ver a terra sem tocá-la.

Às vezes ele é tão límpido que se vê até o fundo de suas águas através de uma grande massa líquida. Outras vezes, porém, ele se mostra escuro, impenetrável, profundo e misterioso.

Ora seu murmúrio dá a impressão de uma carícia, que embala e faz dormir. Ora não passa de um ruído de fundo, semelhante à prosa de um velho amigo que já muitas vezes se ouviu. Mas pouco depois ele nos fala com o rugido dominador de um rei, que parece impor a sua vontade a todos os seus elementos.

Todas essas diversidades do mar não teriam para nós concatenação nem encanto, se não se apresentassem sobre o grande fundo de uma unidade fixa, invariável e grandiosa.

Assim, a unidade e a variedade manifestam-se numa criatura que está constantemente ao alcance de nossos olhos, e que constitui uma esplêndida imagem da beleza incriada e espiritual de Deus Nosso Senhor.

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Excertos de conferência pronunciada pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira no Congresso Carmelitano,
realizado em novembro de 1958 na capital paulista. Sem revisão do conferencista.

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