Outubro de 1992
Deformação a que nossas crianças estão sujeitas nas escolas
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Educação pública

Deformação a que nossas crianças estão sujeitas nas escolas

Subsídios aos professores para que possam "vacinar" os alunos contra o contágio ideológico, uma vez que grande parte dos livros didáticos em uso nas escolas do Brasil estão eivados de doutrina marxista

J. Bettinck Carvalho

 

Satisfeitos por terem conseguido matricular os filhos nas últimas vagas de uma escola pública, ou porque o orçamento familiar permitiu que continuassem num colégio particular, muitos pais se despreocupam do assunto "estudos", sem ao menos se darem ao trabalho de correr os olhos nos livros que seus filhos estão utilizando.

O que está sendo ensinado a nossas crianças? Para responder a essa pergunta, compulsamos 83 livros didáticos adotados no presente ano nas escolas de 1º e de 2º graus em todo o País.

O resultado da pesquisa confirma as suspeitas, e pode deixar surpresos os leigos em assuntos educacionais: a maioria dos livros está eivada de doutrina marxista, e os de algumas matérias estão literalmente encharcados dela. As relações humanas, as questões religiosas, os acontecimentos históricos, o progresso da cultura, o desenvolvimento das línguas, etc., quase tudo é visto e interpretado segundo a ótica socialista. Tem-se a impressão de que, se fosse possível, introduziriam marxismo até nas fórmulas matemáticas...

A conclusão? É que o estratégico setor da edição de livros didáticos está dominado pela esquerda a mais retrógrada. Não conheço os empresários do ramo. Mas os livros editados são de autores que não escondem sua preferência pelo marxismo. A julgar pela quantidade de obras disponíveis e por sua apresentação refinada –– nada "3º Mundo"! –– o mercado de livros didáticos é altamente lucrativo, no melhor estilo capitalista. Parece que nessas horas nossos excêntricos marxistas esquecem a ideologia e se deixam tentar pelo ouro...

Enquanto dormimos, eles assaltam as mentes infantis

Mesmo com o fracasso estrepitoso dos regimes socialistas patenteando-se aos olhos do mundo, há gente em nosso País que continua aferrada a tais idéias!

"Bem –– diria alguém –– deixe que continuem a sonhar. Se querem ser esquisitos, que sejam". Ora, a questão é outra: eles não se contentam em sonhar sozinhos. Infestando não só o setor de livros didáticos, mas todos os escalões da educação no Brasil, trabalham sorrateiramente a fim de arrastar para seus descaminhos nossas crianças e nossos jovens, ou seja, o Brasil de amanhã.

Tranqüilizamo-nos pensando que o problema do perigo comunista foi resolvido? Oh ilusão! Enquanto descansamos, toda uma geração de brasileiros vai sendo doutrinada nas escolas.

Talvez entre os doutrinados estejam seus filhos, amigo leitor.

O professor e os maus livros

Sejam livros de História ou Geografia –– os piores nesse sentido ––, sejam de Filosofia, de Língua Portuguesa e de O.S.P.B. (Organização Social e Política do Brasil), além dos de outras matérias, quase todos correm, em velocidades diferentes, na mesma pista: elogios à luta de classes, críticas unilaterais ao capitalismo, ataques contra a colonização luso-espanhola da América, contra a cultura ocidental e até contra a Igreja Católica. Além de preconceitos em relação à monarquia e à aristocracia, sem faltar as eternas loas à Cuba castrista. A fim de moldar a realidade às suas crenças, certos autores não têm escrúpulos em lançar mão de evidentes falsificações.

O pobre estudante vai sendo assim bombardeado desde a infância até a mocidade, e ao deixar a Universidade está com a mente povoada de mitos, bem longe da vida real.

*     *     *

A classe docente constitui o segundo maior contingente profissional de assinantes de Catolicismo, a que muita nos honra. A ela, esta palavra especial: cumprem lauvavelmente seu dever os professores que alertam os alunos contra as erros contidas nos maus livros. É certa que outros gostariam também de fazer a mesma, mas se sentem talvez desamparados, sem saber como começar ou no que se apoiar. Desejamos, agora e de futuro, vir em auxílio. de uns e de autros, fornecendo notícias, estatísticas e bibliografia que lhes sirvam para a refutação dos erros veiculados atualmente. Fica aqui, pois, um incentivo para que desde já vão chamando a atenção dos alunos sobre a necessidade de desconfiar dos dados apresentados por grande parte dos livros didáticos a respeito de capitalismo, camunismo, política, economia, colonialismo, etc.

História segundo Marx

Nos limites de um artigo, é impossível comentar todos os livros pesquisados. Corramos os olhas apenas sobre alguns livros de História, deixando para próxima ocasião outras matérias.

Abramos inicialmente a obra "História Crítica da Nação Brasileira" (Editora do Brasil, São. Paulo), de Renato Mocellin. Em certo sentido, ela nos dá a chave para a compreensão dos outros livros. Ao lançar as bases para o estudo da História, Mocellin diz que o histariador não pode narrar pura e simplesmente aquilo que nos chega pelos documentos do passado, mas precisa montar uma explicação dos fatos. É compreensível. Mas, baseando-se em quê? Nos critérios do... marxismo.

"Ao estudarmos qualquer sociedade humana, devemos analisar basicamente três níveis: o econômico, o ideológico e o jurídico-político. Desses níveis, o econômico é o determinante... São os modos de produção da vida material que condicionam a vida social, política e espiritual da sociedade" (p. 13). Nada mais, nada menos, que a clássica visão marxista da História, materialista e relativista! O ensino da História só seria verdadeiro quando a considerasse "um processo único, condicionado pela luta de classes". No Brasil, a historiografia só progrediu quando "Caio Prado Júnior introduziu entre nós a análise marxista do desenvolvimento”;o campo da "historiografia marxista” aumentou seu domínio em nosso País, sendo desenvolvida mais tarde por Nelson Werneck Sadré, Florestan Fernandes (deputado federal pelo PT) e Celso Furtado, os dois últimos "principalmente depois do golpe de 64" (pp.19-20). Curiosamente, na fase conhecida como "da repressão", a esquerda teve toda a liberdade de desenvolver suas teses e ocupar diversas pastas da Educação no Brasil. Quem consegue entender?...

Passemos à caleção "Vivenciando a História", de Hamílton Gonçalves Mattos (Editora do Brasil). Os diversos volumes trazem intertítulos que já dizem muito: "O Brasil e a exploração colonial”, "O Brasil e a exploração capitalista", "Das sociedades primitivas à formação do capitalismo", "Da formação do capitalismo às sociedades atuais”. Até parece uma caleção de livros velhos, anteriormente adatados na Universidade da ex-URSS.

Fidel Castro, extremista de direita...

Eis algumas "pérolas" que Raymundo Campos nos oferta, em sua coleção de História do Brasil e Geral (Editora Atual). A Rússia stalinista "tornou-se uma grande potência, com agricultura e indústria extremamente avançadas” (História Geral, vol. 2, p. 188). A respeito deste mito, é opartuno citar aqui trecho de entrevista do conhecido e festejado economista francês Alam Minc a "Superinteressante" (S.P., setembro de 91): "A ex-União Soviética é uma sub sub América Latina. É o quarto mundo. Uma favela brasileira, comparada com a periferia de Moscou, é um oásis de dinamismo”.

Prestem atenção à curiosa definição. de "direita" e "esquerda" que esse autor nos dá: "Direita –– posição política contrária a mudanças. Esquerda –– posição política favorável a mudanças profundas” (História do Brasil, vol. 2, p. 129). Segundo essa lógica, não erraria quem afirmasse que o ditadar Fidel Castro deve ser classificado como extremista de direita...

Quanta coisa mais, desses e de outros autores de livros de História, poderia ser citada, algumas tão contrárias à realidade que são de causar riso ... e preacupação. Citemos apenas Osvaldo Rodrigues, para quem a exemplo de outras autores as índias são quase seres imaculados: “As crianças indígenas eram criadas com grande carinho e liberdade” (História do Brasil, Editora Atica, vol. I, p. 60). Nem uma palavra sobre a prática do infanticídio (que ocarre ainda hoje em certas tribos!), atestada até pelo Bem-Aventurado Pe. José de Anchieta, já na século XVI. Isto é ensinar História?

Nelson Piletti, embora incorrendo em todos os erros de seus colegas, tem pelo menos a coragem de, na p. 167 de sua “História da Brasil” (Editora Ática), escrever um nome que os outros escondem: "Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP)”. É de se esperar que ele continue a progredir, e na próxima edição do livro ainda cite o nome do fundador e presidente dessa entidade, "Plinio Corrêa de Oliveira”.

Por agora é só.

 

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